ESPERANÇAS INDÍGENAS
Como aprendemos hoje em História, muitos povos
indígenas foram dizimados pelas consequências da colonização (doenças
infectocontagiosas, escravidão e evangelização forçada, nessa ordem). No séc.
XX vieram novas ameaças: militares, garimpo ilegal, grileiros e invasões por
latifundiários.
As torturas dos milicos na ditadura fizeram mais
uma “limpa” significativa reduzindo a população total a menos de 100mil em todo
o país. Na redemocratização, a demarcação de terras indígenas e a redução da
letalidade foram suficientes para que a população indígena alcançasse 1,9
milhão hoje.
Em meio aos tropeços, a primeira esperança dos
indígenas foi o Parque Indígena do Xingu, demarcado em 1961 e hoje habitado por
16 etnias. Já ameaçada, a área virou palco da propaganda política da criação do
Estatuto do Índio, para, num contexto democrático, afastar os milicos de
qualquer acusação.
A esperança não eliminou o trauma dos
sobreviventes daquele tempo obscuro, que informam os fatos para os
descendentes, parte dos quais entende que até a destruição cultural pela
evangelização facilita a concretizar ameaças e tomadas de terras. Mas, boas notícias
estão ventilando.
No STM – pela 1ª vez na história,
líderes do Acampamento Terra Livre (ATL) foram recebidos no Supremo
Tribunal Militar. Relembrando as brutais violações na ditadura, eles
solicitaram que os milicos “respeitem nossos espaços ancestrais”. A
presidente prometeu dialogar com os oficiais.
Restauração –
outra esperança dos indígenas foi o anúncio, pelo governo federal, da liberação
de R$ 150 milhões destinados para a restauração de terras indígenas destruídas
por invasores da indústria e do agronegócio. Porém, talvez nem todos os povos
indígenas deslocados sejam contemplados.
Um exemplo complicado é o povo Cariri-Xocó.
Sagrada para eles – como para os demais que mantêm intactas suas tradições
ancestrais – e já homologada por Lula, a maior parte de sua terra virou fazenda
de um político poderoso. A mata atlântica virgem foi transformada em pastagem.
CNV indígena –
em 2012 foi instituída a Comissão Nacional da Verdade (CNV), que
confirmou as violações cometidas pelos militares durante a ditadura. O
descreditado saldo oficial de 434 desaparecidos e mortos é, na verdade, bem
maior – se estima que o saldo de mortes pode chegar a 10 mil.
É muito? Calma, que o
caldo vai engrossar.
Em mãos dos líderes do movimento ATL consta um documento
que promete engrossar a estimativa. Com muitas páginas, ele contém, entre
outros textos, o Relatório Figueiredo de 1967, que detalha as violações
de milicos contra indígenas. Estima-se em 8350 mortes durante os 21 anos de
ditadura militar.
Sem falar em casos não notificados na época.
Das 305 etnias conhecidas, só 10 foram então “estudadas”.
Dessas 305, as mais afetadas foram os Cinta-largas (mais de 3000 mortos),
Tapayuna, Parakanã, Araweté, Arara, Panará, Waimini-Atroari,
Yanomami e Xavante foram outros exemplos atacados pelos militares.
A pressão pela CNV indígena aumenta com a
progressiva proximidade do evento da COP30, em Belém. Esta promete dar mais
espaço para as lideranças indígenas, que poderão inferir possíveis
consequências socioambientais da exploração de petróleo na bacia da Foz do
Amazonas.
Mas os indígenas sabem, talvez mais do que nós
todos, que tudo ainda é só inicial. Ainda falta o grosso da luta. Estimulados
desde o bolsonarismo, assassinatos e invasões de terras a mando do agronegócio
ainda são frequentes e terminam impunes devido ao forte lobby que o setor
possui.
A despeito das pressões sofridas pelo governo,
os indígenas veem nas notícias acima um esforço dele. As matérias anunciadas
acima revelam o pavimentar da estrada, acendendo a centelha da esperança do
reconhecimento de seu valor pela sociedade.
Para saber mais
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Desde que virou réu por
liderar a intentona golpista, o ex-presidente Bolsonaro foi ao RN para ouriçar
sua galera. Após os milicos deporem, o STF convocou Bolsonaro para a sua vez em
5 dias. Foi a senha para ele correr em busca de um refúgio hospitalar, parando
em Natal.
Não surpreendeu ninguém: já
sabemos que ele se hospitaliza a cada pontada judicial. Foi assim desde 2018, quando ele usou sua
licença da facada para fugir dos debates de presidenciáveis na corrida
eleitoral. Mas desta vez, vale apontar algumas coisinhas.
Cirurgia – Bolsonaro
já apresentava cicatrizes de cirurgias anteriores no abdômen quando foi agora
no hospital justificando complicações da facada. Mas a nova cirurgia na linha
mediana que aparece em imagens no Instagram se estende pela barriga inteira.
A extensão revela fator bem
maior do que uma faca média usada por Adélio, conforme fontes. Repetida à larga, a cena mostra só uma perfuração
rápida, sem rasgar a barriga inteira. Não conheço uma lâmina tão larga quanto a
barriga inteira na vertical de um homem alto. Nem machadinha chega a tanto.
Sonda nasogástrica – é
usada em casos em que a alimentação enteral é necessária. Bolsonaro tem estado
com uma o tempo todo. Embora os esparadrapos superficiais possam enganar, com
atenção bem afiada dá para ver que está fora, perto da ponta do nariz.
UTI lotada – a
UTI é um local onde pacientes são submetidos a cuidados intensivos; quase
asséptico e isolado. Visitas, só individuais e por tempo restrito, evitando
contato físico. Mas a de Bolsonaro vive lotada de gente farreando sem máscara e
com lives longas. Bem estranho.
Foi em seu leito de UTI que
o ex-presidente recebeu a oficial de Justiça com a nota intimatória de
Alexandre de Moraes. Bastou para que o próprio desse um chilique cuspindo
vitupérios. A sorte é que a servidora estava com duas máscaras a impedir a penetração das gotículas de enxofre (aqui é zoeira).
CFM – o
Conselho Federal de Medicina (CFM) não tem se lixado para a farra da UTI
de Bolsonaro desses dias. Até aparecer a oficial de Justiça. Aí soltou notinha.
Mas não para denunciar a farra irregular da galera, e sim de repúdio à “audácia” de
Xandão em mandar intimar numa UTI.
Já o Conselho Regional
de Medicina (CRM) do DF foi o único a se manifestar com sensatez contra a “casa
da mãe Joana” em que tornou a UTI de Bolsonaro. Mas, diferente da nota do
CFM, esta não foi tão divulgada. Enquanto isso, uma imagem viralizou nas redes
sociais.
Ela foi como meme com a
nova “coincidência” de Bolsonaro se internar no momento de ser chamado pelo STF
para depor. Embora enganosa, ela parece revelar um intento denunciador mais
realista do que essa hospitalização, que mais parece transparecer uma farsa. Pois é, no mínimo, muito estranho, ou suspeito.
Para saber mais
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