UM CASO CORROSIVO
Enquanto
o governo Lula se mantinha líder na preferência eleitoral em meio a pressões do
Congresso, um vazamento indevido da imprensa sobre a investigação de descontos
ilegais de aposentadorias pela PF originou a CPMI requerida pela oposição. Só
que, no desenrolar do processo, vazou o caso Master, um complexo crime
financeiro a envolver empresas, fintechs, crime organizado e igrejas.
O
esquema é tão complexo que a real do enredo se perdeu para a maioria popular e
é difícil fazer um artigo sintético sobre o caso. Jornalões se aproveitam disso
para envolver Lula e seu filho, o STF e Galípolo (BC) no esquema de ilicitudes,
para promover Flávio Bolsonaro ao Planalto e reeleger Tarcísio de Freitas para
continuar a vender SP de vez, a preços de coisa estragada.
Ele
acontece em meio à recém-findada CPMI do INSS, que virou um espetáculo
midiático como o foi a da C19 em 2021. Mas com uma diferença: o relatório da
CPI da C9 foi aprovado, com direito a uma cópia em mãos do Tribunal Penal
Internacional, em Haia, como mais uma evidência de genocídio mediante uso
da pandemia de C19. Diferente desta, a CPMI do INSS teve um fim insólito, com 2 relatórios.
O oficial foi redigido pelo relator Alfredo Gaspar (PL-AL) e o alternativo pelos membros governistas. O primeiro tem mais de 200 indiciados e focou no governo Lula. Foi rejeitado pela maioria. O último focou gente do governo Jair Bolsonaro e indiciou este e o filho Flávio, e sua votação foi rejeitada pelo presidente da comissão, o bolsonarista Carlos Viana (Podemios-MG). A comissão teve prorrogação autorizada pelo STF.
Em
sua contribuição investigativa, a CPMI do INSS evidenciou a relação dos
descontos com o caso Master, mas Daniel Vorcaro e Zettel não depuseram, pela
bênção de André Mendonça (STF). Evidências materiais em mãos da PF apontam o
envolvimento de vários parlamentares, em geral bolsonaristas convictos.
Fundado
pelo ex-influencer gospel Daniel Vorcaro, o banco Master
veio das cinzas do Máxima em 2019, avalizado por Campos Neto (BC). Especializou-se em CDBs (certificados
de depósito bancário por “empréstimo”) de alto rendimento (até 140% do CDI,
uma taxa de rendimento). O modelo agressivo de alto risco gerou ativos acima de
R$ 80 bilhões.
Crimes – se o capital financeiro já não é confiável, imaginem
o Master: não eram só altos CDBs. Ao invés de brecar os crimes, Campos Neto
deixou rolar. Já grande, o novelo criminal caiu no colo do sucessor Gabriel
Galípolo, após a voadora Tramontina de Lula em Vorcaro: “isso é com o
Galípolo”. No esgotamento das demais soluções, o BC liquidou de vez o Master em 2025.
O
Master criou uma insolvência (dívida de valor impagável), roubou
fundos e quebrou entidades públicas que nele investiram como
RioPrevidência por Claudio Castro e Banco de Brasília por Ibaneis Rocha. Daniel
Vorcaro foi preso no aeroporto portando uma mala cheia de grana, foi preso, depois
solto e, após alguns dias, voltou à prisão.
Um banco e duas CPIs—a
CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado surgiram de ações da oposição para, de
alguma forma, incriminar o governo Lula por ligações criminosas relacionadas:
ele seria o “grande chefão”. Só que os dados disponibilizados pela PF às
comissões até o momento não têm encontrado provas do envolvimento de Lula, nem de seu filho Lulinha.
Devido
ao vazamento estratégico e proposital dos jornalões de investigação sigilosa da
PF, a CPMI do INSS visou ligar o governo atual aos descontos ilegais das
aposentadorias. Só que, no andamento da CPMI, os nomes levantados foram de
parlamentares da direita, fintechs, empresários, associações, facções e
líderes evangélicos.
A CPI
do Crime Organizado foi criada para “provar” a suposta ligação de Lula com
o crime organizado, dada a recusa deste em considerá-las terrorstas, e a suposta participação de Alexandre de Moraes no caso
Master. Convocado como testemunha, ciente de não poder mentir nessa condição, Gabriel Galípolo desmentiu o Globo e
o Estadão numa tacada só: “não conversamos pelo telefone, fui ao STF e o único asunto com o Moraes foi sobre a lei Magnitsky”.
Efeito
colateral—o
governo Lula tinha aprove popular crescente após a hoje válida isenção de
rendas até R$ 5mil do Leão e diante da hostilidade do Congresso desde que Dino
brecou as emendas ilícitas. O ataque dos jornalões inverteu a lógica popular,
aumentando novamente os índices de reprovação diante do concorrente Flávio Bolsonaro. Os jornalões se extasiaram com seu novo queridinho.
Em paralelo a esse orgasmo (spoiler: Lula agora volta a crescer), os jornalões noticiaram a confissão de Dias Toffoli como sócio minoritário de empresa que
administrou o resort Tayayá em negócios com o Master. Ele já havia passado a
relatoria do caso para o colega André Mendonça, que poupou Vorcaro, Zettel e outros
nomes duvidosos de depor nas CPIs citadas.
A interferência de Mendonça não impediu o fechamento da igreja da Lagoinha de Valadão e Zettel, encalacrada pelo envolvimento evidente de sua fintech e o Master em descontoss ilegais de aposentadorias. Sentindo-se enganados, os fiéis que lotavam o templo luxuoso finalmente devem ver que quem fechou a igreja não foi Lula, e sim seus próprios líderes junto às financeiras.
O
mesmo Master que, blindado pelo jornalão-emissora O Globo em todo esse
tempo, graças aos negócios milionários traçados entre ambos, agora corrói duramente
a imagem do poderoso grupo empresarial de comunicação de massa. É, Galípolo, talvez sem o saber, salvou o
Brasil ao liquidar o Master. O troço corroeu todos que com ele tiveram algum
contato.
Para saber mais
- https://www.youtube.com/watch?v=VNfmt9-E5Ec (O historiador – ESTADÃO TENTA ATACAR A
ESQUERDA E EXPÕE LAURO JARDIM DA GLOBO EM PAGAMENTO DO BANCO MASTER)
- https://conteudos.xpi.com.br/aprenda-a-investir/relatorios/cdb-xp-230/#:~:text=O%20CDB%20%C3%A9%20um%20dos%20investimentos%20considerados,m%C3%ADnimo%20ap%C3%B3s%20investir%20para%20sacar%20o%20dinheiro). (o que é CDB e CDI)
- https://www.bbc.com/portuguese/articles/cqxdrwyl7leo (como dinheiro do contribuinte pode acabar sendo
usado para cobrir parte do rombo bilionário do Banco Master, 10/2/26)
- https://cooperativismodecredito.coop.br/2026/01/entenda-o-caso-do-banco-master/ (envolvimento de outros bancos)
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DINO,
O JUSTO
Quando
assumiu seu terceiro governo, Lula foi visto como a grande esperança para salvar
o STF e outras instituições, ameaçadas e aparelhadas pelo governo anterior em 4
anos. O experiente estadista se viu pressionado por duas frentes opostas: os movimentos
identitários (feministas e LGBTQIAPN+, e étnico-raciais.), e a grande oposição
congressista formada pelo Centrão e pela ultradireita.
Até
hoje, Lula frustrou os movimentos identitários, preocupados com a ameaçadora
falta de representante no STF. Mas o governo priorizou enfrentar a pressão da
oposição e a eminente aposentadoria de Ricardo Lewandowski (2023) e Rosa Weber
(2024). O paulista Cristiano Zanin entrou em 2023, e no ano seguinte, o
maranhense Flávio Dino. Ambos brancos e heterossexuais, mas nada ruins.
Dino:
uma nomeação necessária – se Zanin aproveitou a Vaza-Jato (Intercept
Brasil) para acionar o STF a anular a condenação do então cliente Lula,
Dino entrou num momento bem especial. Já abordei sobre ele em artigos anteriores
(breve biografia e sua carreira e orientação política). Aqui focarei em induzir
os leitores a refletir sobre os motivos que levaram Lula a indica-lo para o STF., bem como suas consequências imediatas.
A
ida de Dino para o STF frustrou parte da militância esquerdista que via nele o
substituto adequado de Lula na presidência. Mas a galera acabou vendo a
nomeação como estratégica para o próprio governo atual. São duas as motivações
principais a nortearem o fato: os direitos sociais, e a relação do
parlamento com os recursos das emendas.
Mesmo
hoje fora da carreira política e com a sisudez do ambiente jurídico, Dino é
politicamente alinhado a Lula em temas sociais. Defende a gestão estatal
de serviços públicos essenciais e os direitos trabalhistas, e não esconde sua
preocupação com o risco social decorrente das postagens mentirosas e odientas
das redes sociais num ambiente livre de regulação.
Conquistada
na carreira política, sua popularidade não se exauriu como ministro do STF. Exceto
pouquíssimas decisões duvidosas, como a da mineração indígena das próprias
terras, Dino tem feito o que foi considerado pelos jornalões “interferência
indevida no Legislativo”, como o popular bloqueio de emendas ilícitas
(sem transparência) . Para os lulistas, um breque na corrupção, para os
bolsonaristas, uma ironia financeira.
Apesar
de servirem como campanha eleitoral, as emendas parlamentares viram recursos para
as regiões de origem. Mas acontece que a forma legal é publicamente rastreável no
Portal da Transparência. Muito popular pela gratuidade e transações
facilitadas, o Pix foi usado para mascarar muito da ilicitude dos
repasses, daí as emendas pix. Os envolvidos chiaram pra valer.
Os
bolsonaristas criticaram também a sua determinação de punir magistrados
criminosos com perda de cargo e salário abolindo a aposentadoria
compulsória. Ele já havia dado fim nos penduricalhos salariais na elite do
funcionalismo público, causando o maior furor entre altos magistrados que
ameaçaram greve, mas ficaram nisso, e no Congresso que quis engordar proventos
dos servidores das Casas.
Tais
penduricalhos são facultativos: o nomeado pode abrir mão deles na sua
posse. E quiçá, Dino tenha se abstido deles, apesar da tradicional hipocrisia
de se tirar dos outros sem se abster dos seus. E, em toda a sua carreira
política, Dino nunca foi comprovadamente corrupto – apesar da insistente mentira
sobre os respiradores na época da C19, na verdade um dos muitos crimes de
Pazuello na pasta da Saúde.
Com
a adição dessas proezas, a nomeação desse maranhense foi a resposta sagaz de
Lula àqueles que sempre insistentemente o rotulam de ladrão e corrupto. Agora, se esses inimigos políticos entenderam
o recado, não importa. O que importa é a clareza escancarada dessa resposta, e até
agora indiscutivelmente, a justeza de Dino, que tem afetado a elite nas diversas
frentes – doa a quem doer.
Para saber mais
- https://www.youtube.com/watch?v=JqccbXkruTY
(CNN Brasil – Dino aponta falta de transparência em emendas para a
Igreja da Lagoinha)
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