sábado, 18 de abril de 2026

CURTAS 108 - ANÁLISES (caso Master, Dino)

 

UM CASO CORROSIVO

                    Enquanto o governo Lula se mantinha líder na preferência eleitoral em meio a pressões do Congresso, um vazamento indevido da imprensa sobre a investigação de descontos ilegais de aposentadorias pela PF originou a CPMI requerida pela oposição. Só que, no desenrolar do processo, vazou o caso Master, um complexo crime financeiro a envolver empresas, fintechs, crime organizado e igrejas.
                    O esquema é tão complexo que a real do enredo se perdeu para a maioria popular e é difícil fazer um artigo sintético sobre o caso. Jornalões se aproveitam disso para envolver Lula e seu filho, o STF e Galípolo (BC) no esquema de ilicitudes, para promover Flávio Bolsonaro ao Planalto e reeleger Tarcísio de Freitas para continuar a vender SP de vez, a preços de coisa estragada.
                    Ele acontece em meio à recém-findada CPMI do INSS, que virou um espetáculo midiático como o foi a da C19 em 2021. Mas com uma diferença: o relatório da CPI da C9 foi aprovado, com direito a uma cópia em mãos do Tribunal Penal Internacional, em Haia, como mais uma evidência de genocídio mediante uso da pandemia de C19. Diferente desta, a CPMI do INSS teve um fim insólito, com 2 relatórios.
                     O oficial foi redigido pelo relator Alfredo Gaspar (PL-AL) e o alternativo pelos membros governistas. O primeiro tem mais de 200 indiciados e focou no governo Lula. Foi rejeitado pela maioria. O último focou gente do governo Jair Bolsonaro e indiciou este e o filho Flávio, e sua votação foi rejeitada pelo presidente da comissão, o bolsonarista Carlos Viana (Podemios-MG). A comissão teve prorrogação autorizada pelo STF.
                    Em sua contribuição investigativa, a CPMI do INSS evidenciou a relação dos descontos com o caso Master, mas Daniel Vorcaro e Zettel não depuseram, pela bênção de André Mendonça (STF). Evidências materiais em mãos da PF apontam o envolvimento de vários parlamentares, em geral bolsonaristas convictos.
                    Fundado pelo ex-influencer gospel Daniel Vorcaro, o banco Master veio das cinzas do Máxima em 2019, avalizado por Campos Neto (BC).  Especializou-se em CDBs (certificados de depósito bancário por “empréstimo”) de alto rendimento (até 140% do CDI, uma taxa de rendimento). O modelo agressivo de alto risco gerou ativos acima de R$ 80 bilhões.
                    Crimes – se o capital financeiro já não é confiável, imaginem o Master: não eram só altos CDBs. Ao invés de brecar os crimes, Campos Neto deixou rolar. Já grande, o novelo criminal caiu no colo do sucessor Gabriel Galípolo, após a voadora Tramontina de Lula em Vorcaro: “isso é com o Galípolo”. No esgotamento das demais soluções, o BC liquidou de vez o Master em 2025.
                    O Master criou uma insolvência (dívida de valor impagável), roubou fundos e quebrou entidades públicas que nele investiram como RioPrevidência por Claudio Castro e Banco de Brasília por Ibaneis Rocha. Daniel Vorcaro foi preso no aeroporto portando uma mala cheia de grana, foi preso, depois solto e, após alguns dias, voltou à prisão.
                     Um banco e duas CPIs—a CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado surgiram de ações da oposição para, de alguma forma, incriminar o governo Lula por ligações criminosas relacionadas: ele seria o “grande chefão”. Só que os dados disponibilizados pela PF às comissões até o momento não têm encontrado provas do envolvimento de Lula, nem de seu filho Lulinha.
                    Devido ao vazamento estratégico e proposital dos jornalões de investigação sigilosa da PF, a CPMI do INSS visou ligar o governo atual aos descontos ilegais das aposentadorias. Só que, no andamento da CPMI, os nomes levantados foram de parlamentares da direita, fintechs, empresários, associações, facções e líderes evangélicos.
                    A CPI do Crime Organizado foi criada para “provar” a suposta ligação de Lula com o crime organizado, dada a recusa deste em considerá-las terrorstas, e a suposta participação de Alexandre de Moraes no caso Master. Convocado como testemunha, ciente de não poder mentir nessa condição, Gabriel Galípolo desmentiu o Globo e o Estadão numa tacada só: “não conversamos pelo telefone, fui ao STF e o único asunto com o Moraes foi sobre a lei Magnitsky”.
                    Efeito colateral—o governo Lula tinha aprove popular crescente após a hoje válida isenção de rendas até R$ 5mil do Leão e diante da hostilidade do Congresso desde que Dino brecou as emendas ilícitas. O ataque dos jornalões inverteu a lógica popular, aumentando novamente os índices de reprovação diante do concorrente Flávio Bolsonaro. Os jornalões se extasiaram com seu novo queridinho.
                    Em paralelo a esse orgasmo (spoiler: Lula agora volta a crescer), os jornalões noticiaram a confissão de Dias Toffoli como sócio minoritário de empresa que administrou o resort Tayayá em negócios com o Master. Ele já havia passado a relatoria do caso para o colega André Mendonça, que poupou Vorcaro, Zettel e outros nomes duvidosos de depor nas CPIs citadas.
                    A interferência de Mendonça não impediu o fechamento da igreja da Lagoinha de Valadão e Zettel, encalacrada pelo envolvimento evidente de sua fintech e o Master em descontoss ilegais de aposentadorias. Sentindo-se enganados, os fiéis que lotavam o templo luxuoso finalmente devem ver que quem fechou a igreja não foi Lula, e sim seus próprios líderes junto às financeiras.
                    O mesmo Master que, blindado pelo jornalão-emissora O Globo em todo esse tempo, graças aos negócios milionários traçados entre ambos, agora corrói duramente a imagem do poderoso grupo empresarial de comunicação de massa.  É, Galípolo, talvez sem o saber, salvou o Brasil ao liquidar o Master. O troço corroeu todos que com ele tiveram algum contato.
Para saber mais
- https://www.youtube.com/watch?v=VNfmt9-E5Ec (O historiador – ESTADÃO TENTA ATACAR A ESQUERDA E EXPÕE LAURO JARDIM DA GLOBO EM PAGAMENTO DO BANCO MASTER)
- https://www.bbc.com/portuguese/articles/cqxdrwyl7leo (como dinheiro do contribuinte pode acabar sendo usado para cobrir parte do rombo bilionário do Banco Master, 10/2/26)
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DINO, O JUSTO

                    Quando assumiu seu terceiro governo, Lula foi visto como a grande esperança para salvar o STF e outras instituições, ameaçadas e aparelhadas pelo governo anterior em 4 anos. O experiente estadista se viu pressionado por duas frentes opostas: os movimentos identitários (feministas e LGBTQIAPN+, e étnico-raciais.), e a grande oposição congressista formada pelo Centrão e pela ultradireita.
                    Até hoje, Lula frustrou os movimentos identitários, preocupados com a ameaçadora falta de representante no STF. Mas o governo priorizou enfrentar a pressão da oposição e a eminente aposentadoria de Ricardo Lewandowski (2023) e Rosa Weber (2024). O paulista Cristiano Zanin entrou em 2023, e no ano seguinte, o maranhense Flávio Dino. Ambos brancos e heterossexuais, mas nada ruins.
                    Dino: uma nomeação necessária – se Zanin aproveitou a Vaza-Jato (Intercept Brasil) para acionar o STF a anular a condenação do então cliente Lula, Dino entrou num momento bem especial. Já abordei sobre ele em artigos anteriores (breve biografia e sua carreira e orientação política). Aqui focarei em induzir os leitores a refletir sobre os motivos que levaram Lula a indica-lo para o STF., bem como suas consequências imediatas.
                    A ida de Dino para o STF frustrou parte da militância esquerdista que via nele o substituto adequado de Lula na presidência. Mas a galera acabou vendo a nomeação como estratégica para o próprio governo atual. São duas as motivações principais a nortearem o fato: os direitos sociais, e a relação do parlamento com os recursos das emendas.
                    Mesmo hoje fora da carreira política e com a sisudez do ambiente jurídico, Dino é politicamente alinhado a Lula em temas sociais. Defende a gestão estatal de serviços públicos essenciais e os direitos trabalhistas, e não esconde sua preocupação com o risco social decorrente das postagens mentirosas e odientas das redes sociais num ambiente livre de regulação.
                    Conquistada na carreira política, sua popularidade não se exauriu como ministro do STF. Exceto pouquíssimas decisões duvidosas, como a da mineração indígena das próprias terras, Dino tem feito o que foi considerado pelos jornalões “interferência indevida no Legislativo”, como o popular bloqueio de emendas ilícitas (sem transparência) . Para os lulistas, um breque na corrupção, para os bolsonaristas, uma ironia financeira.
                    Apesar de servirem como campanha eleitoral, as emendas parlamentares viram recursos para as regiões de origem. Mas acontece que a forma legal é publicamente rastreável no Portal da Transparência. Muito popular pela gratuidade e transações facilitadas, o Pix foi usado para mascarar muito da ilicitude dos repasses, daí as emendas pix. Os envolvidos chiaram pra valer.
                    Os bolsonaristas criticaram também a sua determinação de punir magistrados criminosos com perda de cargo e salário abolindo a aposentadoria compulsória. Ele já havia dado fim nos penduricalhos salariais na elite do funcionalismo público, causando o maior furor entre altos magistrados que ameaçaram greve, mas ficaram nisso, e no Congresso que quis engordar proventos dos servidores das Casas.
                    Tais penduricalhos são facultativos: o nomeado pode abrir mão deles na sua posse. E quiçá, Dino tenha se abstido deles, apesar da tradicional hipocrisia de se tirar dos outros sem se abster dos seus. E, em toda a sua carreira política, Dino nunca foi comprovadamente corrupto – apesar da insistente mentira sobre os respiradores na época da C19, na verdade um dos muitos crimes de Pazuello na pasta da Saúde.
                    Com a adição dessas proezas, a nomeação desse maranhense foi a resposta sagaz de Lula àqueles que sempre insistentemente o rotulam de ladrão e corrupto.  Agora, se esses inimigos políticos entenderam o recado, não importa. O que importa é a clareza escancarada dessa resposta, e até agora indiscutivelmente, a justeza de Dino, que tem afetado a elite nas diversas frentes – doa a quem doer.
Para saber mais
- https://www.youtube.com/watch?v=JqccbXkruTY (CNN BrasilDino aponta falta de transparência em emendas para a Igreja da Lagoinha)
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CURTAS 108 - ANÁLISES (caso Master, Dino)

  UM CASO CORROSIVO                      Enquanto o governo Lula se mantinha líder na preferência eleitoral em meio a pressões do Congresso,...