sábado, 9 de maio de 2026

CURTAS 110- ANÁLISES (fatos a 6 meses da eleição)

 

O LAVAJATISMO REACIONÁRIO

                    Quando ouvimos falar do termo Lava-Jato pela primeira vez, como denominação de uma operação investigativa com PF, políticos do Centrão e altos membros do judiciário, já estávamos na era Dilma Rousseff. Só que, na prática, essa operação já havia começado na primeira era Lula, com as operações conhecidas como Petrolão (reiniciada após paralisação pela ditadura) e Mensalão. Na época, o relator no STF foi Joaquim Barbosa.
                    Com as prisões de vários membros petistas – e também a inevitável condenação do ex-governador mineiro Eduardo Azeredo (PSDB) ao colapso político –, o nome Lava-Jato ainda continuava acobertado pela penumbra midiática enquanto a empreiteira Odebrecht virou alvo. Ele só veio à tona no 1º governo Dilma, no prosseguir da ação da PF, que já começava a mirar vários nomes do Centrão. Daí o golpe “com STF, com tudo” em 2016.
                    Lula foi preso e o eleito presidente foi Bolsonaro. Repetindo sempre a cantilena “no meu governo não tem 1 caso de corrupção”, ele paralisou a operação Lava-Jato, que se esturricou com a reportagem investigativa Vaza-Jato, do Intercept Brasil, da qual tivemos pouco conhecimento porque o governante empregou a censura-modelo do regime de terror e chumbo de 21 anos. Ele paralisou a Lava-Jato porque iria ser queimado pelas provas da PF.
                    Como previu, Lula saiu da prisão e voltou ao Planalto. Agora segura o mais pressionado dos governos. Sem substância para forjar novas provas contra a conduta do petista, jornalões se unem ao Centrão já aliançado com a ultradireita – e apostam em Flávio Bolsonaro presidente, não importando as suas evidentes ligações com o crime organizado no RJ. Daí vemos a tentativa midiática de ligar Lula e STF ao Master. E agora vieram dois problemões.
                    Messias derrotado— Senado, 29/4. Mesmo evangélico e basicamente conservador, Jorge Messias foi derrotado por 42 dos 79 senadores presentes. Segundo o líder do governo no Congresso Nacional Randolfe Rodrigues (PT), “o governo nunca teve indicados derrotados em 120 anos”. Mas buscou contemporizar: “esse resultado faz parte da prerrogativa do Senado”. Que, na prática, cheira à forte suspeita de golpismo – uma versão 2.0 da Lava-Jato.
                    Após o fechamento da votação, enquanto alguns senadores confortavam Messias que chorava, outros abraçavam o presidente do Senado Davi Alcolumbre. Se foi normal o reacionário presidenciável Flávio Bolsonaro abraçar Alcolumbre, o petista Jaques Wagner surpreendeu ao fazer o mesmo.
                    Derrota do veto ao banditismo— Congresso, 30/4. O Brasil ainda estava estarrecido com a derrota de Messias quando o Congresso todo se reuniu para decidir na votação plenária do veto de Lula ao PL da Dosimetria. O projeto da ultradireita propõe reduzir as penas dos cabeças da intentona de 8/1/23 para facilitar a soltura de Bolsonaro e dos financiadores. Ele inclui estupradores, feminicidas, latrocidas e outros tipos barra-pesada como beneficiários.
                    Para derrotar o veto de Lula, o presidente do senado Davi Alcolumbre retirou do texto da Dosimetria artigos que contrapõem o já sancionado PL das Facções do governo. É que tais artigos estendiam o benefício aos faccionados, respeitando a CF no que tange à igualdade de todos perante a Lei. O PL governista endurece as penas para as facções, com acréscimo de pena relativa a outros delitos. Não foi um favor ao governo, nem nada contra bandidos faccionados. Foi só o caminho para derrotar o veto.
                    Análise pungente— ora, cada fato é uma estratégia de golpismo. O aprove do PL da dosimetria afronta tanto o STF por ter condenado os partícipes, líderes e financiadores da intentona, quanto o intento de Lula em endurecer penas para crimes pesados e orcrims, e a sua liderança de presidenciável. Além de traição a Lula, a derrota de Messias afetou de certo modo André Mendonça, um “irmão de fé”, mesmo aliados a políticos opostos.
                    Foi suposto que Messias não era unanimidade no STF. Na prática reinou a indiferença, só cortada por Gilmar Mendes, que o elogiou, e André Mendonça, devido à fé. A religiosidade talvez desse o temor de mais uma voz a dar tom bíblico indevido aos julgamentos colegiados num ambiente laico por lei. Afinal, é a constitucionalidade das leis o objeto de julgamento, mesmo que possa ferir alguns princípios cristãos. Fora isso, nada mais a ver.
                    Abraços da traição— já se imaginando presidente, Flávio abraçou o seu chefe de gratidão dupla. Além da derrota de Messias abrir caminho para indicar um substituto de Barroso se for eleito, ele agradeceu por Alcolumbre ter conversado com Xandão para este autorizar seu pai Jair Bolsonaro se internar novamente no DF Star. Afinal, Davi havia prometido ao colega que "faria mesmo a sua parte" (no acordo),
                    O abraço do sorridente Jaques Wagner incomodou o Planalto e a cúpula do PT. O gesto foi estranho. A indicação de Messias foi conselho de Jaques, pelo advogado ter sido seu assessor parlamentar. O pior foi ter dado certeza da vitória dele por agradar boa parte da bancada bíblica. Se declarando “amigo partidário e pessoal de Lula há décadas”, Wagner passou a impressão de trair o presidente.
                    E vale citar o antes do abraço: foi captado áudio em que o senador petista cochicha meio alto para Davi, já dizendo em tom muito tranquilo que Messias "irá perder por 8". Isso, antes da fim da votação plenária. Estranho como um parlamentar parece gesticular contra quem foi seu próximo e é aliado de Lula.
                    Conduta dos jornalões— silentes, os jornalões regozijam junto com Flávio, a quem se aliaram na corrida eleitoral: os acordos selariam o fim político de Lula por falta de base. Os dois adversários lideram tecnicamente empatados nas intenções de voto, com Lula à frente. Notícias frequentemente falseadas têm mais alcance do que a comunicação oficial do governo sobre seus bons feitos.
                    Outro exemplo falseado mirou Alexandre de Moraes. No O Globo, Malu Gaspar teve teve incoerência brutal. Se Moraes jantou com aliados de Lula, entre eles  Mário Sarrubbo, o n. 2 do Min. Justiça, como o ministro fechou acordo com Davi e Flávio para a derrota de Messias e do veto de Lula no PL da Dosimetria (diferente das penas que ele deu para os golpistas)? 
                    Mas...—acontece que nada é tão simples quanto parece. Enquanto Flávio joga como sempre fez, Lula não sinaliza desistir, mesmo chateado agora. Enquanto pensa numa indicação palatável à maioria, ele certamente fará o certo: jogar o jogo do Congresso. É o melhor a ser feito. Enquanto ele junta grana para novas emendas, o texto da dosimetria já está com o STF para julgar sua constitucionalidade. 
                    O apoio popular a Flávio Bolsonaro é mais empurrado pela enxurrada de mentiras muito fluidas em mensageiros virtuais e jornalísticas, e entre os religiosos, pela politização ilegal nos cultos (vide Lei das Eleições 9.504/1997). Mesmo com falhas, a própria trajetória política de Lula fala por si. Ele continua um comunicador popular nato, não importa quão maçantes possam ser seus discursos. E aposta no poder da lei e da Carta Magna, pela qual ele assinou como partícipe em 1988.
                    Está dado o recado: a ultradireita prcisará muito do apoio dos jornalões para ganhar a parada no Planalto. E justamente pelos nomes da direita contarem com a grande mídia, Lula tem que ver que esta última é o seu maior e mais perigoso adversário político.
Para saber mais
- https://www.bbc.com/portuguese/articles/cq8pxex574zo (BBC Brasil - como imprensa internacional noticiou a rejeição de Jorge Messias: derrota histórica de Lula, 30 abril 2026)
- https://www.youtube.com/watch?v=YZiJLhnDs8Q&pp=wgIGCgQQAhgB (Portal do José, 2/5/26 – Segredos revelados. O que está por trás da derrota de Messias. Malu delira. Clone: Flávio imita Lula).
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O MAIOR DESAFETO DE LULA

                    Durante boa parte de seu atual governo, o presidente Lula evitava discutir a possibilidade de buscar a reeleição. Porém, as novas e diversas pressões advindas do Congresso – apoiados economicamente pelos grandes grupos e do agro – e a nova ameaça do bolsonarismo representada por Flávio Bolsonaro o levaram a mudar de ideia em meados de 2025.
                    Saúde de ferro e incentivo da esposa foram outros gatilhos. Eleito, ele conseguiu aliviar a pressão do Congresso com aprove e execução de boa parte das promessas de campanha. O seu último feito foi livrar do Leão rendas até R$ 5 mil (pouco mais de 3 salários mínimos). Mas a avaliação positiva de seu governo estagnou nos 50%.
                    A alta rejeição atual não impede necessariamente a reeleição. Mas, comparado aos governos de outrora, ele voa baixo. Já citei a bolsonarização coletiva, a má comunicação oficial e a alta fluidez das mentiras da ultradireita nas redes sociais (a nova banca de jornais do povo) como os principais fatores. Mas a fé também entra.
                    Os dois governos anteriores terminaram muito populares porque as redes sociais não eram como hoje, a comunicação oficial era mais eficiente e havia apoio maciço dos evangélicos. O empate técnico com Flávio Bolsonaro se mantém no lulismo revelado entre nordestinos, espíritas afro e católicos progressistas.
                    Mentiras e desinformação — já foram o principal fator de alta impopular enfrentada pelo atual governo entre 2024-5. Seu efeito atual parece menor (parlamentares desmascarados por desmentidos bem feitos), mas elas continuam ativas, e agora têm novo vetor: a chamada mídia tradicional – os famosos jornalões.
                    Jornalões não desmentem fatos nem os atribuem a outros, mas podem omiti-los. No caso Master, O Globo acusa Xandão devido ao alto valor contratual do escritório advocatício da esposa. Mas omite que o escritório é privado, e que bancos grandes pagam alto mesmo – o que é lícito, mas socialmente imoral.
                    A mesma mídia também tem omitido sobre Flávio Bolsonaro no caso Master. A mansão de supostos R$ 6 milhões (deve valer mais) foi presente pago com parte da grana pública do Banco de Brasília (BRB) aplicada no Banco Master, contribuindo para a quase falência da instituição estatal pelo golpe financeiro.
                    Bomba Ciro-Master — as novas evidências dificultam a continuidade da omissão jornalística das falcatruas de Flávio Bolsonaro. A descoberta da PF de que Ciro Nogueira (PP) recebia mesadas até R$ 500mil via cartão de Vorcaro caiu como uma bomba nos bastidores do Congresso, mais ainda no Centrão.
                    Com essa mesada tão polpuda, ele viajava com a namorada para destinos turísticos de puro luxo, poupando os seus proventos de parlamentar. Não se sabe se a grana resultava de investimentos do Master ou de descontos ilegais de aposentadorias – em que Vorcaro está envolvido e foi poupado na CPI do INSS.
                    A investigação descobriu algo por trás da quase maternal relação Ciro-Master é antiga. Ciro apresentara ao Congresso um PL protegeria empresas financeiras do pente fino estatal. Só que a autoria do texto não é do governo ou parlamentar: foi elaborada por gente do próprio Master. Como um bom filho retribuindo a mãezona, Ciro fez o que achou que devia fazer.
                    A bomba respingou estilhaços em Flávio Bolsonaro, cujo sobrenome proporciona o empate técnico atual com Lula nas pesquisas. Numa entrevista, ele disse que Ciro é “o vice ideal”. Selando apoio a ele, os jornalões maquiam matérias culpando outros terceiros, ou distraindo atacando Xandão.
                    Em fria análise final, todos sabemos que Lula tem muitos inimigos, dentro e fora da política. Só no Congresso, alguns deles o são há décadas. Mesmo bem atendidos, o mercado financeiro e o agronegócio nunca lhe foram amigáveis de fato. Mas, se há alguém que o veja como “um problema a ser tirado da cena política”, esse alguém é a grande imprensa. Mesmo que nunca tenha sido hostilizada pelo petista.
Para saber mais
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sábado, 18 de abril de 2026

CURTAS 109 - ANÁLISES (política 2026)

 

TSE PEGOU CASTRO. E DENARIUM?

                    No embalo da popularizada megachacina de 28/10/25, o sanguinário governador Claudio Castro (RJ) e seu vice Pampolha renunciaram aos cargos em 23/3/26 para manter direitos políticos. Em 24/3, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ainda presidido por Carmen Lúcia, votaram pela inelegibilidade por 8 anos, graças a denúncias da esquerda na ALERJ.
                    Elaboradas em 2024, as denúncias foram entregues inicialmente ao aparelhado TRE-RJ, que absolveu Castro. Mas o Ministério Público Eleitoral (MPE) as acatou e repassou ao TSE. Elas acusam Castro de abuso de poder político e econômico (folhas de pagamento secretas) no pleito-202 e contratações irregulares na Fundação Ceperj e na Uerj.
                    O uso da megachacina nos CPXs do Alemão e da Penha – com 47 inocentes admitidos pela Polícia na identificação parcial divulgada – como estratégia de campanha antecipada e abuso de poder ainda não foi confirmado pela Justiça. Entretanto, alguns parlamentares da ALERJ concordam que tenha havido o ilícito.
                    Quando ainda na iminência de cassação, o presidente da ALERJ Douglas Rios (PL-RJ) foi eleito para manter o bolsonarismo no poder regional. Mas, a cassação veio logo e a eleição indireta foi anulada pelo TJ-RJ, impedindo também o presidente em exercício da ALERJ Guilherme Delaroli (PL) de assumir interinamente o cargo.
                    A renúncia de Castro prejudicou a cassação, mas não sua inelegibilidade. E Delaroli substituíra Rodrigo Bacellar, que foi afastado por ter ligação com o CV, daí o TJ-RJ desconsiderar legitimidade dessa linha sucessória. Assim, o magistrado e presidente do próprio TJ-RJ, Ricardo Couto, assumiu o cargo interinamente.
                    A renúncia de Castro impediu o salvou da cassação, mas não da inelegibilidade – o que, na prática, breca a ambição eleitoral, jogando no brejo a corrida pelo senado. Como a Justiça brecou a manutenção de Delaroli por deslegitimar a sua eleição pelas lideranças bolsonaristas na ALERJ, o RJ agora segue sem governador.
                    Denarium/Damião — agora que o caso Castro foi resolvido, que tal falar da chapa bolsonarista Denarium-Damião, de Roraima? Entregues ao TRE-RR em 2024, as denúncias de irregularidades administrativas e abuso de poder político foram julgadas e o citado tribunal votou pela cassação. No TSE, o julgamento foi interrompido por vários pedidos de vista.
                    A indefinição atual se deve a recursos do próprio TSE sobre condutas específicas do governo Denarium, além dos pedidos de vista. E vale citar a relação com o próprio ministro André Mendonça, fundador do Instituto Iter, contratado pelo governo estadual – sem licitação – para ministrar cursos de oratória, direito público para servidores e, acreditem, licitações.
                    A contratação do Insituto Iter por pouco mais de R$ 270 mil pelo governo roraimense foi uma especificidade que levou à suspensão do julgamento de cassação em 2/11/ 25 pelo próprio Mendonça.  Veio a suspeita de conflito de interesses – não confirmada oficialmente, claro. Mas, o protagonismo do inistro emplacou a suspeita.
                    Em fria análise final, a própria diferença de tempo e eficácia comparativa entre os dois julgamentos nos leva a refletir que interesses de força maior levaram às suspensões do julgamento. O fato de a chapa ser do Centrão aliado do bolsonarismo pode ter peso, mas vale enfatizar que Castro é bolsonarista e foi tornado inelegível.
                    O enlace entre Denarium e Mendonça mediante contratação do Iter tem peso fundamental na suspensão. Mas não é o maior dos problemas  considerando-se a licença do ministro da sociedade do Instituto e a importância das irregularidades, como abuso de comunicação política em ações sociais e malversação de recursos públicos.
                    É posr isso que o público e os demais ministros – talvez exceto Nunes Marques – fazem pressão para que o caso Denarium seja resolvido após 2  longos anos. Já basta as famílias dos mais de 120 chacinados aguardarem a justiça. E a nação se mostra cansada da falta de equidade judiciária ao julgar políticos de diferentes vieses.
                    Para o andamento correto da justiça, é importante a independência da direção política e ideológica, de classe social e dos interesses de mercado. O Iter ganhou R$ 4,8 milhões dando cursos de Direito Público para vários entes públicos. O grande valor da Justiça é a ação equitativa sobre os demais poderes, para coibir abusos de poder. Vale a ordem nacional.
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ELEIÇÕES: NOVO ESTRESSE

                    Temos eleições de 2 em 2 anos, intercalando pleitos municipais com os estaduais e federal. E estamos em novo ano eleitoral para a presidência da República e governos estaduais. E a patuleia se depara, desde 2016, com informes virtuais, principalmente mentiras, algumas bem requentadas – agora com apoio dos jornalões. Por isso, as eleições presidenciais são mais estressantes.
                    Desde os últimos rearranjos políticos, o TSE oficialmente tem em mãos os dados de vários presidenciáveis, mais variados em perfis pessoais do que políticos, e que podem convergir em algumas propostas. Mas novos rearranjos poderão ocorrer até agosto ou setembro. Os definidos até o momento seguem abaixo.
                    Lula (PT)—só este ano decidiu se candidatar à reeleição, ao lançar o pupilo Haddad para o governo de SP, já quase empatando com Tarcísio na corrida. Apesar do alto índice de reprovação nas pesquisas entre pentecostais e jovens, graças ao disparo de mentiras e dos ataques dos jornalões, sua chance de reeleição permanece alta Spoiler: as últimas pesquisas revelam sua liderança.
                    Flávio Bolsonaro (PL)— antecipadamente se lançou candidato à presidência, propondo continuar o governo do pai. Mas sem ilusão: ele é inteligente, discreto e muito perigoso. Um regime militar-miliciano-neopentecostal será muito provável – e pode pegar mais pesado do que a ditadura militar, para vender o Brasil no atacado.
                    Por enquanto aproveita a democracia imperfeita seguindo com mentiras contra Lula, tanto requentadas quanto novas.
                    Michele Bolsonaro (PL)—ainda que seu alvo seja Lula, ela se torna, na prática, adversária do enteado na corrida.Embora sejam do mesmo espectro político, eles têm públicos diferentes: ele entre os homens e jovens, ela entre as mulheres evangélicas pentecostais e neopentecostais. E para essa base ela tem propostas, nada feministas. Pelo contrário.
                    Ronaldo Caiado (PSD)— o representante da elite do agro entra como aposta de 3ª via pelos jornalões com a desistência de Tarcísio. Entrou no PSD, partido teoricamente governista hoje, não só como alternativa despolarizadora, e para isolar Lula politicamente. Além do agro, sua principal proposta é nacionalizar seu violento modelo de segurança pública.
                    Zema (Novo-MG)— tido pelos jornalões como centro-direita, ele é um reacionário – nega ter havido ditadura militar – e é um privatista extremista  como Flávio Bolsonaro. Como Caiado em relação à segurança pública, ele pretende aplicar a todo o Brasil o modelo PPP (participação público-privada) na educação e na saúde, em propostas avançadas na ALMG.
                    Aldo Rebelo (DC)—o ex-comunista e ex-ministro da era petista que já propôs o Dia do Saci em crítica ao popularizado Halloween de 31 de outubro, hoje se liga à direita abublegue.  Ainda não sabemos bem de suas propostas, mas não duvido muito que sejam muito similares às dos supracitados. Sua posição nanica nas pesquisa revela sua expressão rebaixada.
                    Cabo Daciolo (Mobiliza)—ex-deputado conhecido pelo jeito caricato misturado com fervor religioso, ele mistura propostas progressistas com as conservadoras. Só nos resta saber qual adversário ele vai acusar de ter criado a suposta proposta de União das Repúblicas Socialistas da América Latina (URSAL)1, já que o acusado Ciro Gomes agora está fora.
                    Renan Santos (Missão)—representante do Movimento Brasil Livre (MBL), uma facção de ultradireita, ele é empresário e influenciador político visado na corrupção (já fez boa referência a Flávio Dino em relação a esse crime). Sua postura agressiva e a relação do MBL com neonazistas mais tendem a afastar do que agregar valor eleitoral. Nanico.
                    Eduardo Leite (PSD)—ao querer culpar o governo federal, o governador gaúcho se notabilizou pela omissão nas motivações ambientais e infraestruturais que levaram às enchentes históricas no seu Estado. Mas ainda tem boa expressão política local e se disonibiliza. Mas sua posição no ranking das pesquisas é tão nanica quanto a de Rui Pimenta e outros nomes.
                    Augusto Cury (Avante)—médico psiquiatra de formação e escritor, ele é pouco conhecido da população. Mas foi eleito na convenção por sua intelctualidade e postura moderada, agregando ideais progressistas que podem aliá-lo a Lula em caso de reeleição deste. Sua proposta central é na saúde pública, na qual já exerce sua profissão. Mas ainda é nanico nas pesquisas.
                    Rui Costa Pimenta (PCO)—se declara extrema-esquerda, mas converge com Bolsonaro em pautas como população geral armada, narrativas de persecução política pelo STF e rejeição a propostas de minorias como o combate a crimes de ódio. Daí muito bolsonarista se simpatizar com ele. Mas ocupa os últimos lugares nas pesquisas.
                    Há articulações ainda em andamento, com entrada possível de novos candidatos. Ao menos dois deles, Hertz Dias (PSTU) e Samara Martins (UP), trotskistas como Rui, são possíveis candidatos na corrida. Mas sabemos que serão mais nanicos do que o próprio líder do PCO, que pelo menos pode ter melhor expressão por ser mais conhecido.
                    Poderoso em Goiás, seu Estado natal, onde governa com mãos férreas, Caiado criou desculpa palatável ao se dizer alternativa despolarizadora. Mas, pragmaticamente, a polarização é inevitável. As pesquisas de intenção de voto já a revelam, se mantendo no 1º turno. No 2º, os dois finalistas se opõem, mesmo sendo da mesma direção política. A polarização só se destrói na inevitável vitória de um deles.
                    Mas vale apontar um fator diferencial de polarização nas eleições de 2026: os algoritmos com direito a IA. Pesquisas já apontam sinais de sua manipulação, enervando a população e jogando o público jovem num buraco político antes de terem consciência plena da complexidade do assunto. Por isso, já aviso aqui: todo cuidado e consciência são válidos nessas eleições, pois não é a polarização o problema!
Nota: 1 
Para saber mais
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LULA 3: RETROSPECTIVA E FUTURO (pipoca)

                    Este artigo será uma pipoca,  um texto mais curto do que o meu normal. Neste momento em que ainda não chegamos ao meio do ano, Lula não findou o seu terceiro governo, até o fim de ano ainda rolará mais água debaixo da ponte. Mas, alguma reflexão já está confirmada, e será exposta nas próximas linhas.
                    Histórico— aprendemos a definir como históricos nomes pretéritos, como D. Pedro II ou Getúlio Vargas. Mas muitos de nossos contemporâneos já imprimem marca indelével. E entre vários brasileiros se destaca Luiz Inácio da Silva, o Lula. O ex-sindicalista que foi preso no DOPS por promover greve gigante no ABC Paulista e o ex-presidente preso por lawfare (farsa jurídica para alçar poder político) em 2018, quando foi indicado ao Nobel da Paz junto com Cacique Raoni e Greta Thunberg.
                     O único presidente com 3 governos por eleição direta na história da República, e ainda pode alcançar a inédita quarta vez. Talvez sem o saber, ele já deixou a sua marca indelével na nossa história política moderna.
                    Perfil político— ele diz se espelhar em Vargas no trabalhismo e em Juscelino na valorização industrial, mesmo ciente das mudanças contextuais em décadas. Mas mantém a sua formação socialista democrática original, como bom conunicador popular – mesmo ofuscado hoje pela burrice comunicacional da própria esquerda, que insiste numa linguagem de classe média descolada.
                    Lula 3— revogou vários decretos do antecessor. Atendeu a ianomâmis no pior da crise nhumanitária. Aos poucos remonta as instituições (reliberou o trabalho da PF, reabriu a investigação do caso Marielle, iniciou a política de combate ao crime organizado, criou o Concurso Nacional Unificado-CNU), livrou rendas até R$ 5 mil do Leão, demarcou 20 terras indígenas enfrentando o Marco Temporal, reduziu o desemprego e a inflação, isentou a Cesta Básica de imposto, revalorizou o salário-mínimo. E não está satisfeito.
                    Pontos críticos: o SUS disponibiliza agora um anticâncer caríssimo pra geral, mas entregou a gestão hospitalar federal do RJ a empresas públicas de direito privado. Criou 20 terras indígenas, mas as invasões violentas de suas terras (agro, extração ilegal de minérios, madeira e plantas medicinais, caça/pesca) e as doenças decorrentes continuam. Seu ministro do Trabalho impediu a intervenção da Justiça do Trabalho sobe denúncias de trabalho escravo na mega empresa de carnes JBS, dos irmãos Batista.
                    Lula não revogou o sequestro da atribuição sobre emendas parlamentares ocorrido no governo anterior; hoje elas atingem até ¼ do orçamento público anual. Após pagar emenda, Lula pediu a Hugo Motta escolher um relator neutro para o PL Antifacção, mas este o traiu entregando-o ao sanguinário bolsonarista Guilherme Derrite, que quase enterrou o texto por reduzir recursos do fundo da PF. O governo ainda deve ao Brasil fazer sua parte com um memorial às 700 mil vítimas fatais da pandemia de 2020-22.
                    Os fatos acima revelam que deve  haver limites para o modelo político considerado ideal por Lula: a conciliação de classes. Por ela, Lula acredita que as soluções para os problemas classistas são acordadas sem prejuízo de ninguém – o que os críticos marxistas consideram impossível, pois um sempre acaba perdendo, para manter a aparência democrática , só que burguesa. Cosniderando-se os fatos acima, talvez esses críticos tenham sua razão.
                    Por outro lado, mesmo marxista por essência, sou realista sobre a cultura política brasileira. Entendo por que Lula é conciliador. A coalizão política é a cara da nossa política e existe graças à conciliação classista. Lula a compreende como única forma de a esquerda chegar à presidência: a esquerda puro-sangue aí não tem vez – em parte por ignorância popular que impede uma revolução socialista como a que criou a URSS, e com a qual o capital se beneficia.
                    Enfim— a retrospectiva de seu governo cria uma perspectiva sobre o futuro. Vendo da falta de líderes preparados em 2026, ele se candidatou à reeleição. Considerando-se os dados de pesquisas mais confiáveis, sua chance é média-alta, à frente de Flávio Bolsonaro em algumas regiões/Estados e abaixo em outras.  Como disse o ministro dos Transportes Renan Filho, Flávio poderá instaurar uma ditadura militar 2.0, se eleito. Mas jamais apagará a marca Lula, que ainda desperta expectativa e persepectiva.
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CURTAS 110- ANÁLISES (fatos a 6 meses da eleição)

  O LAVAJATISMO REACIONÁRIO                          Quando ouvimos falar do termo Lava-Jato pela primeira vez, como denominação de uma ope...