sábado, 25 de outubro de 2025

ANÁLISE- Serviço público: moderno ou precário?

 

Reflexão

                Todo país tem Estado. Todo Estado tem basicamente 3 poderes: executivo, legislativo e judiciário, cujos níveis variam com o regime político. E quem dá vida e funcionalidade ao Estado são os servidores públicos, para os quais o governo responde com salários através de impostos pagos pela população.
                Ok, nós já sabemos disso. E, acreditem, esse sistema organizado existe desde as cidades-Estados das primeiras civilizações urbanas. Desde então, o setor público foi muito modificado, com diversidade de serviços prestados e entidades correlatas e a instituição e regulação dos vínculos trabalhistas.
                Na 2ª Revolução Industrial (séc. XIX), atividades lucrativas foram reguladas legalmente como empresas, com incentivo fiscal como feedback do governo aos empregos ofertados. Com isso, os empresários assumiram não só poder econômico: é também político, influenciando na seara pública.

Brasil – 
                O breve histórico acima vale para o contexto brasileiro. A partir de 1943, Vargas universalizou para empregados públicos e privados a sua recém-criada CLT. No setor público, o então robusto decreto trabalhista foi reforçado na reforma administrativa 200/1967 e virou regime jurídico único (RJU) em 1990.
                O RJU ou estatuto do servidor público (lei 8112/1990) foi uma resposta ao previsto na Carta-1988 e se tornou obrigatório para a admissão de servidores efetivos por concurso público de provas e títulos. Ele garante a estabilidade trabalhista que aufere aos contemplados a segurança jurídica contra perseguições políticas em descoberta de irregularidades.
                Mesmo assim, jornalões e governos reféns do mercado veem na estabilidade um “símbolo de ineficiência e de obsolescência”. A partir dos anos 1990, os governos anunciaram reformas estruturais como automação dos serviços. Sim, isso aconteceu, mas trouxe junto uma enxurrada, não regulada, de contratos de terceirização.

                Ventos privatizantes – em 2024, o STF validou a emenda constitucional de 1998, que previa o fim da obrigatoriedade do direito público como regime trabalhista para contratação efetiva por concursos públicos. Antes restrita e sem regulação legal até a sanção de Temer em 2017, a terceirização (CLT) passou a ser o meio mais comum de contratação em serviços públicos essenciais.
                Entre os cargos de formação específica, como na saúde e na educação, a substituição de efetivos por profissionais temporários (terceirizados privados ou da União-CTUs) gera o risco de precarização em tarefas mais complexas. Não por incompetência, e sim falta de tempo de devida à alta rotatividade. Cada um tem seu tempo.
                Os serviços de natureza administrativa têm sido os mais afetados, e isso é arriscado. Na compra fraudulenta da Covaxin exposta pelo servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda, na CPI da C19, a estabilidade o salvou da exoneração, apesar do assédio moral. Mesmo diplomado, um terceirizado só mantém seu emprego se obedecer aos interesses dos seus superiores.
                Além disso, os servidores efetivos são, na prática, mais baratos para as contas públicas do que os trabalhadores terceirizados. Estes são verdadeiras minas de ouro para as empresas empregadoras, que cobram até 5 vezes o valor salarial básico per capita – o que fomenta a forte suspeita de corrupção empresarial sobre os poderes públicos.
                Ainda assim, os políticos querem reforma administrativa. Após a draconiana PEC 32/2020, que previa fim do RJU e da estabilidade mesmo de servidores atuais, a PEC de Lula 3 mantém o RJU, mas prevê ampliação das contratações temporárias de direito privado (CLT ou mesmo pejotização), e médias salariais menores de novos servidores. Os efeitos disso a longo prazo são imprevisíveis, daí a preocupação dos servidores atuais.

                Em fria análise final, modernizar serviços públicos virou pretexto para justificar a privatização dos mesmos. Mesmo sem abstenção total do Estado comum na era FHC e, hoje, alguns governos estaduais neoliberais radicais, o governo atual privatiza a gestão de instituições diretamente essenciais ao povo.
                A aparência ampla e polida das instituições privatizadas gera na população usuária a falsa impressão de eficiência mascarando uma realidade de péssima remuneração, alta rotatividade, assédios e intensa pressão das chefias, muitas vezes por metas impossíveis de atingir, e mesmo a suspeita de corrupção nos altos escalões. Daí refletirmos muito sobre a tal modernização pública.
                Além de estrutura física adequada com a automação, modernizar poder público abrange estabilidade empregatícia, capacitação e valorização funcional, e servidores RJU livres de perseguição política ao descobrirem eventuais fraudes. E, finalmente, requer gestores qualificados e éticos em relações com quadros funcionais e com usuários.
                Em suma, modernizar não é privatizar as instituições por inteiro ou conceder a sua gestão para a iniciativa privada. As péssimas experiências vistas nos modelos privatizados nos revelam a verdade dos fatos, marcada pela precarização da prestação dos serviços para a população,  e da corrupção dos altos escalões.

Sal Ross
                












CURTAS 102 - ANÁLISES (Charlie Kirk, terror de Trump)

 

O NOVO MÁRTIR DA ULTRADIREITA

                Brasília, 11/9/25: o ex-presidente Bolsonaro e mais 7 réus do comando da intentona do 8/1, 6 dos quais milicos, foram condenados pela 1ª turma do STF. Desesperados, os parlamentares bolsonaristas criaram mais furdunço pela PL da anistia dos golpistas e a PEC da impunidade.
                Mas um fato incendiou o forte clima político de Brasília: jornais noticiaram o homicídio do influenciador político estadunidense Charlie Kirk, durante sua palestra no pátio de universidade em Utah. A bala acertou o pescoço de Kirk, que bateu as botas a caminho do hospital.
                Nas investigações iniciais, a polícia prendeu o jovem Tyler Robinson, entregue pelo pai. Diante das lacunas encontradas no depoimento do rapaz e da incerteza de testemunhas, a polícia o mantém detido como suspeito enquanto ainda rastreia a autoria criminal pelas circunstâncias.
                Por ter ocorrido nos EUs, o fato chegou ao Brasil reverberando com profundidade e alimentando conspirações enquanto os investigadores estadunidenses apenas têm um suspeito em mãos. Mas, por que os bolsonaristas conspiram tanto em torno de uma história ainda em investigação?
                Quem foi Kirk – Charlie Kirk seria só mais um não fosse a febre política. Incialmente radialista moderado, ele se tornou um influencer extremista, ultracristão e defensor da supremacia anglo-saxônica e sociedade homogênea com milhões de seguidores. Era casado e pai de 2 crianças.
                Relevância – a relevância está muito mais na conexão ideológica entre bolsonaristas, Trump e Kirk do que a morte deste último. A ligação tem muito a ver com as prioridades políticas da ultradireita, que se distanciam da necessidade de bem-estar social e agudizam o ultracapitalismo.
                A relevância também está na suposta ideologia do assassino. Enquanto simpatizantes à direita o acusam de ser extrema-esquerda, grupos de esquerda dizem o contrário. Vasculhando comentários em postagens nas redes de Kirk, a polícia percebeu que alguns o consideravam moderado.
                Em fria análise, cabe dizer que, ao contrário do Brasil, os EEUU não criminalizam o nazismo e seus correlatos. Já houve manifesto de neonazis em rua de um bairro judeu de Nova Iorque, sem nenhum incômodo policial – bem diferente dos reprimidos movimentos de esquerda.
                Apesar de Kirk defender a supremacia branca, não está claro se ele era antissemita. Daí a polícia apostar na ideologia do assassino ser extremista. Tyler Robinson se disse mais à direita do que a família, sem mencionar antissemitismo. O que pode ser uma pista importante.
                Spoiler: o ódio antissemita não se restringe aos judeus. Ele se estende a todos os descendentes da cultura Sem (referência ao filho de Noé no mito bíblico), um povo do Neolítico tardio que viveu na então fértil Península Arábica (de 10.000 a 5.000 antes da era comum).
                De qualquer forma, para Trump, Kirk já está na sua galeria de mártires, e no sentimento dos bolsonaristas. E, pela política externa estadunidense se arrogar em dominar o mundo, isso é muito perigoso para o delicado equilíbrio da balança geopolítica global.
Referências
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O TERROR SEGUNDO TRUMP

                No Brasil, terrorismo é “ação premeditada e deliberada contra a ordem pública e o patrimônio” por motivos variados de ódio, inclusa a diversidade social, cultural-religiosa e política. A ONU o define como “ato para invocar terror público por motivos e fins políticos”.
                Donald Trump criou seu conceito de organização terrorista. Antes da morte de Charlie Kirk, ele incluiu o narcotráfico sul-americano. Após o assassinato, grupos antifascistas (“antifas”) entraram na lista. Excluiu os fundamentalistas cristãos e judeus, mas mantém os islâmicos.
                Lula 3 discordou baseando-se na legislação e na autodeterminação dos povos. Trump contradiz a lei e prega islamofobia e arabofobia. E ainda mente omitindo a destruição sistemática de escolas, hospitais, igrejas e mesquitas palestinas pelas forças de Israel.
                Narcotráfico e milícias – a visão trumpista de narcotráfico terrorista pode ter sentido, por haver ligações entre políticos e líderes de facções poderosas. Aí entram também as organizadas milícias, que ameaçam e extorquem geral impondo clima de tensão constante nas comunidades.
                É uma bomba-relógio que explode em tiroteios gerando caos social local. As orcrims então são terroristas? Se coincidir com as especificações da nossa lei, sim. Mas, pelo eco midiático, elas podem sê-lo internacionalmente? Só o Direito Internacional dirá.
                A contaminação do terreno político pelo crime organizado ameaça o funcionamento institucional adequado, com ameaças de destruição e bombas, para terem mais poder e controle. A depender do momento, elas podem, sim, assumir perfil terrorista, conforme a nossa lei.
                Fundamentalistas- são radicais. No viés religioso, os islâmicos são mais conhecidos aqui. Mas grupos organizados cristãos e judeus também impõem terror pelo ódio, mutuamente. No viés ideológico há movimentos extremistas à direita e à esquerda com ódio mútuo.
                Radicais islâmicos odeiam cristãos e judeus. Judeus atacam islâmicos e cristãos. Na presente guerra, fanáticos judeus militares bombardearam todas as mesquitas e igrejas palestinas. A guerra católico-protestante é secular. No Brasil, cristãos depredam terreiros de axé.
                Um exemplo fático de terror ideológico considerando-se nossa legislação é a intentona golpista de 8/1/23: depredação de patrimônio tombado por puro ódio, como ponto culminante do inconformismo com a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro em 2022.
                Antifascistas (antifas)– são correntes antiautoritárias não organizadas. Democráticos na essência, em parte veem o Estado como fonte do autoritarismo. Eles podem tanto propor quanto seguir manifestos populares contra a repressão política e/ou institucional.
                O que não impede uma visão controversa sobre eles. No Brasil, parte da elite os considera radicais, não só por condenarem toda forma de extremismo, mas também por criticar os governos que se curvam aos caprichos do mercado, que, sim, também pode ser extremista.
                Em fria análise final, a inclusão do narcotráfico como terrorista por Trump pode fazer sentido. Mas, com cautela. Alguns líderes políticos conhecidos têm ligações com grupos criminosos, que podem incitar ações terroristas em situações muito específicas.
                A alegação de Trump de serem narcotraficantes carregando drogas em pequenas embarcações atacadas pelos EUs em águas internacionais, sem provas, não cola. As imagens não provam nada da sua fala. Quem realmente está invocando terror aí? Com certeza, não são os barqueiros.
                A exclusão de radicais cristãos da lista de Trump tem motivação clara: sua campanha teve forte impulso do pentecostalismo, que mantém o caráter fascista dos tempos de McCarthy, e envia missionários patrocinados para a América do Sul visando a dominação política e religiosa.
                O viés democrático dos antifas destitui de sentido a inclusão deles como terroristas por Trump. Mas a razão dele é objetiva: ele quer calar a oposição ao seu governo. Mas o que mais o incomoda é que os antifas revelam, nos manifestos pelos EUs, que ele próprio é o grande terrorista.
Nota:
¹se refere o personagem Abrahão, personagem constado no Talmud judeu, no antigo testamento bíblico e no Alcorão.
Para saber mais
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sexta-feira, 24 de outubro de 2025

CURTAS 101 - ANÁLISES (os aporofóbicos, fintechs)

 

OS APOROFÓBICOS

                Dizem que o bolsonarismo e o MBL não se concordam. Ledo engano: ambos são duas faces da ultradireita nazifascista. Deputado federal, Nikolas Ferreira é conhecido por seu ódio contra minorias étnicas, sexuais e não cristãs. Fundador do MBL, empresário e influencer, Renan Santos não faz nada diferente nas redes.
               O mineiro filho de empresário da fé e o paulista almofadinha se juntaram para revelar seu ódio aos periféricos urbanos. Vamos a Diadema.
                 Diadema é uma das cidades do Grande ABCD (Grande São Paulo) industrial, que abrange Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Enfrenta – também – problemas típicos como degradação ambiental, criminalidade, pobreza e favelização.
                 Mudanças – entre 2016-19, periferias de Diadema foram reestruturadas com o modelo de casas-cubo de 2 andares para famílias até 4 pessoas. Com os anos, algumas famílias tiveram carros que, então ao ar livre, se sujeitavam a roubos ou desmonte, outras famílias aumentaram. Só restou uma saída: ampliar os imóveis.
                 À frente, garagens, acima, sobrados. Marca típica, os tijolos expostos se tornaram os objetos do desprezo viral de Renan e Nikolas aos periféricos nas redes.
                Ação e reação – Renan Santos foi o primeiro a se pronunciar. Negando os fatores de origem e de continuidade da pobreza, ele disse que “eles têm a mentalidade de favela”. Seguindo essa linha, Nikolas se manifestou no X apresentando teor de ódio e que teve 5 milhões de visualizações e comentários preconceituosos.
                No post, duas fotos, uma das casas-cubo originais; e outra recente, já com as modificações de tijolos expostos. Apontou a pobreza como problema moral: “falta caráter, espírito, cultura”, negando fatores socioeconômicos. Renan Santos enfatizou que “não adianta fazer nada, eles têm mentalidade de favela”.
                Reação dos moradores – claro que a indignação tomou os moradores locais. Se a midiatização do endereço já não foi agradável em si, a depreciação foi pior, conforme reportagem do Intercept Brasil. “Eles não conhecem a nossa luta diária” e “eles nunca trabalharam, não sabem nada” foram as respostas mais comuns.
                Eles contaram que, em dias chuvosos, as casas-cubo apresentavam problemas estruturais como goteiras, ou não protegiam o suficiente contra o frio. Uma moradora contou foi construído um sobrado para abrigar a avó e a mãe que perderam sua frágil casa em outro local após uma enchente.
                O ex-prefeito à frente do programa habitacional relatou que as casas foram projetadas como “abrigos dignos” aos que então moravam em barracos precários, alguns no meio da rua. E admitiu que não houve consideração pela possibilidade de mudanças futuras na vida dos moradores.
                Em fria análise, o manifesto de Nikolas e Renan não surpreende. Eles são reflexos da cultura elitista, que molda o comportamento da sociedade, apesar dos mais abastados dependerem dos seus empregados pobres para comprar um pão sourdoug na padaria dos bairros ricos.
                Mas o fato de eles serem reflexos da cultura elitista não justifica a sua perpetuação. Aversão ou medo de pobres, a aporofobia é como racismo: é crime e merece ser punido, não importa a condição financeira nem o papel social dos responsáveis. O destino final será o mesmo: todos na irmandade dos túmulos.
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POR TRÁS DO PIX, AS FINTECHS

                O pix resolveu muita cefaleia financeira dos brasileiros. Apesar da vinculação à conta bancária, ele facilita movimentações em tempo real sem taxa, sem que os trabalhadores precisem interromper seu expediente para ir aos bancos físicos (mas estes continuarão existindo para pautas específicas).
                Se facilitou para a patuleia trabalhadora, os bancos estão felizes. A soma do total movido desde sua instituição alcançou a marca de R$ trilhões, nunca antes imaginada na nossa história. Mas há inconformidade proporcional, percebida pelo governo na arrecadação registrada pela Fazenda.
                A arrecadação de menos de R$ 3 tri de arrecadação anual não acompanha o ritmo alucinante das transações financeiras. Os grandes bancos lucram dezenas de bilhões de reais livres. E as marcas de dezenas de trilhões em pix afirmadas pelos próprios e percebidas pelo governo? Incomoda.
                Fiscalização e mentiras – quando Lula 3 lançou medida que autoriza a Receita fiscalizar valores pix acima de R$ 5 mil, a ultradireita se moveu. Nikolas Ferreira viralizou a falácia de taxar pix até R$ 5 mil, cujo efeito geral que fez o governo errar em recuar já sabemos.
                Enquanto o governo luta para conseguir a sonhada justiça tributária na renda, a PF estoura o gigantesco crime financeiro envolvendo PCC, políticos, Faria Lima, bets e as virtuais fintechs, do tipo Nubank. E em meio a essa descoberta se viu uma estranha coincidência.
                Pra cima das fintechs – a PF descobriu que o pix foi o formato da transação criminosa e o volume cresceu após o vídeo de Nikolas, conforme descrito no artigo O porta-voz do crime, neste blog. Não por acaso, a nova MP do governo federal agora mira as fintechs.
                As fintechs não são ilegais. Mas não são reguladas, não patrocinam eventos populares, não pagam R$ 1 de imposto e movem muita grana não fiscalizada. Daí a MP do governo. O problema: mexe com interesses de muitos no Congresso. Daí o nervosismo que levanta suspeita.
                Análise final – não por acaso, a condição “anômala” das fintechs facilita o envolvimento de algumas em crimes financeiros gigantes. Se o vídeo de Nikolas teve, ou não, algum propósito relacionado ao esquema, cabe à PF investigar: Acusação, só institucional,  só com prova material. Coincidência? Impossível responder.
                Agora, quanto ao deputado, se a maioria no Congresso tivesse vergonha na cara, Nikolas já estaria sabatinado a um Conselho de Ética ideologicamente diverso e não monolítico na ultradireita como este que arquivou o processo contra Eduardo Bolsonaro.
                Por isso o governo tem toda a razão em se preocupar com a inconformidade descrita no início deste texto, e daí regular as fintechs como o são os bancos e tributá-las. Mas, claro, insistir em tributar também o topo social, pois o povo cobra justiça tributária.
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ANÁLISE: Especial - as vitais correntes marinhas

              Em artigo recente sobre clima pormenorizei sobre fatores de padronização, eventos meteorológicos (condições de tempo) e o aque...