domingo, 9 de novembro de 2025

ANÁLISE: uma operação como campanha política

 

                28/10/25. Moradores das comunidades dos Complexos do Alemão e da Penha, tradicionalmente dominadas pelas facções rivais Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) madrugaram em forte tiroteio. Quem já aguardava transporte para ir ao batente se escondeu como pode para escapar das balas.
                Ao amanhecer, telejornais das maiores emissoras iniciaram coberturas aéreas da movimentação de forças policiais. Uma parcela das forças subia entrando nas elevações com mata, e outra com suas viaturas nas vias principais indicando um cerco. Cenas rápidas mostravam ônibus como barricadas. Era uma operação.

Megaoperação Contenção
                A Secretaria de Segurança Pública-RJ foi acionada ainda de madrugada. Nas primeiras horas da manhã, os telejornais já cobriam a operação policial, cuja extensão progredia rapidamente. A alcunha Contenção dada ao atributo se deve à guerra entre as facções, iniciada na noite de domingo.
                No fim da manhã, as fontes noticiosas já descreviam a tornada megaoperação como “a maior da história do Estado do Rio de Janeiro”, que colocou nas ruas em torno de 2500 policiais, destacados da PMERJ, do BOPE e do Core (batalhão especial da PCERJ), que executaram uma autêntica explosão de guerra urbana.
                No ápice da operação expandida, mais de 100 vias foram interditadas em vários acessos (Centro, zonas Norte, Sudoeste e Oeste e BR-101 em São Gonçalo) pelo cerco policial e pelas barricadas improvisadas pelos bandidos. Essa estratégia acabou prejudicando quem precisou trabalhar presencialmente.

Números
                Noticiosos cobriram a operação com atualizações constantes de dados e números, em geral espantosos ou sinistros. Local no início, a operação se dilatou resultando em grandes áreas afetadas. No seu ápice, a saraivada chegou a 200 tiros por minuto. Uma guerra urbana de proporções inauditas.
                A apreensão de armas é histórica: mais de 120 armas de fogo e munições correspondentes, sendo 93 fuzis e o restante de pistolas e bazucas ultrapassando o recorde anterior de 117 fuzis high tech exclusivos das Forças Armadas dos EUs, apreendido no condomínio de luxo Vivendas da Barra (pesada), com moradias da família Bolsonaro e do matador Ronnie Lessa.
                Mas a apreensão de drogas não chegou a 100 kg, bem menos do que os 300 kg de maconha encontrados em carga de transporte ligado à empresa de processamento de peixe do senador Jorge Seif (PL-SC).
                Até o momento, o número oficial admitido de civis mortos é 121, mas se contam, por fora, 128 “suspeitos” segundo jornalões, e “elementos” segundo a polícia – sem contar os 4 policiais, oque se somaria 125 e 132, em respectivo. De feridos, se conta somente 10 policiais. Mas, com ou sem subnotificações, foi um massacre.
                Vigiados e escoltados por agentes do Batalhão de Motocicletas da PMERJ, os motoqueiros se concentraram em manifesto pacífico à frente do Palácio. Era o momento em que Castro recebeu o ministro Lewandowski para negociar a criação de um escritório conjunto de combate ao crime organizado.
                Após mentir sobre ajuda do governo federal, e depois se desmentir (foi mal, estava doidão?), o ultracatólico Castro foi cantar louvores na missa. Não foi pela intenção dos mortos do derrame de sangue, mas pelo puro ego inflado de orgulho narcísico, quase psicopático, da garantia do aprove popular.
                No dia seguinte, a capital tentava voltar ao seu ritmo rotineiro, como se recuperasse do susto de uma notícia de acidente fatal. Um tiroteio parou a Linha Amarela, uma das principais vias expressas da zona Norte. Após a destruição do dia da megaoperação, o transporte público estava impontual.
                Invisíveis para o resto da cidade, os dois complexos comunitários reiniciaram sua lide de sobrevivência, entre lágrimas, sangue e trauma. Em vários ângulos, fotos da imprensa revelavam dezenas de corpos mortos perfilados em rua da Penha, cercados de curiosos em silente empatia aos familiares inconsoláveis. Um velório pungente.
                Segundo fontes midiáticas, os próprios familiares os teriam retirado da “mata-esconderijo” mais elevada, e os teriam posto ali, como num velório pungente. O que destruiu a cena criminal essencial à perícia forense. Aí se insurge a linha quase imperceptível entre a informação e a onda de desinformação em meio ao debate público.

Por trás do desastre
                 A megaoperação já se aproximava de sua etapa final quando o governador Cláudio Castro já se dispunha a conceder uma entrevista coletiva. Aparentava serenidade, mas não escondeu o sentimento de triunfo ao afirmar categoricamente que “a operação Contenção foi um sucesso”. Foi mesmo, governador?
                Para saber o verdadeiro caráter dessa operação, cabe aqui encarar de verdade os fatos que muitos se recusam reconhecer, mas saíram em vários noticiosos – fundamentados em bases de analistas devidamente qualificados.
                Cidade em risco – segundo a doutora em Segurança Pública da UERJ Jacqueline Muniz, a operação não teve planejamento adequado. Sem guarda municipal, o trânsito ficou caótico. O restante da cidade ficou sem policiamento, expondo 5 milhões de pessoas a uma situação de vulnerabilidade extrema e de medo potencializado por desinformações e boatos.
                A concentração desse contingente (de 2500 policiais) num único perímetro da cidade imobilizou efetivos policiais para além das pernas estaduais. Abriu brechas para [...] crimes violentos oportunistas e ataques pontuais e previsíveis de grupos armados em represália”, pontuou Muniz, que também já esteve à frente da SSP-RJ, no governo Cabral, por breve período.
                Calote de pânico – não foi só a população trabalhadora que se saiu prejudicada. Quem não gostou nadinha foram as empresas de transporte público. Os principais terminais foram palcos do pânico generalizado da massa que pulava as catracas tão logo algum trem, ônibus e barca chegava. Claro que muitos não pagaram.
                Qualificação policial– segundo Muniz, a força policial foi composta, em maioria, por “agentes generalistas que não trabalham em unidades especializadas e nem têm qualificação em operações policiais de alto risco” como essa, piorando o risco de vitimização de civis e policiais e de insegurança institucional. O que gera a suspeita de que o Bope treinou todos na pressa.
                Câmeras desligadas– os policiais estavam munidos de câmeras, que gravaram algumas imagens da operação na subida pelas ruas das comunidades e na mata, divulgadas pela mídia. Ainda assim, muito do conflito foi perdido. Segundo a SSP-RJ, a duração máxima da bateria é de 12 horas em uso contínuo, insuficiente para filmar toda a operação. MP-RJ pede periciamento dessas câmeras.
                Por outro lado, as imagens divulgadas pelo telejornalismo foram apenas a de policiais respondendo aos tiros que recebiam, abrindo suspeita de suposição heroica das polícias. Ou mesmo do governo estadual.  Será que os jornalões estão promovendo outro monstro “bolsonarista moderado”, como Tarcísio de Freitas?
                Vale citar aqui: uma câmera ligada revelou grupo de policiais que entraram numa residência e saquearam os poucos recursos alimentares ali contidos. Se estavam ali para uma operação de guerra que duraria horas a fio, por que não foram providenciadas provisões suficientes para as forças se alimentarem e se hidratarem por alguns momentos? Para quem não sabe, há pequenos intervalos em meio à tensão das batalhas. E roubar provisões de uma família só revelou o caráter pusilânime do grupo.
                Defensoria impedida– é unânime entre as fontes noticiosas o fato de que a Defensoria Pública Estadual foi impedida de acompanhar o trabalho da perícia. Se houve tal impedimento, certamente a única parte com tal autorização seria a SSP-RJ, a mando do próprio governo estadual. O que levanta suspeitas.
                Várias fontes apontam a proximidade entre Cláudio Castro e o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, condenado e preso por, entre outros crimes, ter ligações com o CV. Dizem que a amizade acabou logo após a descoberta investigativa, mas a marca ficou.
                Vestes camufladas– se supõe que familiares teriam tirado roupas camufladas dos corpos na mata antes de descê-los na rua, para “ocultar provas”, o que explicaria alguns corpos só de cueca. Mas não há nenhuma menção da perícia sobre isso. E alguns vestiam bermudas, com sangue já escurecido.
                Se usaram roupa camuflada, os bandidos poderiam confundir os policiais de tocaia – também trajados assim. Além disso, dentro da mata eles usam roupa básica e revólveres potentes (evitam fuzis) para ter leveza e rapidez nas fugas com desvios, o que torna improvável o seu uso durante a fuga na operação.
                Mas, outra hipótese que rola é a de que os familiares teriam desnudado os corpos sem cabeça para facilitar o trabalho pericial do IML para identificação por DNA, impressões digitais ou marcas hereditárias, e confirmar as execuções sumárias – mancha indelével e infeliz que marca a história das forças policiais.
                Eram todos bandidos? – publicamente, só os policiais mortos receberam as condolências formalizadas nos discursos de políticos. “Dos mortos, só 4 não são bandidos”, disse Castro, em referência aos 4 policiais mortos no confronto. Como ele sabe que todos eram bandidos, se nem as próprias forças policiais os identificaram logo após o confronto?
                Quando 100 corpos haviam sido identificados, a lista nominal não havia sido publicada e o deputado Henrique Vieira criticou: “se já tem um número de identificados e um de liberados, por que isso ainda não é público? A única conclusão é que o Secretário ainda não autorizou”. Glauber Braga também acompanha de perto.
                De fato, a autorização da publicação é da Secretaria de Segurança Pública. Se foi decisão autocrática do secretário ou do governador, não sabemos. No dia seguinte ao massacre, a polícia disse não ter identificado no tiroteio, e depois admitiu 17 inocentes (hoje, 47!), e nenhum procurado entre os mortos.
                Lamento de fugas– na mesma entrevista coletiva concedida por Cláudio Castro após a operação, o secretário de segurança Victor Cesar Carvalho dos Santos lamentou: “não conseguimos capturar os chefes do CV”, sem contar os foragidos. Embora não apagasse o brilho dos olhos do governador, a fala afirma o fracasso operacional.
                Reportagem de várias mídias apontam que o próprio governo estima a fuga de mais de 200 integrantes do CV. Em 3/11, a própria polícia admitiu que dos 121 corpos, 17 eram de inocentes – hoje são 47. E nenhum era procurado. Pergunta-se: a operação destruiu o CV? Não! A facção já repôs com substitutos? A essa altura, Sim!
                O governo Castro reitera que planeja nada menos do que 10 novas operações nos morros cariocas. O escape admitido dos 200 ou mais criminosos é a justificativa oficial. Talvez o tiroteio do dia seguinte ao massacre seja, segundo o governo, a resposta desses fugitivos à operação. Mas não é só esse o motivo desse plano.
                Adversidades – quem tem um mínimo de leitura crítica dos fatos pode observar algumas incongruências. Não bastasse a denúncia de Henrique Vieira sobre a demora na publicação da lista de identificados pelo IML, a Defensoria pública apontou ter sido impedida de acompanhar a perícia. E se observou seletividade da imprensa.
                O perito forense pode ter qualquer formação superior, o que permite atuar em vários setores. Embora sempre acionado, ele tem, por lei, liberdade para trabalhar honesta e publicamente. Mas o desrespeito é comum: a Defensoria Pública-RJ disse ter sido impedida de acompanhar a perícia local e dos corpos.
                Outra incongruência é a já mencionada não autorização pela SSP-RJ na publicação da lista de identificados pelo IML, apontada por Henrique Vieira. E a terceira incoerência é a seletividade das notícias pelos jornalões, em especial sobre as imagens das câmeras: só foram mostradas as de policiais recebendo tiros.
                Impedimento ao acompanhamento da Defensoria no trabalho pericial, demora extensa na publicação da lista de identificados e seletividade noticiosa nos jornalões são fatos que denunciam a suspeita de interferência de autoridades do governo fluminense a respeito da operação. Mas a verdade sempre chega à tona.
                Decapitações– vários cadáveres apareceram sem cabeça, o que despertou a ira da população. Segundo especialistas e peritos, disparos à queima-roupa na nuca por arma potente e destrutiva podem decapitar – o que afirma a execução sumária relatada por moradores. Segue apuração.
                Vitimização– após tantas vítimas na história das operações policiais e do crime organizado, pesquisas recentes revelaram que a maioria dos cariocas apoia as operações policiais como melhor meio de combater a criminalidade. Mas, por trás disso há muita complexidade ignorada pela patuleia.
                Uso político e popularidade– após afirmar o “sucesso” da letalidade policial, Claudio Castro foi ovacionado na missa em que compareceu depois. Se sentiu flutuando em nuvens fofas de algodão. Não demorou para uma pesquisa de rua revelar o aprove majoritário dos cariocas à operação. Foi o suficiente para que o governador já se sentisse eleito senador.
                Apesar do lamento do secretário da SSP-RJ de que os principais chefes do CV nos morros conseguiram fugir, Castro reforçou, com acorde do secretário, que “haverá mais operações”. Tudo isso para um só objetivo: reforçar a sua mortífera popularidade até 2026, sem se dar conta de que muita água rolaria.
                O plano reforça a visão de Muniz de que as polícias viraram “mercadorias políticas manipuladas”, com suas vidas “tão barateadas quanto as vidas dos moradores das periferias de onde saiu a maioria dos agentes”. E dá sentido ao que revela a mãe de policial morto: “o governador sabia que não tem força para enfrentar o CV”.
                E também reforça a velha “guerra contra as drogas”, das instituições policiais e por governantes, como uma retórica apenas populista e mentirosa, que nasceu para o redundante fracasso – que se repete a cada operação, em qualquer lugar do Brasil.

Fria análise final: verdades não faladas e preço político –
                O aprove popular levantado na pesquisa feita pela AtlasIntel é verificado em todo o país, numa média pouco acima de 60%. Nas favelas, os índices são mais altos: 80% no país e 89% no Rio de Janeiro. Nada mais natural: a tensão e o medo constantes os fazem se perguntar, silentes, se verão o dia seguinte, a cada dia.
                É por conta desse clima constante, não surpreende que os maiores índices de transtornos psiquiátricos como depressão, ansiedade, estresse pós-traumático e pânico estejam nas populações faveladas. E, para piorar, suas mentes se tornam abertas ao populismo penal requentado durante os cultos pentecostais. É aí que mora o poder da negação dos governos fluminenses em ampliar atendimento público à saúde mental dos periféricos, uma vez que os CAPS estão lotados desde a psicopática era Bolsonaro.
                Ironicamente, as igrejas que radicalmente criminalizam as meninas e mulheres que porventura abortem (mesmo espontaneamente, não importa o fator) são as mesmas que, mais tarde, pregam o “bandido bom é bandido morto” – mesmo se são menores de idade ainda na infância ou adultos feitos, não importando se são inocentes ou envolvidos com o crime, mas não constados nas lista de caças da polícia.
                Além da politização, a operação também desperta outra forte suspeita: a de acordo de cavalheiros. Há relatos de que os primeiros tiros na madrugada foram uma reação da facção à entrada das forças policiais nas comunidades. E há relatos consistentes de invasão ilegal e violenta de domicílio por policiais, com detenção de moradores que filmaram tal ato.
                Vale frisar que o maior controle de uma orcrim é sobre a população, na qual impõe medo por ameaças e violência. E o que explica porque as orcrims nunca são derrotadas em operações policiais é a parceria de suas cúpulas com o próprio Estado – mediante alianças com a classe política. E isso é uma tradição.
                Desde a ditadura militar se observa a intocabilidade dos grandes bicheiros, protegidos pela polícia fluminense e próximos de políticos e de outros segmentos da elite. O mesmo se observa entre as facções do narcotráfico e mesmo das milícias, hoje. Todas essas organizações criminosas se mantêm incólumes porque têm parceiros no Estado.
                Ideologia da vítima– quando o atual ministro da Secretaria da Presidência Guilherme Boulos fez 1 minuto pelas vítimas fatais, muita choça foi feita sem olhar adequado. Em operações, policiais e bandidos são vítimas uma parte da outra. E, no meio do fogo cruzado, o povo pobre trabalhador é mais vítima ainda, por estar refém das partes inimigas.
                Na prática, em silêncio quase palpável, todos estão no mesmo balaio de um sistema autoritário de cúpulas do capital que integra orcrims, política, mercado e o próprio Estado. Como disse Muniz, as linhas de frente – povo, soldados das polícias e do crime organizado – são vidas baratas, abundantes e substituíveis.
                A maior vítima disso tudo é o povo inocente, que divide a labuta exaustiva e mal remunerada, insegurança, violência, ausência do Estado e fronteira entre bem-estar e doença mental ao chorar por outro ente amado morto arbitrariamente após a perda anterior – após servir às vontades preguiçosas de seus ricos patrões. Ele não é vítima só dos bandidos que dominam o morro e da polícia. É vítima do sistema.
                Lucro das facções – como as milícias, facções do tráfico fornecem serviços “legais” (transporte, gás, eletricidade, gatonet, segurança) a preços extorsivos, indicando que o tráfico sozinho não dá o lucro exuberante para a maior parte dos integrantes. A maior parte do lucro do tráfico vai para a camada do cimo da estratificada pirâmide social do crime, a cúpula que ninguém vê.
                As bases da sociedade do tráfico nos subúrbios aprenderam com as milícias a extorquir os moradores com tais serviços. O poder político foi aprendido com bicheiros, que também investem nas bets. Formadas por ex-agentes públicos, as milícias já são a versão enviesada do próprio poder público, daí serem intocáveis pelos governadores. Daí a suspeita forte de que a operação Contenção de Cláudio Castro tivesse ocorrido com o objetivo de expulsar o CV e o TCP para entregar os territórios aos milicianos. Ao invés de o próprio Estado oficial tomá-los e desenvolvê-los.
                O preço da operação política – no epílogo deste longo artigo, a repercussão profunda e global da operação fez o STF retomar o julgamento da ADPF das Favelas, com normas sobre operações policiais nas periferias urbanas. Políticos bolsonaristas criticaram a ADPF replicando mentiras que foram disseminadas entre apoiadores fanáticos.
                E não parou aí: Xandão exigiu que Castro ordenasse a preservação das provas periciadas e a continuidade da investigação. E ainda exigiu amparo psicológico e material às famílias prejudicadas pela operação. Por sua vez, o TSE estuda julgar o processo que pode resultar em cassação do mandato da chapa Castro-Curi.
                Nesse processo, um dos motivos é o vazamento midiático da informação de, antes da operação, o governador ter enviado a proposta do CV terrorista a Donald Trump, para os EUA interferirem no Brasil. O fator desse envio é o reforço no já crescente poder do CV ao se juntar ao PCC no mercado financeiro e no de apostas (bets).
                Como já se sabe, o poder adquirido pelas facções traficantes – assim como o das milícias – se deve a décadas de alianças com altos escalões da política, do judiciário e do setor empresarial. Além do maior arsenal bélico, as facções aprenderam com o mercado financeiro como alimentar o seu poder.
                E nesse histórico repetido de fogo cruzado, os maiores derrotados não são as forças de segurança ainda na oficialidade.  São os moradores periféricos, entre os quais alguns que vivem entre o orgulho e a ansiedade diante de seus pupilos fardados, com sério risco de morrerem ou de serem engolidos pelas perigosas facilidades do lado B do Estado. E, em mais um conflito entre as forças policiais e os bandidos, quem venceu foi o crime organizado. 
                 Enquanto as comunidades periféricas rezam com esperança de que essa repetida e derrotada política contra as drogas acabe um dia, nos vemos a pergunta: para satisfazer esse desejo popular, existe solução? A resposta mais adequada é: para curto prazo, não. O melhor caminho é o rompimento das alianças viciadas já citadas – mas como as autoridades, que tantas vezes compartilham o lucro do crime, terão coragem para tanto, ainda não sabemos, nem em longo prazo. Enquanto isso, o crime organizado junta todos os troféus das "guerras contra as drogas".

Para saber mais
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