A CARTA DA ALTA TRAIÇÃO
Já dentro do prazo de 90 dias da eleição, o Brasil entrou no defeso
eleitoral, um conjunto de deveres ligados à política. Proibição de
campanhas em instituições públicas e religiosas; convenções partidárias para
oficializar candidaturas; pré-candidatos entram em licença-política não
remunerada de até 3 meses. Essas e outras descrições constam na Lei
9504/1997, a Lei das Eleições.
Ainda assim há quem aja fora da lei. É o caso do
presidenciável Flávio Bolsonaro, que em fevereiro fez comício com dancinha no
carnaval aqui e ali no Brasil, e também foi aos EUs não só em “missão
oficial” de encontrar Trump: ele fez comício para compatriotas que vivem lá
e dançou carnaval no Nordeste. Passou incólume. Políticos da ultradireita têm
ido a certas megaigrejas evangélicas para receber rezas e incentivos dos
respectivos pastores.
Por ido ver o Carnaval na Sapucaí a convite, Lula
quase saiu de cena, acusado de campanha antecipada. Tudo porque uma escola de
samba o homenageou em enredo. Foi uma ação desesperada do PL, diante da
escalada de notícias de escândalos financeiros envolvendo Flávio em grupo
criminoso formado por Master-Vorcaro, os governos Claudio Castro e Ibaneis
Rocha e vários colegas de partido na Alerj ligados ao CV. Mas, ao final, o STF
julgou a ação improcedente.
Novas descobertas da PF, deputados aliados da Alerj
presos e Castro inelegível pelo TSE depois, Flávio pediu a Trump para taxar o
Brasil e atingir Lula. Deu ruim: ganhou a alcunha Tariflávio e caiu nas
pesquisas eleitorais e Lula subiu. Ele pediu a Trump para adiar a taxa, que “está
favorecendo Lula”. O presidente determinou valer a partir de 22/7. Flávio então ganhou fôlego no desespero.
A carta da traição— desesperado, o presidenciável enviou uma carta
aos EUs, recebida pelo secretário de Estado Marco Rubio. A carta de Flávio
reitera o apoio aparente à designação de PCC e CV como organizações terroristas
globais e apela para adiar o tarifaço, enfatizado nela como “favorável a Lula”.
E sobre as eleições, acenou: “se eu for eleito, colchoarei minha equipe de
transição à disposição dos Estados Unidos”.
Rubio lançou uma resposta em tom de afabilidade
protocolar. Além de mencionar a manutenção do tarifaço e agradecer ao apoio de
Flávio em relação a CV e PCC, Rubio disse “se sentir honrado pela generosa
oferta”, finalizando que EUs estão “prontos para trabalhar
cooperativamente com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para buscar uma
estrutura de comércio e investimento ampla, justa e mutuamente benéfica”.
Não sabemos se Rubio foi sincero no final da resposta
sobre as eleições. Até porque Trump não esconde que quer interferir no nosso
pleito, e Eduardo Bolsonaro já apronta para haver mais sanções visando derrubar
a economia daqui no final do governo Lula para influenciar a população. Diante
de tudo isso, se revela a verdade de que a carta de Flávio é a prova cabal de
um crime gravíssimo que vem sendo cometido pelos Bolsonaro.
A suprema gravidade de um crime— ainda neste ano,
Flávio disse à CNN, que sente “inveja” dos ataques militares dos EUs e acrescentou
que “ouvi dizer que há barcos [...] na baía de Guanabara inundando o
Brasil com drogas”. Sugestão indireta que levou o deputado Lindbergh Farias
a acionar o STF. Também à CNN, ele critica reiteradamente o STF. Apoia a
deposição dos ministros e até sugeriu “uso da força se o STF não respeitar a
Constituição”. Doce sabor da ironia...
Enquanto a ação de Lindbergh não sai, cabe citar que Flávio
e Eduardo Bolsonaro cometem crime gravíssimo. “Se o Brasil virar terra
arrasada, me sentirei vingado”, declarou Eduardo. Não é por ser governo
Lula, é o intento golpista à distância, enfatizado ao encarar Trump como “seu
chefe”. E Flávio completa em relação ao suposto ataque militar estrangeiro
direto. É o crime de atentado contra a soberania nacional.
A gravidade do crime – também conhecido como alta traição
à Pátria – é tamanha que se compara diretamente a crimes de guerra.
Aliás, trata-se de um crime de guerra de fato, só que ainda
incitado. Sendo tal delito julgado pelo Supremo Tribunal Militar (STM), a punição
pode variar de 40 anos de prisão em presídio militar por incitação, à
pena de morte por fuzilamento se concretizado. Isso pode motivar Lula e
outros governantes contra a posição de Trump.
Flávio e Eduardo Bolsonaro veem no “narcotráfico terrorista”
um brinquedo geopolítico. Extasiados, eles não parecem perceber a dimensão do
perigo até para si mesmos. Drogas e armas são apenas 2 itens do tráfico.
Tráfico é só um dos muitos crimes que envolvem muita gente da elite (financeira
e empresarial). O grande terror é a política externa dos EUs. Os irmãos são recursos
humanos a serviço dela – eis o auge da traição, à qual o combate a ser travado
certamente os arrasará.
Para saber mais
- https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del1001.htm. (decreto-lei 1001,
Código Civil)
- https://www.youtube.com/watch?v=Ji2Yd1GTJO0 (Mídia Ninja—Trump
taxa o Brasil e governo Lula prega a Lei de Reciprocidade, 16/7/26)
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Flávio Bolsonaro se pôs à disposição para se
candidatar à presidência da República pelo PL de Valdemar da Costa Neto. De
acordo com as mídias em geral, ele não teria es disposto espontaneamente, e sim
pela escolha a dedo pelo seu pai, o ex-presidente Jair. A promessa de “continuar
o legado do pai” animou os bolsonaristas elevando as intenções de voto em
pesquisas.
Mas, a sucessão de provas criminais o envolvendo nas
relações com Vorcaro e o CV divulgadas pelas reportagens investigativas do Intercept
Brasil e a encomenda de tarifaço de Trump para prejudicar Lula negativaram
a sua imagem eleitoral. Já a de Lula aumentou, bem como a avaliação de seu
governo na pesquisa do DataFolha.
Segundo os jornalões, a imagem chamuscada de Flávio provocou
o afastamento dos partidários das federações PP-União Brasil e
Avante-Republicanos. Hipocrisia: o centrão quase todo está na lista suja de
Vorcaro. O outro motivo é o efeito
bombástico daquele vídeo de Michele Bolsonaro que o derruba como homem violento.
Os jornalões e os eleitores progressistas mais
otimistas da deram praticamente certa a desistência de Flávio. O ambiente
parecia totalmente desfavorável. Para piorar, ele mesmo fez um vídeo
incriminador, no qual já teria “estancado” Michele “se ela não fosse casada
com meu pai”. A repercussão geral foi explosiva. É explicável.
Na medicina, “estancar” é bloquear hemorragia de algum
modo. Na gíria em certos lugares do Rio, esse verbo ganha significado sombrio,
algo como o velho “cancelar CPF” – o que remete à possível ameaça de morte, daí
a repercussão do vídeo. Depois, protocolarmente, Flávio pediu desculpas para
selar uma trégua política.
Mas isso não atinge o público feminino, o mais
antipático ao filho 1 de Jair. Mulheres evangélicas seguem Michele como
representante da mulher plena de direitos, mas de valores cristãos e amorosa ao
esposo – mesmo que, na prática, Michele segrede um perigo por trás da fachada. Ela não é do sangue Bolsonaro, e sua saída do PL Mulher pode significar a tendência teocrática já alertada pelo jornalista Otávio Guedes, da GloboNews.
Uma ajudinha— autoexilado nos EUs, de onde já não queria
mais sair antes de ser cassado e perder o visto, Eduardo Bolsonaro conseguiu
regularizar a sua situação no país. Foi autorizado pelo “chefe” Trump a receber
o green card, espécie de RG de imigrantes legais permanentes. Contra o
voto feminino, o misógino Paulo Figueiredo o felicitou. E de fato, esse documento diz muita coisa por trás de um simples papel.
Brasileiros esclarecidos e democratas consideraram a
notícia péssima – e ótima para Flávio. Conforme a mídia adiantou, as
conspirações reiteradas de Eduardo contra o Brasil o revelam como agente a
serviço da CIA em favor da tomada do Brasil pelos EUs por meio do golpismo da ultradireita. Daí a reação sorridente de Flávio: aquilo dá fôlego à sua campanha golpista. Um
grande reforço, na visão da famiglia.
O green card concedido a Eduardo foi, na
prática, um gesto de reconhecimento de Trump sobre a utilidade do viralatismo
bolsonarista para a realização de sua ambição desmedida em se enriquecer às
custas dos minerais críticos do Brasil. Só que a coisa não foi tão barata
assim: logo receberiam uma surpresa de Brasília.
Resposta brasileira— o green card de Eduardo ocorreu pouco
antes de o Itamaraty vetar os vistos de entrada de dois supostos analistas
estadunidenses que queriam questionar a validade e a segurança das urnas
eletrônicas de operar sem Internet. O governo percebeu de imediato se tratarem
de empregados a serviço de Trump e dos irmãos Bolsonaro.
Na visão dos jornalões, o ato de Lula reforça o atrito
entre Brasil e EUs. Uma visão tão trumpista e vira-lata quanto a dos
bolsonaristas contra os quais eles se declaram críticos. Portanto, os jornalões não só distorcem a essência
fática – o ato soberano do governo brasileiro sobre os recursos do subsolo, que por lei pertencem à União –, também incitam
eleitores a reeleger entreguistas corruptos.
Mas, já sabemos que o viés das matérias de política e
economia dos jornalões é controlada pelo patronato do mercado financeiro. Omitir
o golpismo de Flávio – paranoia da esquerda, dizem – é parte desse controle, assim como a aura em torno de Ronaldo Caiado em defesa dos grandes agropecuaristas, todos à direita. No
entanto, este pode não ser o maior dos problemas. O pior é a falta de consciência
popular sobre esse silêncio ser um reforço para a ultradireita.
Para saber mais
- https://www.instagram.com/reel/DbCHjjwgWnv/.
(ICL Notícias, 20/7/26- Green card de Eduardo Bolsonaro é endosso de
Trump para a extrema-direita brasileira.)
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