sábado, 18 de abril de 2026

CURTAS 109 - ANÁLISES (política 2026)

 

TSE PEGOU CASTRO. E DENARIUM?

                    No embalo da popularizada megachacina de 28/10/25, o sanguinário governador Claudio Castro (RJ) e seu vice Pampolha renunciaram aos cargos em 23/3/26 para manter direitos políticos. Em 24/3, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ainda presidido por Carmen Lúcia, votaram pela inelegibilidade por 8 anos, graças a denúncias da esquerda na ALERJ.
                    Elaboradas em 2024, as denúncias foram entregues inicialmente ao aparelhado TRE-RJ, que absolveu Castro. Mas o Ministério Público Eleitoral (MPE) as acatou e repassou ao TSE. Elas acusam Castro de abuso de poder político e econômico (folhas de pagamento secretas) no pleito-202 e contratações irregulares na Fundação Ceperj e na Uerj.
                    O uso da megachacina nos CPXs do Alemão e da Penha – com 47 inocentes admitidos pela Polícia na identificação parcial divulgada – como estratégia de campanha antecipada e abuso de poder ainda não foi confirmado pela Justiça. Entretanto, alguns parlamentares da ALERJ concordam que tenha havido o ilícito.
                    Quando ainda na iminência de cassação, o presidente da ALERJ Douglas Rios (PL-RJ) foi eleito para manter o bolsonarismo no poder regional. Mas, a cassação veio logo e a eleição indireta foi anulada pelo TJ-RJ, impedindo também o presidente em exercício da ALERJ Guilherme Delaroli (PL) de assumir interinamente o cargo.
                    A renúncia de Castro prejudicou a cassação, mas não sua inelegibilidade. E Delaroli substituíra Rodrigo Bacellar, que foi afastado por ter ligação com o CV, daí o TJ-RJ desconsiderar legitimidade dessa linha sucessória. Assim, o magistrado e presidente do próprio TJ-RJ, Ricardo Couto, assumiu o cargo interinamente.
                    A renúncia de Castro impediu o salvou da cassação, mas não da inelegibilidade – o que, na prática, breca a ambição eleitoral, jogando no brejo a corrida pelo senado. Como a Justiça brecou a manutenção de Delaroli por deslegitimar a sua eleição pelas lideranças bolsonaristas na ALERJ, o RJ agora segue sem governador.
                    Denarium/Damião — agora que o caso Castro foi resolvido, que tal falar da chapa bolsonarista Denarium-Damião, de Roraima? Entregues ao TRE-RR em 2024, as denúncias de irregularidades administrativas e abuso de poder político foram julgadas e o citado tribunal votou pela cassação. No TSE, o julgamento foi interrompido por vários pedidos de vista.
                    A indefinição atual se deve a recursos do próprio TSE sobre condutas específicas do governo Denarium, além dos pedidos de vista. E vale citar a relação com o próprio ministro André Mendonça, fundador do Instituto Iter, contratado pelo governo estadual – sem licitação – para ministrar cursos de oratória, direito público para servidores e, acreditem, licitações.
                    A contratação do Insituto Iter por pouco mais de R$ 270 mil pelo governo roraimense foi uma especificidade que levou à suspensão do julgamento de cassação em 2/11/ 25 pelo próprio Mendonça.  Veio a suspeita de conflito de interesses – não confirmada oficialmente, claro. Mas, o protagonismo do inistro emplacou a suspeita.
                    Em fria análise final, a própria diferença de tempo e eficácia comparativa entre os dois julgamentos nos leva a refletir que interesses de força maior levaram às suspensões do julgamento. O fato de a chapa ser do Centrão aliado do bolsonarismo pode ter peso, mas vale enfatizar que Castro é bolsonarista e foi tornado inelegível.
                    O enlace entre Denarium e Mendonça mediante contratação do Iter tem peso fundamental na suspensão. Mas não é o maior dos problemas  considerando-se a licença do ministro da sociedade do Instituto e a importância das irregularidades, como abuso de comunicação política em ações sociais e malversação de recursos públicos.
                    É posr isso que o público e os demais ministros – talvez exceto Nunes Marques – fazem pressão para que o caso Denarium seja resolvido após 2  longos anos. Já basta as famílias dos mais de 120 chacinados aguardarem a justiça. E a nação se mostra cansada da falta de equidade judiciária ao julgar políticos de diferentes vieses.
                    Para o andamento correto da justiça, é importante a independência da direção política e ideológica, de classe social e dos interesses de mercado. O Iter ganhou R$ 4,8 milhões dando cursos de Direito Público para vários entes públicos. O grande valor da Justiça é a ação equitativa sobre os demais poderes, para coibir abusos de poder. Vale a ordem nacional.
Para saber mais
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ELEIÇÕES: NOVO ESTRESSE

                    Temos eleições de 2 em 2 anos, intercalando pleitos municipais com os estaduais e federal. E estamos em novo ano eleitoral para a presidência da República e governos estaduais. E a patuleia se depara, desde 2016, com informes virtuais, principalmente mentiras, algumas bem requentadas – agora com apoio dos jornalões. Por isso, as eleições presidenciais são mais estressantes.
                    Desde os últimos rearranjos políticos, o TSE oficialmente tem em mãos os dados de vários presidenciáveis, mais variados em perfis pessoais do que políticos, e que podem convergir em algumas propostas. Mas novos rearranjos poderão ocorrer até agosto ou setembro. Os definidos até o momento seguem abaixo.
                    Lula (PT)—só este ano decidiu se candidatar à reeleição, ao lançar o pupilo Haddad para o governo de SP, já quase empatando com Tarcísio na corrida. Apesar do alto índice de reprovação nas pesquisas entre pentecostais e jovens, graças ao disparo de mentiras e dos ataques dos jornalões, sua chance de reeleição permanece alta Spoiler: as últimas pesquisas revelam sua liderança.
                    Flávio Bolsonaro (PL)— antecipadamente se lançou candidato à presidência, propondo continuar o governo do pai. Mas sem ilusão: ele é inteligente, discreto e muito perigoso. Um regime militar-miliciano-neopentecostal será muito provável – e pode pegar mais pesado do que a ditadura militar, para vender o Brasil no atacado.
                    Por enquanto aproveita a democracia imperfeita seguindo com mentiras contra Lula, tanto requentadas quanto novas.
                    Michele Bolsonaro (PL)—ainda que seu alvo seja Lula, ela se torna, na prática, adversária do enteado na corrida.Embora sejam do mesmo espectro político, eles têm públicos diferentes: ele entre os homens e jovens, ela entre as mulheres evangélicas pentecostais e neopentecostais. E para essa base ela tem propostas, nada feministas. Pelo contrário.
                    Ronaldo Caiado (PSD)— o representante da elite do agro entra como aposta de 3ª via pelos jornalões com a desistência de Tarcísio. Entrou no PSD, partido teoricamente governista hoje, não só como alternativa despolarizadora, e para isolar Lula politicamente. Além do agro, sua principal proposta é nacionalizar seu violento modelo de segurança pública.
                    Zema (Novo-MG)— tido pelos jornalões como centro-direita, ele é um reacionário – nega ter havido ditadura militar – e é um privatista extremista  como Flávio Bolsonaro. Como Caiado em relação à segurança pública, ele pretende aplicar a todo o Brasil o modelo PPP (participação público-privada) na educação e na saúde, em propostas avançadas na ALMG.
                    Aldo Rebelo (DC)—o ex-comunista e ex-ministro da era petista que já propôs o Dia do Saci em crítica ao popularizado Halloween de 31 de outubro, hoje se liga à direita abublegue.  Ainda não sabemos bem de suas propostas, mas não duvido muito que sejam muito similares às dos supracitados. Sua posição nanica nas pesquisa revela sua expressão rebaixada.
                    Cabo Daciolo (Mobiliza)—ex-deputado conhecido pelo jeito caricato misturado com fervor religioso, ele mistura propostas progressistas com as conservadoras. Só nos resta saber qual adversário ele vai acusar de ter criado a suposta proposta de União das Repúblicas Socialistas da América Latina (URSAL)1, já que o acusado Ciro Gomes agora está fora.
                    Renan Santos (Missão)—representante do Movimento Brasil Livre (MBL), uma facção de ultradireita, ele é empresário e influenciador político visado na corrupção (já fez boa referência a Flávio Dino em relação a esse crime). Sua postura agressiva e a relação do MBL com neonazistas mais tendem a afastar do que agregar valor eleitoral. Nanico.
                    Eduardo Leite (PSD)—ao querer culpar o governo federal, o governador gaúcho se notabilizou pela omissão nas motivações ambientais e infraestruturais que levaram às enchentes históricas no seu Estado. Mas ainda tem boa expressão política local e se disonibiliza. Mas sua posição no ranking das pesquisas é tão nanica quanto a de Rui Pimenta e outros nomes.
                    Augusto Cury (Avante)—médico psiquiatra de formação e escritor, ele é pouco conhecido da população. Mas foi eleito na convenção por sua intelctualidade e postura moderada, agregando ideais progressistas que podem aliá-lo a Lula em caso de reeleição deste. Sua proposta central é na saúde pública, na qual já exerce sua profissão. Mas ainda é nanico nas pesquisas.
                    Rui Costa Pimenta (PCO)—se declara extrema-esquerda, mas converge com Bolsonaro em pautas como população geral armada, narrativas de persecução política pelo STF e rejeição a propostas de minorias como o combate a crimes de ódio. Daí muito bolsonarista se simpatizar com ele. Mas ocupa os últimos lugares nas pesquisas.
                    Há articulações ainda em andamento, com entrada possível de novos candidatos. Ao menos dois deles, Hertz Dias (PSTU) e Samara Martins (UP), trotskistas como Rui, são possíveis candidatos na corrida. Mas sabemos que serão mais nanicos do que o próprio líder do PCO, que pelo menos pode ter melhor expressão por ser mais conhecido.
                    Poderoso em Goiás, seu Estado natal, onde governa com mãos férreas, Caiado criou desculpa palatável ao se dizer alternativa despolarizadora. Mas, pragmaticamente, a polarização é inevitável. As pesquisas de intenção de voto já a revelam, se mantendo no 1º turno. No 2º, os dois finalistas se opõem, mesmo sendo da mesma direção política. A polarização só se destrói na inevitável vitória de um deles.
                    Mas vale apontar um fator diferencial de polarização nas eleições de 2026: os algoritmos com direito a IA. Pesquisas já apontam sinais de sua manipulação, enervando a população e jogando o público jovem num buraco político antes de terem consciência plena da complexidade do assunto. Por isso, já aviso aqui: todo cuidado e consciência são válidos nessas eleições, pois não é a polarização o problema!
Nota: 1 
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