sexta-feira, 12 de junho de 2026

CURTAS 112 - ANÁLISES (jornada 6x1, polêmicas judiciais)

 

FIM DA 6X1: VITÓRIA E ARMADILHA

                    Brasília, 5/10/88— após as rubricas de todos os parlamentares, o presidente da Câmara Ulysses Guimarães pegou e ergueu o livro preto de capa dura. Apresentou-o ao público e, no longo discurso da promulgação, o destaque: “A Constituição [...] não é perfeita. Ela própria o confessa, ao admitir a reforma. Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca. Traidor da Constituição é traidor da Pátria! [...]”.
                    Segue outro: “A persistência da Constituição é a sobrevivência da democracia.. Quando, após tantos anos de lutas e sacrifícios, promulgamos o estatuto do homem, da liberdade e da democracia, bradamos por imposição de sua honra: temos ódio à ditadura. Ódio e nojo! [...] Amaldiçoamos a tirania onde quer que ela desgrace homens e nações, principalmente na América Latina”. Foi fortemente aplaudido pelos 81 senadores e 513 deputados.
                    Quatro anos após o ato histórico, Ulysses morreu no mar e deu seu nome às Casas. Mas o nível dos que viriam depois só decairia com o tempo, até chegar à excrescência ideológica e ética que hoje domina os vetustos recintos e ameaça a Lei Maior e a democracia. Em particular no bem-estar social e nos direitos e garantias fundamentais – em especial no trabalhismo.
                    2025: do Rio a Brasília— em rua do Centro do Rio, um jovem de camisa preta estampada com VAT poderia ser um dos milhares de cidadãos que diariamente madrugam para iniciar novas jornadas longas e depois voltar para casa exaustos. Isso, não fossem os panfletos que distribuía a transeuntes, alguns dos quais paravam para satisfazer a curiosidade e fotografar ou filmar o momento.
                    O rapaz é o vereador carioca Rick Azevedo. O VAT na camisa é a sigla de Vida Além do Trabalho. Postada nas suas redes e nas dos transeuntes que o flagraram, a sigla se tornou o movimento VAT, viral entre os trabalhadores pelo país. Chegou em Brasília, a fervilhante capital da Federação, onde a proposta causou furor inaudito nos bastidores da política.
                    PEC 4x3: do furor ao arquivamento— o efeito do VAT chegou ao governo Lula, que se pronunciou em defesa da redução da carga e mesmo salário. A deputada Erika Hilton criou a PEC 8/2025 propondo escala 4x3 e 36h/semana sem redução salarial, como em alguns países europeus. Sua popularidade desafia a transfobia. Os reacionários protestavam: “demagogia da esquerda”, “vai quebrar a eonomia”, etc. Ela não se surpreendeu.
                    É conhecida a ladainha, repetida como música de LP retirado do fundo do baú. A tese da quebra do país foi usada por décadas por políticos e mídia até hoje hegemônica a cada direito conquistado, agora em dissolução crescente. Mas a PEC de Erika se mantém solidamente defendida pela esquerda, por ter se baseado em pesquisas exaustivas.
                    As pesquisas focaram estudos da legislação trabalhistas dos países que adotaram a 4x3 com 36h/semana e dos efeitos na relação carga menor-índice produtivo. Realista, Erika viu o Centrão engavetar seu texto em nome do interesse dos gigantes que o bancam e hiperexploram o trabalho operário nos países emergentes. Mas não perde a esperança.
                    Pauta 5x2: aprove ameaçado— o governo entregou ao Congresso sua proposta de carga máxima de 40h/semana e pelo menos 2 dias de descanso, com valor salarial mantido. Foi popularizada como PEC 5x2. Visando evitar o mesmo destino da PEC de Erika e percebendo a pressão popular, Lula os turbinou com emendas e exigiu urgência para votação.
                    O texto se justifica em três pautas. Diminuição da jornada como velha luta das classes trabalhadoras. Escala 5x2 e 40h máximas já em vigor entre muitas empresas e nos serviços públicos. E crescente investimento em tecnologia por empresas e instituições para turbinar o trabalho operativo, com maior retorno em lucro e produção.
                    A votação foi quase tão acalorada quanto o debate prévio. Foi recheada de discursos, alguns revelando a contradição da oposição, antes contrária à proposta do “desgoverno Lula”. Vários deles votaram a favor da 5x2, dando vitória ao governo. Governistas e esquerdistas comemoraram. Erik Hilton parabenizou Lula e agradeceu ao mesmo pelo apoio à sua PEC.
                    Na prática, seu discurso foi uma resposta à fala do pastor-deputado Sóstenes Cavalcanti, que se justificou: “muitas empresas já adotarem 40h semanais e 5x2, vamos vançar com a escala 4x3”. Atenção: não é a PEC de Erika. É outra, vem do Senado.
                    Engodo flexível— reagindo à vitória de Lula, o presidente Davi Alcolumbre liberou apreciação de outra proposta sobre o tema. É a PEC 12/2025, PEC da jornada flexível, do senador Rogério Marinho (PL), que propõe jornada elástica de acordo com a necessidade do empregador, e ganhos por hora trabalhada. Parece sedutora, mas muita calma nessa hora.
                    Rogério é coordenador da campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro, que quer extinguir equivalência de benefícios INSS ao salário mínimo e quase findar aposentadoria. O texto não extingue a escala 6x1 de imediato, e ainda permite a 7x0 se o empregador julgar necessário. Ou seja, se passar, a PEC pode gerar um risco importante para a classe trabalhadora.
                    Como o patronato sempre impõe sua vontade nas “negciações”, na jornada e valor/hora poderá restar ao funcionário trabalhar jornadas extensas para obter o equivalente ao salário mínimo no total de horas trabalhadas. Lembrará a uberização, com longas jornadas trabalhadas para obter o mínimo desejado, com risco sobre seus direitos constitucionais pétreos. Assunto de reelvância relativa na proximidade eleitoral, podendo jogar a sanção presidencial para depois e dando fôlego à PEC de Marinho.
                    Como a mídia propositalmente mantém suspense, a PEC da jornada sensível segue como instrumento de reação do centrão ao governo, e de manipulação comunicacional de alta capilaridade pela ultradireita, mentindo sobre a proposta governista. É aí que mora a armadilha, que poderá, inclusive, impactar nas decisões eleitorais em outubro. E não é fácil convencer uma galera já seduzida pelo engodo.
Para saber mais
- https://www.bbc.com/portuguese/articles/clypyrjgjkro. (PEC da Liberdade ou Escravidão? O que pode mudar no regime de trabalho por hora proposto por Flávio Bolsonaro para barrar fim da 6x1. BBC, 8/6/26)
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POLÊMICAS JUDICIAIS

                    Desde que a internet democratizou as transmissões ao vivo de processos judiciais como audiências de custódia e julgamentos, o debate público se recheia de colocações opinativas diversas e sugestões de endurecimento penal. Somos leigos em Direito, mas desenvolvemos noção do certo e do errado, do justo e do injusto, do moral e do imoral, mesmo confrontando com os pressupostos legais.
                    O contexto de democracia relativa (sim, ela não é absoluta) em que vivemos nos chancelou ver situações inéditas na nossa história, como a condenação dos crimes cometidos por agentes públicos de primeiro escalão pelos tribunais superiores. Que o diga o STF sobre a intentona golpista de 8/1/23, que enjaulou até alto oficialato das forças armadas.
                    Aos nossos olhos, o juiz se torna estrela ou vilão nos julgamentos. Pois ele lê a análise final e dá o veredito que determina o destino das partes julgadas. O veredito é irreversível se transitar em julgado. Do contrário, o recurso é um meio válido para rever a penalidade do réu e a possível vantagem da parte vitimada. A seguir, seguirão alguns exemplos da justiça comum e da especial.
                    Exemplos da justiça comum— a justiça comum julga delitos comuns da sociedade civil, em tribunais de primeira e segunda instância. Nessa esfera ampla há numerosos exemplos que comoveram o Brasil por décadas. Mas somente alguns se seguem para não delongar demais o artigo.
                    Von Richtofen— com ajuda dos irmãos Cravinhos (um deles seu namorado Daniel), Suzane von Richtofen matou seus pais Manfred e Marísia von Richthofen, que dormiam. Sabe-se que os pais reprovavam o namoro. Planejado e de motivo torpe, o hediondo parricídio penalizou os 3 a mais de 30 anos de prisão. Suzane cumpre pena em regime aberto desde 2023.
                    Polêmica- a concessão de regime aberto após testes psicológicos forenses que atestaram manipulação e falta de remorso de Suzane em relação ao significado do parricídio, que negariam bom convívio social. Sabe-se que Suzane hoje vive no interior paulista, em vida anônima, evitando holofotes da imprensa.
                    OsNardoni— em 2008, a menina Isabella Nardoni, de 5 anos, foi jogada do 6º andar do edifício paulista em que morava com o pai Alexandre Nardoni e a madrasta Anna Jatobá, e morreu. Ambos foram acusados, julgados e condenados a 31 e 26 anos, respectivamente, por crime hediondo agravado pela paternidade biológica. Hoje o casal cumpre pena em aberto.
                    Polêmica- os avós paternos de Isabella contestam a penalização do filho, por negarem a sua capacidade de matar a própria filha. Eles requerem nova investigação pericial que confirme invasão do apartamento pelo suposto estranho que tenha jogado Isabella.
                    Henry Borel— em junho/26, 5 anos após o assassinato de Henry Borel, de 5 anos, o ex-médico e ex-vereador dr Jairinho (padrasto) foi finalmente condenado a quase 44 anos de prisão por homicídio qualificado (crime hediondo) e coação de processo. O pai de Henry foi indenizado. A mãe Monique Medeiros foi penalizada a 1,4 ano, mas ganhou liberdade por já ter cumprido pena maior.
                    Polêmica- a juíza deu à ré o criticado perdão judicial, ao considerar o contexto da dominância relacional de Jairinho e supôs o estereótipo do papel de gênero. A condenação culposa foi reconhecida pela negligência diante da violência trágica. O MP-RJ interveio para rever esse veredito. Até o momento não foi divulgado quando irá acontecer.
                    Exemplos da esfera política— os ministros são os juízes dos tribunais superiores que julgam agentes públicos com foro por prerrogativa de função, como políticos, militares e magistrados. Casos da esfera civil com fatos extralegais (jurisprudência) também são julgados nos tribunais superiores. Um exemplo é o da menina capixaba grávida por estupro cometido por um tio.
                    Domiciliares de Collor e Bolsonaro— ex-presidente e senador, Collor foi condenado pelo STF por ter participado de corrupção ativa na BR Distribuidora. Alegando doença crônica do réu (Parkinson), sua defesa teve recursos de soltura negados, mas o STF autorizou prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica para cumprir pena.
                    Ex-presidente e deputado, Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de reclusão por planejar e tentar o golpe de Estado que culminou na intentona de 8/1/23, e outros crimes associados (dano ao patrimônio tombado, organização criminosa e atentado violento ao Estado democrático de direito). Crimes contra a saúde pública na pandemia podem ser julgados em breve.
                    Polêmica- a justiça tem se revelado uma mãe com os ex-presidentes, que são, de fato, portadores de doença crônica. As muitas cirurgias abdominais de Jair se devem a outras causas e não à facada (só a primeira em JF foi suficiente, pois o ferimento da facada foi pequeno). Aglora, soluços demais podem indicar câncer, hérnia hiatal ou... chantagem para se manter longe da Papudinha.
                    Censura política— ex-presidente da Câmara, o deputado Arthur Lira teria se envolvido em dois supostos crimes: violência doméstica sobre a ex-esposa, e corrupção com emendas secretas em educação e saúde em seu Estado Alagoas, onde é influente. As mídias censuradas foram a Agência Pública, pelas reportagens investigativas relacionadas aos citados crimes, e o ICL Notícias, por ter reproduzido as matérias daquela.
                    Os escândalos de malversação de grana pública (que incluiu os descontos no INSS e duas autarquias estaduais) envolvendo os Bolsonaro e igrejas no caso Master afundaram as intenções de voto em Flávio Bolsonaro numa pesquisa da AtlasIntel. Monocrático, o presidente do TSE Kássio Nunes mandou suspender a referida pesquisa de opinião a pedido do presidenciável.
                    Polêmicas- Lira: justiça mandou as mídias retirar a matéria do ar e as coibiu de citar Lira em novas matérias nesse teor, afrontando 2 princípios da CF-1988: a responsabilidade civil dos agentes públicos e a liberdade de imprensa com direito ao sigilo da fonte. Flávio: a crítica a Kássio Nunes está na falta de votação colegiada da decisão, que favoreceu um candidato em detrimento dos demais e da opinião pública. E meto gasolina no fogo: não subestimemos o povo, exceto os fanáticos.
                    Zambelli x Luan— 2 crimes ferraram a ex-deputada: invasão de senhas no CNJ (10 anos de cana), e porte ilegal de arma durante perseguição a jornalista na véspera do 2º turno eleitoral em 2022. No segundo caso, o condenado foi o perseguido Luan Araújo, a indenizar Carla com R$ 2000 por difamação, que se não paga pode se converter em cana. Desempregado, ele divulgou vídeo pedindo ajuda.
                    Polêmica- Luan foi condenado por apenas expressar opinião sobre o fanatismo de Zambelli, perdeu emprego e por isso várias entidades criticaram a sua punição desproporcional. Tocado pela situação dele, Alexandre Frota decidiu ajudá-lo. Enquanto isso, a justiça italiana absolveu Zambelli e criticou a “arbitrariedade” de Alexandre de Moraes.
                    A menção da justiça italiana a Xandão como ministro de decisões arbitrárias expressa claramente que as polêmicas judiciais não são exclusividade nossa. Elas ocorrem em todos os países, na dura revelação de que a impessoalidade, que dá peso à imparcialidade jurídica, é o princípio constitucional mais difícil de alcançar.
                    Mas, por outro lado, é fácil impedir descaramentos repletos de pessoalidade como os de Moro-Dallagnol na Lava-Jato e de André Mendonça e Nunes Marques para blindar os Bolsonaro e Daniel Vorcaro diante de seus próprios crimes.
Para saber mais
Esfera civil – casos
Esfera política – exemplos
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domingo, 7 de junho de 2026

CURTAS 11 - ANÁLISES (caso ypê, Flávio e as eleições)

 

YPÊ E A BACTÉRIA COMUNISTA

                    Na primeira semana de maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) determinou recolhimento de mais de 20 diferentes produtos da marca Ypê nos comércios e residências em todo o Brasil. A notícia surpreendeu geral, e não é sem razão. Seus produtos saneantes (higiene e limpeza) são bastante consumidos.
                    A fabricante — especializada em produtos saneantes, a Ypê pertence à Amparo Indústria Química. O nome se deve ao município do interior paulista onde foi fundada em 1950. Hoje a Amparo tem unidades fabris em Salto (SP), Simões Filho (BA), Anápolis (GO), Goiânia (GO) e Itapissuma (PE).
                    No setor, a Ypê compete no mercado com outras pertencentes a marcas nacionais (Bombril, Girando Sol) e multinacionais (Santher, Softys e as dos portfólios Reckitt Benckiser, que inclui fármacos e alimentos, e P&G, que fabrica creme dental e fraldas descartáveis).
                    Com tanto tempo no mercado, é natural a sua popularidade, mesmo com concorrentes fortes como os citados. Até iniciar maio, quando surgiu um calhau (termo jornalístico para textos de capa pequenos e pouco relevantes) sobre uma “dura fiscal” justamente na sede de Amparo.
                    Um detalhe: essa não é a primeira irregularidade encontrada em produtos da Ypê. Em novembro de 2025, a sede paulista da Amparo ordenou recolhimento voluntário (recall) por suspeita de contaminação.
                    Entra a Anvisa — os fabricantes executam controle de qualidade nos laboratórios produtivos. Segundo o blog Semear Foods, as normas para os saneantes são a RDC[1] 989/2025 e a Instrução Normativa-IN 394/2025, com novos critérios para a sua regularização. Nesse sentido, segundo a mesma fonte, cada categoria de setor produtivo tem normas específicas.
                    A Anvisa é conhecida pelo rigor resolutivo, mais restritivo do que o da FDA estadunidense em certos casos. Para a Regulatory Affairs/Global Business-RAGB, nem saneantes escapam desse rigor. E foi neles que a dura fiscal descobriu algo que não devia estar nos conteúdos.
                    Bactéria perigosa — o algo indevido é a bactéria Pseudomonas aeruginosa. Tem ampla distribuição ambiental (locais úmidos e com água – instalações residenciais, comerciais, hoteleiras e hospitalares; solos e cursos d’água em geral). Suas colônias criam um biofilme superficial cheirando a uva. Um odor capaz de enganar pessoas incautas com facilidade.
                    Esse microrganismo tem vida livre, mas pode infectar alguém oportunamente. É oportunista. Tem risco patogênico baixo, mas com potencial bem grave em pessoas imunodeprimidas (transplantados, crianças, idosos, hospitalizados de longo tempo). Mas pode infectar saudáveis em momento propício. 
                    Enquanto fontes diversas recomendavam a suspensão de uso doméstico até sair o relatório final da Anvisa, a Ypê disse “não ter problema”. Entrou com recurso, mas no fim cedeu à medida da agência. Nesse ínterim, importante parcela do povo se rebelou.
                    Politização do caso, uma análise final – a notícia caiu na má politização. Populares bolsonaristas protestaram alegando “injustiça” com a marca e acusaram o governo. O oportunista senador bolsonarista Cleitinho criticou a agência reguladora, e o papagaiesco Véio da Havan se filmou fazendo uso de detergente.
                    São protestos em conduta de seita: produtos Ypê quase mágicos de tão “infalíveis” – mesmo sendo a 2ª irregularidade na marca em menos de 1 ano. Um homem se ensaboa, outro “bebe” e uma mulher lava o frango com detergente. Chamaram a bactéria de comunista, que não viveria nos "poderosos" detergentes. Uma tragédia mental que rendeu memes.
                    Nessa confusão bizarra de tradição com infalibilidade, acreditem, o protesto tem um sentido. A Ypê foi uma das entidades privadas que financiaram as campanhas de Bolsonaro em 2018 e 22, em cifras milionárias, sem falar dos valores do fundão partidário – e olha que o patrocínio privado de campanha política é ilegal desde 2016!
                    Mas o que torna o contexto mais bizarro é o fato de que, no recall de novembro/25, não houve alarde nas mídias, nem reação bolsonarista. O que ajuda a explicar o furor atual é a influência de políticos e empresários e a sucessão de escândalos envolvendo o presidenciável Flávio Bolsonaro, cuja imagem já se infecciona com aumento de rejeição nas intenções de voto. Nesse sentido, valeuzão aí, bactéria comunista!
                    Entretanto, dado o baixo potencial patogênico dessa bactéria "comunista", todo cuidado é pouco.
Nota[1] Resolução da Decisão Colegiada,  das agências reguladoras, que seguem padrão de votação muito idêntico ao das decisões colegiadas dos tribunais superiores. Cada votação de Resolução para categoria específica de produtos é prececida de sua RDC.
Para saber mais
- https://ragb.com.br/ (sobre a empresa de consultoria)
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TERROR À VISTA. E NA BERLINDA

                    Conforme previamente prometido na mídia, 2026 entrou quente. Primeiro, as notícias de ser um ano de super El Niño, cuja chance a ciência aposta em 37% a partir de outubro. Justamente o mês em que outro tema aquecerá no ápice: as eleições federais e estaduais. Presidenciáveis e candidatos a governadores, senadores e deputados já se agitam nos bastidores.
                    O povo se atenta mais à presidência. Diante da incontestável liderança de Lula mesmo no Brasil bolsonarizado por intermédio das sedes evangélicas caça-níqueis, o senador Flávio Bolsonaro aparece como candidato da ultradireita. E é ele o adversário que funga nas costas de Lula. Seu 2º lugar nas pesquisas se deve ao sobrenome e não pelos feitos no Congresso.
                    Nos 8 anos de senado, sua atuação se resume a dados mentirosos em debates e tumultos na falta de argumentos quando confrontado. Sua única proposta foi a da privatização das praias. Após a borrada em debate como prefeitável carioca há anos atrás, ele agora enfrenta Lula com jogo sujo: incentivado pelo irmão auto asilado nos EUs, ele foi lá encontrar Trump.
                    Quem o ridicularizou devido ao suposto elogio de Trump a Lula se enganou ao tentar subestimá-lo. Flávio não foi lá à toa: em seguida, a mídia divulgou que Trump designou nossas maiores facções narcotraficantes (CV-RJ e PCC-SP) de terroristas globais argumentando a internacionalização de seus negócios. E meteu taxa de 25% em transações com o Pix.
                    Pretexto para o golpe final— a declaração de Trump foi comemorada pelos bolsonaristas no Congresso, alegando segurança pública. Mas todos sabem: é só caô. Que Flávio vendeu em entrevista à CNN Brasil: “gostaria muito que houvesse intervenção das forças militares dos EUs na baía de Guanabara”. O que certamente ninguém captou é outro intento mais profundo por trás.
                    Ao ser confrontado, em pergunta posterior sobre reação institucional (STF) à intervenção de força estrangeira nesse caso, o presidenciável confessou à CNN Brasil, com desconcertante naturalidade, que “se necessário, usaremos a força para impedirmos o STF. E se o STF insistir, então será decretada a intervenção das Forças Armadas e será preciso aplicar um golpe de Estado”.
                    Tais afirmações são muito reveladoras. À CNN Brasil, o ministro dos Transportes Renan Filho alertou: “vejam o Trump. Ele está mais agressivo agora nesse segundo governo.  Aqui, se Jair Bolsonaro foi mais manso, o filho Flávio, se eleito, vai usar o poder para impor uma ditadura que pode ser pior do que a que tivemos. Vai abolir a liberdade de imprensa, os direitos civis”. (com adaptações).
                    Alerta claro. Se eleito, Flávio Bolsonaro usará a força para se perpetuar no poder. Sua intolerância às instituições democráticas é bem clara. A “liberdade de expressão” bolsonarista se restringe ao ditador, ao capital e, claro, ao crime organizado. Os Bolsonaro são aliados a braços políticos do CV e ligados a gente da milícia, como os militares da ditadura com bicheiros.
                    Significado eleitoral— a prova de escândalos financeiros envolvendo Flávio e Vorcaro foi o fator de maior impacto, com queda nas intenções de voto nele. E quem viu e notou os intentos dele naquela entrevista se indaga sobre o seu futuro político, com base nos arts 359-L (atentado violento ao Estado democrático de direito) e 359-M (golpe de Estado) do Cód. Penal, e art 136 daCF-1988 (intervenção estrangeira indevida), bem como a Lei Antiterror.
                    E agora entra uma estranha novidade relativa às pesquisas eleitorais. O novo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, decidiu que não houvesse mais pesquisas de intenção de voto pela AtlasIntel, em contexto do escândalo envolvendo Flávio no caso Vorcaro. Marques justifica "distorção no levantamento", apesar de o instituto ter explicado que só 2 entrevistados ouviram os áudios após afirmarem a sua preferência de voto.
                    A coibição gera risco para o ambiente no momento eleitoral. Como já é de praxe a ultrapassaem dos limites da lei pelos fanáticos que confundem políticos com times de futebol, o risco de violência, que sempre existiu, poderá aumentar exponencialmente. É torcer para que nada demais aconteça.
                   Em fria análise final, a citação à lei antiterror se liga ao viés dos atos pretendidos por Flávio Bolsonaro. O viés de seita cristofascista abre caminho para a execução de atos terroristas, que no conceito defendido no direito internacional e brasileiro se definem na condução pelo ódio. O bolsonarismo odeia a diversidade social, a institucionalidade republicana e, portanto, a democracia.
                    Portanto, podemos dizer que, dada a sua essência baseada no sentimento de ódio, o bolsonarismo é uma mostra do terror político-ideológico que, quiçá, poderá alcançar a diversidade religiosa para refutá-la. É, portanto, terrorista. Só que eleitoralmente tende a estar na berlinda. Mas, nunca o subestimemos. 
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CURTAS 112 - ANÁLISES (jornada 6x1, polêmicas judiciais)

  FIM DA 6X1: VITÓRIA E ARMADILHA                      Brasília, 5/10/88 — após as rubricas de todos os parlamentares, o presidente da Câmar...