segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

CURTAS 104 - ANÁLISES (Jornalões e a direita)

 
NOVA LAVA-JATO À VISTA

                Enquanto o PL Antifacção de Derrite aguarda sanção, a PF tem trabalhado intensamente no segundo semestre de 2025. Todos os alvos até agora são da direita e se autodeclaram cristãos.  Silas Malafaia berrou com o escândalo financeiro envolvendo os deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy (PL-RJ) – os exemplos de mais impacto em dezembro.
                Nos mesmos dias, os jornalões puseram à tona o caso do banco Master, que foi comprado pelo Banco de Brasília (BRB) após sua falência determinada pelo BC. Seu ex-dono, Daniel Vorcaro, influencer gospel antes de ser banqueiro, foi preso pela PF no aeroporto de Brasília e depois solto, por ter desviado quantia bilionária referente à dívida do banco.
                Essa história do banco Master envolveu 3 jornalões – Globo, Folha e Estadão – que trataram sobre um suposto contrato de R$c129 milhões do Master com a esposa de Alexandre de Moraes pra fins advocatícios, e de uma conversa deste com o presidente do BC Gabriel Galípolo, na qual eles teriam negociado suposto lobby para o extinto banco.
                Dos três jornalões, quem mais se adiantou foi O Globo, por ter escalado sua colunista Malu Gaspar para escrever longa e caprichada narrativa que, divulgada, foi criticada por nomes sagrados do jornalismo em outras mídias. Procurado por repórteres, Galípolo disse direto que o assunto foi só o efeito da sanção Magnitsky sobre as economias do ministro.
                Sobre o caso, os canais Desmascarando e TV Forum apontaram falta de provas de Malu sobre o Master como tema da conversa de Xandão, e a omissão do evidente contrato milionário com o deputado bolsonarista João Carlos Bacelar, constado no celular de Daniel Vorcaro. Ou seja: o tal contrato da mulher do ministro com o banqueiro não existe.
                Essa evidência foi o combustível que moveu o ministro Dias Toffoli a mandar investigar o contrato do deputado – outro detalhe omitido na coluna. O julgamento cabe à 2ª turma do STF, com Toffoli como relator; Xandão está na primeira. Se tem perguntado: por que tais detalhes evidentes foram omitidos?
                Interesses bem políticos – a da coluna acusativa do Globo ultrapassa a bolha reacionária. No senado, o presidente Davi Alcolumbre (centrão) já aproveita o recesso do judiciário para pautar a deposição de ministros – Xandão, Dino e, quiçá, o PGR Paulo Gonet. O combustível é o mix de emendas retidas e operações investigativas da PF.
                Enquanto Dino retém mais de R$ 100 milhões em resto a pagar do orçamento secreto tornado inconstitucional pelo STF em 2023, Xandão é visto como apoio ao governo contra o PL Antifacção de Derrite que inibe a PF. Agora cabem perguntas: por que os jornalões entram na história, distorcendo e omitindo detalhes importantes?
                Mercado obscuro – os jornalões e toda a direita do Congresso se convergem num elemento comum: o mercado, que determina como agirem para satisfazer seus desmandos contra quem é tido como ameaça aos seus interesses mais imediatos de lucro recorde. Parte do empresariado pego na Carbono Oculto da PF na Faria Lima não vê a hora do PL Antifacção virar lei para inibir a PF.
                Enquanto no governo Lula e Lewandowski se convergem favoráveis aos ministros do STF e à PF, na grande mídia há disparidades internas. No Globo, as críticas à colunista Malu Gaspar foram chamadas de “misóginas”, mesmo que discordem de seu texto. No UOL, Reinaldo Azevedo critica as omissões e Daniela Lima as detalhou em matéria acessível para assinantes, antes mesmo da jornalista global.
                Em fria análise final, a ação da grande imprensa nos remete aos tempos da Lava-Jato dos anos 2010, que projetou ao estrelato os então magistrados Sérgio Moro e Deltan Dallagnol. Só que desta vez entram outros nomes, mais numerosos individualmente, e as vítimas, Xandão e Dino do STF. A PF virou vítima da própria ultradireita que já apoiou em 2018 facilitando a eleiçção da ultradireita.
                Nessa história toda, o alvo final da “Lava-Jato 2025” é o presidente Lula. É, ele não foi esquecido. Os jornalões só o omitem para não alarmar geral e por acreditar que o STF “blinda” Lula 3 enquanto o congresso se move para enfraquecer as duas partes. Mas a chance é remota: Malu confessou ter escrito tudo sem prova contra Xandão e Galípolo.
                Na verdade, o texto de Malu pode ter lá mentiras e omissões. Mas sobre tal contrato de R$ 129 milhões, houve troca de autores. Não é a esposa do ministro, e sim Bacelar. E mesmo se ela tivesse atendido o banqueiro não seria problema: o escritório dela é privado. E mesmo assim, ela tem mais derrotas do que vitórias em sua experiência advocatícia.
                A velha resolução que impediria parentes diretos e colaterais até 3º grau de juízes para função no Direito não tem mais valia, conforme veredito de julgamento plenário do STF em 2023. Mais uma derrota para os jornalões e sua nova Lava-Jato. Xandão e Dino seguirão em frente, Lula também. 2026 está chegando, será outra história.
                Mas, nem por isso vamos relaxar. Os inimigos da democracia estão atentos a cada nova oportunidade, nos mínimos detalhes. E nessas oportunidades o povo deverá se atentar: as ruas estarão ao seu dispor como espaços dos guardiães da democracia.
Para saber mais
- https://www.youtube.com/watch?v=Hbqgwq3cfGc (TV Forum (reprodução)Moraes procurou chefão do BC para falar sobre Master, segundo Malu Gaspar).
- https://www.youtube.com/watch?v=-VxWMUbaKm0 (canal Desmascarandonotícias- ausência de provas de Malu Gaspar no caso Master; fuga de Silvinei Vasques)
- https://www.youtube.com/watch?v=VrGG-sxKi_4 (canal O Historiadorarmação revelada! Ataques ao STF tem motivo revelado e envolve emendas e mercado financeiro)
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AS DIREITAS E AS ORCRIMS

                 Sobre crime organizado, o governo lançou o PL Antifacção, que originalmente visou reforçar a ação da PF junto aos Estados para combater as organizações (orcrims) locais, e a PEC da Segurança Pública, que regulamenta o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) na integração das forças em escala nacional.
                Os dois textos se interdependem no combate ao crime. Enquanto aguardam sanção presidencial, a PF descobriu assessores de Arthur Lira e de Hugo Motta em crimes com emendas, e 2 deputados federais bolsonaristas, Maranhãozinho e Pastor Gil, integrando uma organização criminosa no Maranhão para distribuir irregularmente emendas parlamentares.
                A PF já sabia que o senador Plínio Valério tem uma propriedade ilegal na Amazônia Legal (área protegida da União para fins econômicos). Agora, a instituição descobriu dinheiro de origem duvidosa em mãos dos deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy – também bolsonaristas. Reparem que todos os citados até agora são todos bem à direita.
                A PF descobriu que metade da Alerj tem ligação com crime organizado. TH Joias está preso por se ligar ao CV e, suspeito igual, Rodrigo Bacellar foi para domiciliar a mando de Xandão. Os governos Castro (RJ), Zema (MG) e Tarcísio (SP) se ligam quanto à distribuição de armas de fogo fornecidas por uma fábrica clandestina mineira. Todos são bolsonaristas.
                Na ligação com PCC, o vídeo suspeito de Nikolas Ferreira sobre pix na relação com o crime da Faria Lima e a fábrica clandestina de armas se juntam. No crime financeiro descoberto na operação Carbono Oculto estão envolvidas assessorias da prefeitura paulistana e do governo Tarcísio – que também se enrola sobre o caso das bebidas com metanol chegando a negar a participação do PCC. E há mais gente em associação com o tráfico e porte de drogas em boa quantidade.
                Em 2019, um militar acompanhando Bolsonaro no avião presidencial foi preso na Europa com 39 kg de cocaína. Avião da igreja de tio de Damares Alves carregava 250 kg de maconha. 300 kg da erva estavam em caminhão da fábrica de pescado de Jorge Seif. E mais 30 kg da mesma, no porta-malas do carro de Nikolas em Belo Horizonte.
                Ainda na era Temer (centrão) se iniciaram os descontos ilegais de aposentadorias no INSS, em escala crescente no governo seguinte e descoberta e investigada no atual de Lula – que valeram uma CPMI. Nesta, todos os depoentes convergem seus relatos para o fechar de olhos dos dois governos anteriores às solicitações feitas à época para investigar as fraudes. E agora, a CPMI segue coletando mais dados, já em fase final.
                O legalismo de Xandão e Dino incomoda a ultradireita e o centrão em uma questão interligada: o papel investigativo sobre as emendas. Alcolumbre e Motta pensam em discutir impeachment deles. Não é nada por acaso que surge a trinca de jornalões para criticar o “exagero” do STF e criar nova versão de Lava-Jato contra Xandão (vide artigo anterior).
                Mais uma vez, o trabalho da PF descobriu um novo plano desenvolvido no fim de 2024 para assassinar Lula e Xandão. O plano constava armas de calibre grosso para helicópteros e bombas, conforme matéria da Revista Fórum de janeiro-2025. Ensurdece o silêncio dos jornalões sobre o plano, cuja investigação segue em sigilo. Mas a direita está envolvida.
                Numa fria análise de caráter conclusivo, tantas aparições de nomes políticos da direita – do centrão e extremistas – chegam a surpreender, tanto agora quanto no passado. E por isso se dissolve a tese de que “corrupção e roubo são sinonímias de esquerda”. O que, logicamente, não significa que a esquerda seja um reduto de pura sobriedade ética.
                Se nem templos são santos, como já percebemos, que dirá da política em toda a sua heterogeneidade! Na esquerda há gente duvidosa, que já aprontou das suas e nem pisca. Mas é incontestável a dominância da turma das alas à direita, em número de autores e na magnitude, frequência e poder ofensivo de seus crimes contra a coletividade.
                O que responde por essa diferença está na maior intimidade entre grandes grupos econômicos e os nomes da direita, facilitando a corrupção destes por aqueles. E muitos nomes da justiça entram nessa também, fazendo os direitistas apostarem na impunidade. Nomes progressistas e da esquerda são mais facilmente puníveis.
                Pergunta-se: há solução? Sim – sou da classe dos otimistas. Mas sou realista. A solução é educação cidadã-política de prazo secular, para gerar resultado expressivo. Precisará envolver toda a sociedade, pois dependerá de combater preconceitos que geram divisões e injustiças. E, claro, urge a regulação de todas as formas de mídia, sem exceção.
                E por que, só a longo prazo? É que estaremos lidando com valores que por séculos moldaram nossa sociedade, injusta e desigual. Na Europa foi assim. O uso responsável das redes para esse fim será útil para dar maior alcance às verdades inibindo mentiras e ódio – bases das organizações criminosas e da extrema-direita atual que destrói democracias.
Para saber mais
- https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3w72y4j82jo (os tentáculos do CV na política do Rio de Janeiro)
- https://www.bbc.com/portuguese/articles/cly3p9rv5reo (Sóstenes diz que os R$ 400 mil são de venda de imóvel)
- https://www.youtube.com/watch?v=KH08mUCLuVE (silêncio da mídia: PF descobre novo plano para matar Lula, TV Forum, 25/12/25)
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

CURTAS 103 - ANÁLISES (os 2 pesos e medidas da Câmara)

 
UM PODER AUTOCRÁTICO

                Em reta final de ano, a ruptura relacional entre congresso e governo tem se intensificado. Ela piorou com a indicação de Jorge Messias para o STF, e não Rodrigo Pacheco, que Xandão também preferia. Mas André Mendonça e Kássio Nunes se solidarizam com Messias, respectivos por fé e origem. Movimentos socioculturais se preocupam.
                Negros, indígenas, mulheres e minorias sexuais percebem a falta de representatividade que será necessária após a aposentadoria de Carmem Lúcia. Teme-se que outro “terrivelmente evangélico” queira restringir o já tão apertado espaço participativo desses grupos. Enquanto isso, a guerra declarada pelo Congresso continua.
                Duas bancadas ideológicas dominam o Congresso: os reacionários MBListas e bolsonaristas, e os coronéis do Centrão. Este quer as bilionárias emendas, antigas e atuais, a todo custo. A ultradireita quer Bolsonaro livre e novamente elegível em pouco tempo. Ambas se juntam em duplo mecanismo: sequestrar funções do Executivo e do Judiciário.
                Contra Lula – o PL Antifacção do governo aprovado foi alterado com restrição de recursos da PF. O Congresso derrubou 56 dos 63 vetos do governo no PL da Devastação, poucos dias após o fim da COP30. O orçamento da União-2026 aprovado corta recursos de políticas públicas para engordar emendas parlamentares em R$ 64 bilhões.
                Responsável pelo Tesouro Nacional, o Executivo é quem calcula o valor das emendas, que não pode ser justificado em cortes nas políticas públicas, já arrochadas pelo ajuste fiscal e pela inflação. Mas o Congresso desrespeitou. E acreditem: emenda parlamentar e teto de gasto público são vergonhas exclusivas do Brasil.
                Recentemente reforçada pelo STF que incluiu minorias sexuais e povos indígenas, a Lei Antirracista-1989 foi alterada pelo Congresso. Lideranças cristãs poderão demonizar crenças de matriz africana e indígena livremente em seus cultos. Num afago ao agronegócio, o texto original do Marco Temporal anti indígena foi aprovado na calada da noite.
                Enquanto o primeiro enfatiza o ódio pregado pelos líderes religiosos e mesmo por direções institucionais rasgando a lei, o segundo ameaça os acordos fechados na COP30 para a proteção dos povos originários e dos seus respectivos ambientes naturais, considerados sagrados pelas culturas ancestrais.
                Contra o STF – julgando os casos dos fugitivos Carla Zambelli e Alexandre Ramagem, condenados com trânsito em julgado pelo STF, a Câmara aprovou a manutenção de seus cargos. Isso enquanto Hugo Motta se omitia sobre a situação de outro fugitivo, Eduardo Bolsonaro, que foi para os EUA para cometer crimes de lesa-pátria e de coação à Justiça.
                Na citada Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, a parte relacionada às emendas se deve a um jabuti referente ao recebimento de emendas antigas, por sua vez referentes a restos da emenda de relator, o popular “orçamento secreto” criado na era Bolsonaro e mantido ilegalmente como “emendas pix”, bloqueadas por Flávio Dino há 1 ano.
                Em novembro, o presidente do senado Davi Alcolumbre reclamou da hashtag #congressoinimigodopovo, popularizada nas redes. Prometeu processar o criador dela e quem postá-la, em franco ataque à liberdade constitucional de expressão popular. Como resposta, a patuleia viralizou ainda mais a hashtag, usada até por jornais independentes.
                Reações – no STF, Xandão revogou o voto do Congresso sobre Zambelli e Ramagem, por condenações em definitivo. E já aceitou denúncia da PGR contra Eduardo Bolsonaro por coação de processo judicial. Percebendo a cifra tão alta, Dino brecou o resto do orçamento secreto a pagar (emendas antigas), contido na LOA-26. Tensão total na reta final de ano.
                Por sua vez, Lula disse a jornais que vetará pontos inconstitucionais nas propostas aprovadas após “análise cuidadosa” por sua equipe. Ele sabe do diálogo de Alcolumbre e Motta com Xandão sobre a dosimetria. Partilhada com analistas políticos, sua preocupação é a de que a pena reduzida é porta aberta para novas tentativas de golpe de Estado.
                Até onde sabemos, o ministro não deixará seu legalismo para favorecer uma redução para anistia que pode ser um precedente perigoso.
                Análise final – os textos aprovados têm pontos inconstitucionais. O Marco Temporal original já foi brecado antes, e o jabuti na Lei Antirracista o será, por violar a lei de 2003 sobre ensino de cultura africana (e agora, também indígena) e também artigos da CF sobre direitos e garantias constitucionais, e a lei de liberdade religiosa de 2006.
                Sobre o breque às emendas antigas, Dino explica que não é possível “ressuscitar modalidade de emenda [...] reputada inconstitucional”, por intransparência. O valor anormalmente nos faz suspeitar de abuso de poder econômico. E sobe as análises das PLs, a chance de Lula vetar artigos estranhos à Carta é alta – com torcida pela ajuda do STF.
                E como os jornalões atuam sobre esse desnível de poderes? O STF e o governo têm sido alvos de editoriais caprichados criticando seus atos respectivos. Em relação aos abusos do Congresso, quase há afago. Até Dino – quem diria! – já foi criticado por uma das grandes fontes por “impedir a atenção aos municípios mais necessitados”.
                A própria posição dessas mídias nos reforça a má impressão que o próprio Congresso já passa para nós. Pois omitir críticas aos seus descarados abusos feitos para desafiar o Judiciário e o Executivo nos repassa a impressão de que a Legislatura não é um poder como os demais, e sim uma esfera autocrática, autoritária e – quiçá – golpista.
Para saber mais
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DITADURA DO CONGRESSO

                Brasília, 1º semestre de 2025. Antes do STF bater o martelo, a PL da Anistia aos protagonistas da intentona de 8/1/23 já corria na Câmara há algum tempo. Cientes da inevitável condenação de Bolsonaro e seu grupo golpista, os reacionários pressionavam o hesitante Hugo Motta, que priorizou resolver um momento de tensão com o senador Davi Alcolumbre.
                Em paralelo, numa reação às provocações de um militante do nazifascista MBL, Glauber Braga o expulsou com empurrões das dependências da casa. De pronto o Conselho de Ética se formou para processar o deputado por indecoro. O caso MBL foi a cortina de fumaça sobre o verdadeiro motivo: a denúncia de Braga contra a emenda secreta de Arthur Lira.
                Reprovados todos os recursos de defesa e em cassação iminente de seu mandato, Glauber protestou sozinho com greve de fome por 9 dias, dormindo ao lado da mesa diretora da Câmara, próximo do de recesso parlamentar de julho, e diante da onda solidária popular. Efeito: Hugo Motta prometeu e fez adiar a votação plenária de seu destino.
                A volta pós-recesso nas duas Casas iniciou com a ocupação da mesa diretora pelos deputados e senadores bolsonaristas com suas bocas vendadas por uma reluzente fita adesiva prateada. Ao chegarem, Motta e Alcolumbre foram inicialmente impedidos de sentar. Quando Motta sentou, a mesa diretora ocupada virou foto rapidamente midiatizada.
                A mídia online e impressa deu mais importância ao protesto reacionário do que ao de Glauber. A foto citada viralizou, mas não teve a mesma onda de solidariedade popular que deu ao progressista o gigantismo – o qual foi reconhecido antes com o prêmio de melhor deputado federal pelo Congresso em Foco em 2018.
                No início de outubro de 2025, a mídia impressa e online do Brasil divulgou uma foto de capa: deputados bolsonaristas ocuparam toda a mesa da presidência da Câmara. Quase todos vedaram suas bocas, alguns também nos olhos, com fita adesiva prateada. Era um protesto contra a resistência do presidente Hugo Motta em votar a PL da Anistia.
                Quando Mott chegou para iniciar atividades do dia, Zé Trovão inicialmente o impediu de sentar na cadeira da presidência. Depois pode ocupá-la. Estava tranquilo, envolto pela turba protestante que ali ficou. Foi desse modo que a imagem do fotógrafo do Portal da Câmara dos Deputados viralizou na imprensa e nas redes sociais pelo país.
                 Brasília, 2º semestre de 2025. Hugo Motta autorizou a retomada da votação dos destinos dos mandatos do socialista Glauber Braga e dos bolsonaristas Carla Zambelli e Alexandre Ramagem. Ciente de que poderia ser cassado e os adversários não, Braga sentou na cadeira presidencial em protesto solitário, assistido por aliados e alguns populares.
                Tudo estava sendo registrado pela equipe jornalística do supracitado Portal, que manda na TV Câmara, quando a Polícia Legislativa Federal apareceu e protagonizou uma violência. Mesmo inicialmente protegido pela esposa Sâmia e resistindo, Glauber foi arrancado à força da mesa diretora, recebendo chave. As filmagens firam bruscamente cortadas.
                Como tudo foi transmitido em tempo real, as redes foram inundadas pelos confrontos de opinião pública, enquanto a Meta brecava os perfis oficiais dos parlamentares progressistas, que postaram seus registros em perfis de militantes. O silenciamento revelou a intimidade entre as big techs e a direita, e o autoritarismo de Motta e Lira.
                À coletiva de imprensa, Motta julgou “desrespeitosa” a ocupação da mesa diretora da Câmara por Glauber. “Não serão mais permitidas novas ocupações, por ninguém”, prometeu. Negou a violência da abordagem da PLF a Glauber, se contradizendo em relação à sua calma no protesto bolsonarista. Até um jornalão percebeu tamanha seletividade!!
                Para agradar aos bolsonaristas, Motta permitiu a votação do PL da Anistia, arquivado pelo Senado devido à intensa pressão popular. O posterior PL da Dosimetria reaproximou STF e Centrão, foi aprovado e aguarda sanção. Após aprovar Zambelli e Ramagem, a Câmara suspendeu Glauber por 6 meses e a suplente Heloísa Helena ocupa sua vaga.
                Em fria análise, os parlamentares progressistas foram inteligentes em postarem em perfis populares. Sabem que o silenciamento atinge defensores da regulação das redes e das mídias. Por trás da democratização infomativa e política, a regulação responsabiliza as big techs por mentiras e ódio postados, que são bem mais lucrativos.
                Após a recuperação dos perfis progressistas, o casal Glauber-Sâmia não comemorou a suspensão. É só um fôlego para novas lides. No podcast recente do canal 3 Irmãos no Youtube, ambos debateram com Eduardo Bolsonaro, deixando claro que continuarão resistindo até o fim, contra o que podemos vislumbrar como ditadura do Congresso.
                Cada vitória antecede uma luta ainda mais árdua. Pode parecer contraproducente  dizer o que virá. Mas Glauber, Sâmia e outros políticos progressistas combatentes são imprescindíveis para a manutenção da democracia interna do poder Legislativo, para atuar em paridade nivelada com os demais poderes constituídos. E a maioria do povo já sentiu isso.
Para saber mais
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CURTAS 106 - ANÁLISES (Lula e samba; Polilaminina)

  CRÍTICA CERTA, FUTURO INCERTO                      Enfim já corre 2026, novo ano eleitoral para presidente. Enquanto blocos e escolas de s...