domingo, 7 de junho de 2026

CURTAS 11 - ANÁLISES (caso ypê, Flávio e as eleições)

 

YPÊ E A BACTÉRIA COMUNISTA

                    Na primeira semana de maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) determinou recolhimento de mais de 20 diferentes produtos da marca Ypê nos comércios e residências em todo o Brasil. A notícia surpreendeu geral, e não é sem razão. Seus produtos saneantes (higiene e limpeza) são bastante consumidos.
                    A fabricante — especializada em produtos saneantes, a Ypê pertence à Amparo Indústria Química. O nome se deve ao município do interior paulista onde foi fundada em 1950. Hoje a Amparo tem unidades fabris em Salto (SP), Simões Filho (BA), Anápolis (GO), Goiânia (GO) e Itapissuma (PE).
                    No setor, a Ypê compete no mercado com outras pertencentes a marcas nacionais (Bombril, Girando Sol) e multinacionais (Santher, Softys e as dos portfólios Reckitt Benckiser, que inclui fármacos e alimentos, e P&G, que fabrica creme dental e fraldas descartáveis).
                    Com tanto tempo no mercado, é natural a sua popularidade, mesmo com concorrentes fortes como os citados. Até iniciar maio, quando surgiu um calhau (termo jornalístico para textos de capa pequenos e pouco relevantes) sobre uma “dura fiscal” justamente na sede de Amparo.
                    Um detalhe: essa não é a primeira irregularidade encontrada em produtos da Ypê. Em novembro de 2025, a sede paulista da Amparo ordenou recolhimento voluntário (recall) por suspeita de contaminação.
                    Entra a Anvisa — os fabricantes executam controle de qualidade nos laboratórios produtivos. Segundo o blog Semear Foods, as normas para os saneantes são a RDC[1] 989/2025 e a Instrução Normativa-IN 394/2025, com novos critérios para a sua regularização. Nesse sentido, segundo a mesma fonte, cada categoria de setor produtivo tem normas específicas.
                    A Anvisa é conhecida pelo rigor resolutivo, mais restritivo do que o da FDA estadunidense em certos casos. Para a Regulatory Affairs/Global Business-RAGB, nem saneantes escapam desse rigor. E foi neles que a dura fiscal descobriu algo que não devia estar nos conteúdos.
                    Bactéria perigosa — o algo indevido é a bactéria Pseudomonas aeruginosa. Tem ampla distribuição ambiental (locais úmidos e com água – instalações residenciais, comerciais, hoteleiras e hospitalares; solos e cursos d’água em geral). Suas colônias criam um biofilme superficial cheirando a uva. Um odor capaz de enganar pessoas incautas com facilidade.
                    Esse microrganismo tem vida livre, mas pode infectar alguém oportunamente. É oportunista. Tem risco patogênico baixo, mas com potencial bem grave em pessoas imunodeprimidas (transplantados, crianças, idosos, hospitalizados de longo tempo). Mas pode infectar saudáveis em momento propício. 
                    Enquanto fontes diversas recomendavam a suspensão de uso doméstico até sair o relatório final da Anvisa, a Ypê disse “não ter problema”. Entrou com recurso, mas no fim cedeu à medida da agência. Nesse ínterim, importante parcela do povo se rebelou.
                    Politização do caso, uma análise final – a notícia caiu na má politização. Populares bolsonaristas protestaram alegando “injustiça” com a marca e acusaram o governo. O oportunista senador bolsonarista Cleitinho criticou a agência reguladora, e o papagaiesco Véio da Havan se filmou fazendo uso de detergente.
                    São protestos em conduta de seita: produtos Ypê quase mágicos de tão “infalíveis” – mesmo sendo a 2ª irregularidade na marca em menos de 1 ano. Um homem se ensaboa, outro “bebe” e uma mulher lava o frango com detergente. Chamaram a bactéria de comunista, que não viveria nos "poderosos" detergentes. Uma tragédia mental que rendeu memes.
                    Nessa confusão bizarra de tradição com infalibilidade, acreditem, o protesto tem um sentido. A Ypê foi uma das entidades privadas que financiaram as campanhas de Bolsonaro em 2018 e 22, em cifras milionárias, sem falar dos valores do fundão partidário – e olha que o patrocínio privado de campanha política é ilegal desde 2016!
                    Mas o que torna o contexto mais bizarro é o fato de que, no recall de novembro/25, não houve alarde nas mídias, nem reação bolsonarista. O que ajuda a explicar o furor atual é a influência de políticos e empresários e a sucessão de escândalos envolvendo o presidenciável Flávio Bolsonaro, cuja imagem já se infecciona com aumento de rejeição nas intenções de voto. Nesse sentido, valeuzão aí, bactéria comunista!
                    Entretanto, dado o baixo potencial patogênico dessa bactéria "comunista", todo cuidado é pouco.
Nota[1] Resolução da Decisão Colegiada,  das agências reguladoras, que seguem padrão de votação muito idêntico ao das decisões colegiadas dos tribunais superiores. Cada votação de Resolução para categoria específica de produtos é prececida de sua RDC.
Para saber mais
- https://ragb.com.br/ (sobre a empresa de consultoria)
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TERROR À VISTA. E NA BERLINDA

                    Conforme previamente prometido na mídia, 2026 entrou quente. Primeiro, as notícias de ser um ano de super El Niño, cuja chance a ciência aposta em 37% a partir de outubro. Justamente o mês em que outro tema aquecerá no ápice: as eleições federais e estaduais. Presidenciáveis e candidatos a governadores, senadores e deputados já se agitam nos bastidores.
                    O povo se atenta mais à presidência. Diante da incontestável liderança de Lula mesmo no Brasil bolsonarizado por intermédio das sedes evangélicas caça-níqueis, o senador Flávio Bolsonaro aparece como candidato da ultradireita. E é ele o adversário que funga nas costas de Lula. Seu 2º lugar nas pesquisas se deve ao sobrenome e não pelos feitos no Congresso.
                    Nos 8 anos de senado, sua atuação se resume a dados mentirosos em debates e tumultos na falta de argumentos quando confrontado. Sua única proposta foi a da privatização das praias. Após a borrada em debate como prefeitável carioca há anos atrás, ele agora enfrenta Lula com jogo sujo: incentivado pelo irmão auto asilado nos EUs, ele foi lá encontrar Trump.
                    Quem o ridicularizou devido ao suposto elogio de Trump a Lula se enganou ao tentar subestimá-lo. Flávio não foi lá à toa: em seguida, a mídia divulgou que Trump designou nossas maiores facções narcotraficantes (CV-RJ e PCC-SP) de terroristas globais argumentando a internacionalização de seus negócios. E meteu taxa de 25% em transações com o Pix.
                    Pretexto para o golpe final— a declaração de Trump foi comemorada pelos bolsonaristas no Congresso, alegando segurança pública. Mas todos sabem: é só caô. Que Flávio vendeu em entrevista à CNN Brasil: “gostaria muito que houvesse intervenção das forças militares dos EUs na baía de Guanabara”. O que certamente ninguém captou é outro intento mais profundo por trás.
                    Ao ser confrontado, em pergunta posterior sobre reação institucional (STF) à intervenção de força estrangeira nesse caso, o presidenciável confessou à CNN Brasil, com desconcertante naturalidade, que “se necessário, usaremos a força para impedirmos o STF. E se o STF insistir, então será decretada a intervenção das Forças Armadas e será preciso aplicar um golpe de Estado”.
                    Tais afirmações são muito reveladoras. À CNN Brasil, o ministro dos Transportes Renan Filho alertou: “vejam o Trump. Ele está mais agressivo agora nesse segundo governo.  Aqui, se Jair Bolsonaro foi mais manso, o filho Flávio, se eleito, vai usar o poder para impor uma ditadura que pode ser pior do que a que tivemos. Vai abolir a liberdade de imprensa, os direitos civis”. (com adaptações).
                    Alerta claro. Se eleito, Flávio Bolsonaro usará a força para se perpetuar no poder. Sua intolerância às instituições democráticas é bem clara. A “liberdade de expressão” bolsonarista se restringe ao ditador, ao capital e, claro, ao crime organizado. Os Bolsonaro são aliados a braços políticos do CV e ligados a gente da milícia, como os militares da ditadura com bicheiros.
                    Significado eleitoral— a prova de escândalos financeiros envolvendo Flávio e Vorcaro foi o fator de maior impacto, com queda nas intenções de voto nele. E quem viu e notou os intentos dele naquela entrevista se indaga sobre o seu futuro político, com base nos arts 359-L (atentado violento ao Estado democrático de direito) e 359-M (golpe de Estado) do Cód. Penal, e art 136 daCF-1988 (intervenção estrangeira indevida), bem como a Lei Antiterror.
                   Em fria análise final, a citação à lei antiterror se liga ao viés dos atos pretendidos por Flávio Bolsonaro. O viés de seita cristofascista abre caminho para a execução de atos terroristas, que no conceito defendido no direito internacional e brasileiro se definem na condução pelo ódio. O bolsonarismo odeia a diversidade social, a institucionalidade republicana e, portanto, a democracia.
                    Portanto, podemos dizer que, dada a sua essência baseada no sentimento de ódio, o bolsonarismo é uma mostra do terror político-ideológico que, quiçá, poderá alcançar a diversidade religiosa para refutá-la. É, portanto, terrorista. Só que eleitoralmente tende a estar na berlinda. Mas, nunca o subestimemos. 
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sábado, 9 de maio de 2026

CURTAS 110- ANÁLISES (fatos a 6 meses da eleição)

 

O LAVAJATISMO REACIONÁRIO

                    Quando ouvimos falar do termo Lava-Jato pela primeira vez, como denominação de uma operação investigativa com PF, políticos do Centrão e altos membros do judiciário, já estávamos na era Dilma Rousseff. Só que, na prática, essa operação já havia começado na primeira era Lula, com as operações conhecidas como Petrolão (reiniciada após paralisação pela ditadura) e Mensalão. Na época, o relator no STF foi Joaquim Barbosa.
                    Com as prisões de vários membros petistas – e também a inevitável condenação do ex-governador mineiro Eduardo Azeredo (PSDB) ao colapso político –, o nome Lava-Jato ainda continuava acobertado pela penumbra midiática enquanto a empreiteira Odebrecht virou alvo. Ele só veio à tona no 1º governo Dilma, no prosseguir da ação da PF, que já começava a mirar vários nomes do Centrão. Daí o golpe “com STF, com tudo” em 2016.
                    Lula foi preso e o eleito presidente foi Bolsonaro. Repetindo sempre a cantilena “no meu governo não tem 1 caso de corrupção”, ele paralisou a operação Lava-Jato, que se esturricou com a reportagem investigativa Vaza-Jato, do Intercept Brasil, da qual tivemos pouco conhecimento porque o governante empregou a censura-modelo do regime de terror e chumbo de 21 anos. Ele paralisou a Lava-Jato porque iria ser queimado pelas provas da PF.
                    Como previu, Lula saiu da prisão e voltou ao Planalto. Agora segura o mais pressionado dos governos. Sem substância para forjar novas provas contra a conduta do petista, jornalões se unem ao Centrão já aliançado com a ultradireita – e apostam em Flávio Bolsonaro presidente, não importando as suas evidentes ligações com o crime organizado no RJ. Daí vemos a tentativa midiática de ligar Lula e STF ao Master. E agora vieram dois problemões.
                    Messias derrotado— Senado, 29/4. Mesmo evangélico e basicamente conservador, Jorge Messias foi derrotado por 42 dos 79 senadores presentes. Segundo o líder do governo no Congresso Nacional Randolfe Rodrigues (PT), “o governo nunca teve indicados derrotados em 120 anos”. Mas buscou contemporizar: “esse resultado faz parte da prerrogativa do Senado”. Que, na prática, cheira à forte suspeita de golpismo – uma versão 2.0 da Lava-Jato.
                    Após o fechamento da votação, enquanto alguns senadores confortavam Messias que chorava, outros abraçavam o presidente do Senado Davi Alcolumbre. Se foi normal o reacionário presidenciável Flávio Bolsonaro abraçar Alcolumbre, o petista Jaques Wagner surpreendeu ao fazer o mesmo.
                    Derrota do veto ao banditismo— Congresso, 30/4. O Brasil ainda estava estarrecido com a derrota de Messias quando o Congresso todo se reuniu para decidir na votação plenária do veto de Lula ao PL da Dosimetria. O projeto da ultradireita propõe reduzir as penas dos cabeças da intentona de 8/1/23 para facilitar a soltura de Bolsonaro e dos financiadores. Ele inclui estupradores, feminicidas, latrocidas e outros tipos barra-pesada como beneficiários.
                    Para derrotar o veto de Lula, o presidente do senado Davi Alcolumbre retirou do texto da Dosimetria artigos que contrapõem o já sancionado PL das Facções do governo. É que tais artigos estendiam o benefício aos faccionados, respeitando a CF no que tange à igualdade de todos perante a Lei. O PL governista endurece as penas para as facções, com acréscimo de pena relativa a outros delitos. Não foi um favor ao governo, nem nada contra bandidos faccionados. Foi só o caminho para derrotar o veto.
                    Análise pungente— ora, cada fato é uma estratégia de golpismo. O aprove do PL da dosimetria afronta tanto o STF por ter condenado os partícipes, líderes e financiadores da intentona, quanto o intento de Lula em endurecer penas para crimes pesados e orcrims, e a sua liderança de presidenciável. Além de traição a Lula, a derrota de Messias afetou de certo modo André Mendonça, um “irmão de fé”, mesmo aliados a políticos opostos.
                    Foi suposto que Messias não era unanimidade no STF. Na prática reinou a indiferença, só cortada por Gilmar Mendes, que o elogiou, e André Mendonça, devido à fé. A religiosidade talvez desse o temor de mais uma voz a dar tom bíblico indevido aos julgamentos colegiados num ambiente laico por lei. Afinal, é a constitucionalidade das leis o objeto de julgamento, mesmo que possa ferir alguns princípios cristãos. Fora isso, nada mais a ver.
                    Abraços da traição— já se imaginando presidente, Flávio abraçou o seu chefe de gratidão dupla. Além da derrota de Messias abrir caminho para indicar um substituto de Barroso se for eleito, ele agradeceu por Alcolumbre ter conversado com Xandão para este autorizar seu pai Jair Bolsonaro se internar novamente no DF Star. Afinal, Davi havia prometido ao colega que "faria mesmo a sua parte" (no acordo),
                    O abraço do sorridente Jaques Wagner incomodou o Planalto e a cúpula do PT. O gesto foi estranho. A indicação de Messias foi conselho de Jaques, pelo advogado ter sido seu assessor parlamentar. O pior foi ter dado certeza da vitória dele por agradar boa parte da bancada bíblica. Se declarando “amigo partidário e pessoal de Lula há décadas”, Wagner passou a impressão de trair o presidente.
                    E vale citar o antes do abraço: foi captado áudio em que o senador petista cochicha meio alto para Davi, já dizendo em tom muito tranquilo que Messias "irá perder por 8". Isso, antes da fim da votação plenária. Estranho como um parlamentar parece gesticular contra quem foi seu próximo e é aliado de Lula.
                    Conduta dos jornalões— silentes, os jornalões regozijam junto com Flávio, a quem se aliaram na corrida eleitoral: os acordos selariam o fim político de Lula por falta de base. Os dois adversários lideram tecnicamente empatados nas intenções de voto, com Lula à frente. Notícias frequentemente falseadas têm mais alcance do que a comunicação oficial do governo sobre seus bons feitos.
                    Outro exemplo falseado mirou Alexandre de Moraes. No O Globo, Malu Gaspar teve teve incoerência brutal. Se Moraes jantou com aliados de Lula, entre eles  Mário Sarrubbo, o n. 2 do Min. Justiça, como o ministro fechou acordo com Davi e Flávio para a derrota de Messias e do veto de Lula no PL da Dosimetria (diferente das penas que ele deu para os golpistas)? 
                    Mas...—acontece que nada é tão simples quanto parece. Enquanto Flávio joga como sempre fez, Lula não sinaliza desistir, mesmo chateado agora. Enquanto pensa numa indicação palatável à maioria, ele certamente fará o certo: jogar o jogo do Congresso. É o melhor a ser feito. Enquanto ele junta grana para novas emendas, o texto da dosimetria já está com o STF para julgar sua constitucionalidade. 
                    O apoio popular a Flávio Bolsonaro é mais empurrado pela enxurrada de mentiras muito fluidas em mensageiros virtuais e jornalísticas, e entre os religiosos, pela politização ilegal nos cultos (vide Lei das Eleições 9.504/1997). Mesmo com falhas, a própria trajetória política de Lula fala por si. Ele continua um comunicador popular nato, não importa quão maçantes possam ser seus discursos. E aposta no poder da lei e da Carta Magna, pela qual ele assinou como partícipe em 1988.
                    Está dado o recado: a ultradireita prcisará muito do apoio dos jornalões para ganhar a parada no Planalto. E justamente pelos nomes da direita contarem com a grande mídia, Lula tem que ver que esta última é o seu maior e mais perigoso adversário político.
Para saber mais
- https://www.bbc.com/portuguese/articles/cq8pxex574zo (BBC Brasil - como imprensa internacional noticiou a rejeição de Jorge Messias: derrota histórica de Lula, 30 abril 2026)
- https://www.youtube.com/watch?v=YZiJLhnDs8Q&pp=wgIGCgQQAhgB (Portal do José, 2/5/26 – Segredos revelados. O que está por trás da derrota de Messias. Malu delira. Clone: Flávio imita Lula).
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O MAIOR DESAFETO DE LULA

                    Durante boa parte de seu atual governo, o presidente Lula evitava discutir a possibilidade de buscar a reeleição. Porém, as novas e diversas pressões advindas do Congresso – apoiados economicamente pelos grandes grupos e do agro – e a nova ameaça do bolsonarismo representada por Flávio Bolsonaro o levaram a mudar de ideia em meados de 2025.
                    Saúde de ferro e incentivo da esposa foram outros gatilhos. Eleito, ele conseguiu aliviar a pressão do Congresso com aprove e execução de boa parte das promessas de campanha. O seu último feito foi livrar do Leão rendas até R$ 5 mil (pouco mais de 3 salários mínimos). Mas a avaliação positiva de seu governo estagnou nos 50%.
                    A alta rejeição atual não impede necessariamente a reeleição. Mas, comparado aos governos de outrora, ele voa baixo. Já citei a bolsonarização coletiva, a má comunicação oficial e a alta fluidez das mentiras da ultradireita nas redes sociais (a nova banca de jornais do povo) como os principais fatores. Mas a fé também entra.
                    Os dois governos anteriores terminaram muito populares porque as redes sociais não eram como hoje, a comunicação oficial era mais eficiente e havia apoio maciço dos evangélicos. O empate técnico com Flávio Bolsonaro se mantém no lulismo revelado entre nordestinos, espíritas afro e católicos progressistas.
                    Mentiras e desinformação — já foram o principal fator de alta impopular enfrentada pelo atual governo entre 2024-5. Seu efeito atual parece menor (parlamentares desmascarados por desmentidos bem feitos), mas elas continuam ativas, e agora têm novo vetor: a chamada mídia tradicional – os famosos jornalões.
                    Jornalões não desmentem fatos nem os atribuem a outros, mas podem omiti-los. No caso Master, O Globo acusa Xandão devido ao alto valor contratual do escritório advocatício da esposa. Mas omite que o escritório é privado, e que bancos grandes pagam alto mesmo – o que é lícito, mas socialmente imoral.
                    A mesma mídia também tem omitido sobre Flávio Bolsonaro no caso Master. A mansão de supostos R$ 6 milhões (deve valer mais) foi presente pago com parte da grana pública do Banco de Brasília (BRB) aplicada no Banco Master, contribuindo para a quase falência da instituição estatal pelo golpe financeiro.
                    Bomba Ciro-Master — as novas evidências dificultam a continuidade da omissão jornalística das falcatruas de Flávio Bolsonaro. A descoberta da PF de que Ciro Nogueira (PP) recebia mesadas até R$ 500mil via cartão de Vorcaro caiu como uma bomba nos bastidores do Congresso, mais ainda no Centrão.
                    Com essa mesada tão polpuda, ele viajava com a namorada para destinos turísticos de puro luxo, poupando os seus proventos de parlamentar. Não se sabe se a grana resultava de investimentos do Master ou de descontos ilegais de aposentadorias – em que Vorcaro está envolvido e foi poupado na CPI do INSS.
                    A investigação descobriu algo por trás da quase maternal relação Ciro-Master é antiga. Ciro apresentara ao Congresso um PL protegeria empresas financeiras do pente fino estatal. Só que a autoria do texto não é do governo ou parlamentar: foi elaborada por gente do próprio Master. Como um bom filho retribuindo a mãezona, Ciro fez o que achou que devia fazer.
                    A bomba respingou estilhaços em Flávio Bolsonaro, cujo sobrenome proporciona o empate técnico atual com Lula nas pesquisas. Numa entrevista, ele disse que Ciro é “o vice ideal”. Selando apoio a ele, os jornalões maquiam matérias culpando outros terceiros, ou distraindo atacando Xandão.
                    Em fria análise final, todos sabemos que Lula tem muitos inimigos, dentro e fora da política. Só no Congresso, alguns deles o são há décadas. Mesmo bem atendidos, o mercado financeiro e o agronegócio nunca lhe foram amigáveis de fato. Mas, se há alguém que o veja como “um problema a ser tirado da cena política”, esse alguém é a grande imprensa. Mesmo que nunca tenha sido hostilizada pelo petista.
Para saber mais
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CURTAS 11 - ANÁLISES (caso ypê, Flávio e as eleições)

  YPÊ E A BACTÉRIA COMUNISTA                       Na primeira semana de maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) determin...