sábado, 13 de setembro de 2025

CURTAS 100 - ANÁLISES (casos duvidosos)

 


                Traduzido livremente como “comodidade”, o termo Commodity ganha outro conceito na macroeconomia. Neste ramo do conhecimento, ele denomina vários tipos de produtos, em geral matérias-primas para exportação e manufatura no exterior, especialmente na poderosa China. Entre as referências globais no setor, o nome da vez é o Brasil.
                O baixo valor agregado das matérias-primas é compensado pelos grandes volumes de produção e exportação, sem taxação pela maioria dos importadores, como a China.
                As nossas principais commodities atualmente são petróleo cru, aço carbono e minérios (especialmente ferro), não necessariamente nessa ordem. Mas, para este artigo, o tipo destacado é o alimentar, principalmente em grãos (milho, arroz, soja, feijão e café), carne (boi, porco e frango) e frutas tropicais (banana, mamão, caju).
                A China é o principal e maior consumidor de grãos, e Europa e EUA, de frutas. Os grãos vão para a indústria de ração animal e outros produtos. Com a taxação do café nos EUA, o Brasil buscou outros parceiros negociando com 138 empresas na Rússia, Indonésia, Índia e, agora, a China. É, parece que santo de fora faz mesmo milagre, pois aqui...
                Guerra interna – internamente, a indústria de gêneros alimentícios declarou guerra fria com o governo federal. Não é conflito novo. Ele surgiu no primeiro governo Lula, em 2007, quando surgiu o programa Merenda Escolar Saudável, motivo da tensão política entre o governo e o agro – reacendendo agora após aprove da PEC tributária por um imposto.
                Imposto seletivo – alcunhado imposto do pecado, ele é uma novidade na política tributária para sobretaxar produtos prejudiciais à saúde humana e ao ambiente, como bebidas alcoólicas, cigarro, refrigerantes, combustíveis poluentes, agrotóxicos em geral e armas de fogo. Por melindrar duas bancadas (bala e boi), a tensão política piorou.
                No dia da votação final, jabutis de última hora entraram retirando armas de fogo, agrotóxicos e veículos de trabalho agrícola do imposto seletivo. Sem tempo para correções, a PEC foi aprovada e promulgada. Mas ainda restou uma polêmica: a dos alimentos industriais ultraprocessados.
                Alimentos industriais – enquanto alimentos naturais podem ser minimamente processados em casa, os industriais podem ser processados (naturais temperados com sal, óleo e/ou açúcar para realçar sabor) e ultraprocessados (cheios de temperos químicos que dão dose extra de sal e açúcar e ainda há conservantes, corantes, acidulantes, flavorizantes).
                A polêmica é que o governo listou ultraprocessados como sobretaxáveis, dada a relação entre eles e doenças crônicas como obesidade, dislipidemia, hipertensão e males cardiovasculares, diabetes e até câncer, se consumidos sempre. Todos sabem disso, mas a tensão se move por interesse mais profundos do que nós e eles gostaríamos de admitir.
                É que setores ligados ao agronegócio se beneficiam com os ultraprocessados, cuja matéria-prima de manufatura são sobras não exportadas. Gigantes como JBS e BRF (carnes embutidas reais e veganas), Nestlé (comidas infantis, flocos de cereais e biscoitos), Danone (laticínios), Mondelez (biscoitos e salgadinhos), PepsiCo e Coca-Cola (bebidas) são exemplos.
                E quem os consome regularmente os considera práticos para o dia a dia e gostosos.
                Desafios – como isso tudo banca a maioria do Congresso, a implantação do Merenda Escolar Saudável enfrenta desafios ainda hoje. Parado entre 2019-22, o programa retorna tímido em Lula 3 para tomar parte do espaço ocupado pelos ultraprocessados, ou entrar preferencialmente aonde ainda não há merenda – e onde estudam os mais pobres.
                Enquanto governo tenta acordo com empresários, algumas escolas públicas já possuem sua solução: refeitório como lugar de almoço ou jantar, e cantina para lanches processados, mas pagos. Até porque, entre os alunos mais pobres, um prato de comida saudável pode ser sua única refeição diária e oportuniza seu aprendizado.
                Os políticos sabem que dispor de cantina e refeitório em todas as escolas é a melhor solução e todos saem ganhando. O que falta mesmo é vergonha na cara e boa vontade.
Para saber mais
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O DUVIDOSO RASTREIO FACIAL

                A população global atual é de 8 bilhões de pessoas. Como a criminalidade está presente em todas as sociedades e cada um de nós pode ter alguém muito parecido, a biologia e a medicina perceberam que cada pessoa tem particularidades físicas visíveis como arcada dentária, impressões digitais e traços anatômicos.
                Esses elementos ajudam a identificar vítimas e criminosos. As marcas criminais revelam o processo criminal em perícia. A identificação microscópica (tipo sanguíneo e DNA) se seguiu e, finalmente, a tecnologia digital para rastreio inteligente. A identificação local e o contexto social completam o trabalho.
                Todos integram a Criminologia, ciência forense, especialidade compatível com áreas superiores como Direito, Arqueologia (crimes antigos), Biologia, Medicina, Psicologia, tecnologia da Informação e outras, contando com vários dados eletrônicos para bom detalhamento pericial.
                Reconhecimento facial e IA – a tecnologia digital complementa as ferramentas analógicas de identificação e perícia, refinando o serviço investigativo. Substituindo com vantagem o imprescindível retrato falado manual, o reconhecimento (ou rastreio) facial digital refina a descrição pela vítima. A inteligência artificial (IA) pode dar mais precisão com detalhes ultrarrealistas milimétricos.
                Na queixa, primeiro passo para a investigação policial, a ferramenta é usada com seleção de rostos disponibilizados pela plataforma (ligada a câmeras de segurança em vias públicas), com ajuda da descrição feita pela vítima, ou de imagens disponibilizadas por uma agência bancária, por exemplo. No rosto selecionado se emprega IA para refinar detalhes descritos.
                Claro que a investigação policial é só uma das aplicações dessas tecnologias. Na segurança corporativa, o seu uso é cada vez mais comum por motivo de segurança, pois um mal intencionado qualquer pode ter traços e cor de pele muito similares aos de alguém de seu quadro de funcionários. Por outro lado, o mecanismo tem sido adotado para programas espiões.
                Vantagens e riscos – em imagens de multidões em vias públicas, o rastreio facial conta com câmeras de segurança conectadas à plataforma específica no setor de inteligência policial. Nas imagens, rostos são selecionados por padronização algorítmica de traços-chave no programa.
                Em teoria, a ferramenta de rastreio facial tem suas vantagens: maior precisão e rapidez de reconhecimento facial de suspeito pela vítima (o manual pode induzir a engano); e substituição de pessoas reais por imagens computadorizadas modificáveis pelo programador, eliminando-se, portanto, o clima de constrangimento de pessoas do modo tradicional.
                Mas há riscos. Como a descrição na plataforma é algorítmica, é fácil violar dados e desconsiderar combinações (traços africanos + pele clara, e traços caucasoides + peles mais escuras) comuns no Brasil, e preferir endereços periféricos. Entra aí um viés racista e aporofóbico (avesso às classes populares e aos mais pobres).
                Pode-se exemplificar a macabra estreia da Operação Cidade Integrada, iniciada em 19/8/21 na favela do Jacarezinho, Rio: nesse dia, 1200 PMs fortemente armados e sem identificação ceifaram 29 vidas. Segundo informações oficiais, a maioria nunca teve passagem pela polícia.
                As 22 câmeras de reconhecimento facial instaladas na comunidade poderiam ter ajudado a PM a caçar os alvos certos, o que poderia evitar o massacre gratuito ocorrido. É por aí que percebemos o peso do algoritmo da plataforma de reconhecimento facial na falta de consciência social.
                Solução possível – caros leitores, vocês devem se perguntar por que digo rastreio e não reconhecimento facial. Na prática, reconhecer a face conforme o algoritmo nem sempre – ou quase nunca – coaduna com as descrições feitas pela vítima. Mas soa uma pergunta: tem solução? Talvez haja um meio possível.
                Ele pode estar em fugir do padrão, ou seja, do algoritmo – mecanismo cuja natureza seletiva sujeita também a IA a erros no reconhecimento facial. Já sabemos que o algoritmo é movido por questões não só de capital, mas também culturais, que interferem no seio das instituições influenciando de cima para baixo. O maior desafio é encontrar o melhor caminho, mas vale a pena.
Para saber mais
- https://www.bbc.com/portuguese/geral-48889883 - BBC: Inteligência artificial: Por que as tecnologias de reconhecimento facial são tão contestadas.
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sexta-feira, 5 de setembro de 2025

CURTAS 99 - ANÁLISES (reação nas PMs, Nikolas)

IURD NAS PMs: A REAÇÃO

                A doutrinação religiosa cristã é uma questão bem antiga. No início foi a Igreja Católica. Depois veio o protestantismo tradicional. Hoje são as denominações neopentecostais, com o retumbante pioneirismo da IURD. E no mesmo caráter, agora ela se infiltrou nos quarteis das PMs de vários Estados.
                Iniciada em 2016, sua entrada nos quarteis foi paulatina. Nos presídios foi positiva para muitos casos, mas há convertidos e pastores, que impõem intolerância religiosa nas comunidades dominadas – o que me levou a escrever uma reflexão em artigo publicado em julho deste ano.
                No referido texto publicado foi abordado o crescimento da IURD como força doutrinadora nas polícias militares em vários Estados, numa reflexão sobre seus efeitos possíveis em relação às atividades de rotina, inclusive na violência policial nos cinturões de pobreza.
                Tudo porque ocorre uma estranha coincidência. Em SP, o governador Tarcísio deu ao violento secretário de segurança Guilherme Derrite pleno aval para a violência letal nas “operações” policiais em favelas. E isso acontece justamente com a PM-SP já completamente tomada pela IURD.
                Tudo porque coincide estranhamente o aumento da violência letal das polícias militares nas favelas na medida em que as raízes da IURD avançam no seio dos quarteis e doutrinam seus quadros. E não fica só nisso: há relatos de assédio vertical, geralmente de altos oficiais contra subordinados.
                Assédios e ameaças – consultados em reportagem investigativa publicada pelo Intercept Brasil, os denunciadores identificados com nomes fictícios relataram várias situações de assédio moral, motivadas por suas recusas em participar de cultos e palestras de oficiais religiosos (capelães).
                Mas há acontecimentos de teor mais grave. Três deles – um ateu de esquerda, um católico e outro de matriz afrobrasileira – relataram terem sido ameaçados de expulsão da carreira policial, caso se recusem novamente a participar dos cultos e das palestras organizadas pela IURD.
                Reveladores de uma verdadeira denúncia, aos relatos dos policiais citados são válidos para as PMs dos demais Estados onde a IURD entrou por completo. Esse ambiente de assédio e ameaça tem ocasionado um clima pesado na caserna, em especial sobre os de patentes mais baixas.
                Efeitos na rotina – quando observamos o trabalho da polícia militar, costumeiramente pensamos ser limitado a operações de guerra nas periferias e rondas com eventuais abordagens. Acontece, porém, que as funções da PM nas ruas são variadas e demandam boa saúde psicológica.
                Policiais são pessoas únicas como qualquer outra. Mas, assédios e ameaças atestam a recusa dos oficiais em respeitar um quesito hoje valorizado para a boa qualidade do trabalho. Daí compreendermos como a desigualdade militarista pode pesar sobre o preparo e a saúde mental entre as patentes mais baixas.
                A culpa da IURD – mas só ofensa não justifica a violência policial contra pobres e submissão aos mais bem providos. A neofascistização evangélica – uma reedição do cristofascismo pregado pelos missionários macarthistas[1] de outrora – pode explicar também. Ameaças para impor participação nos cultos atestam isso.
                O casamento entre o ideário bolsonarista e as duas maiores correntes evangélicas (neopentecostal e pentecostal) desde o pós-Dilma recrudesceu o instinto violento no seio das casernas, já sob infiltração da IURD – que por oportunismo apoiou Jair Bolsonaro antes e durante a presidência.
                Luz no fim do túnel – as casernas militares têm sido o lugar mais fértil para mais um pioneirismo da IURD: a teologia do domínio. Na prática com viés ideológico, ela visa homogeneizar a sociedade pela versão mais purista e radical de cristianismo – se for na linha evangélica, melhor ainda para o poder deles.
                Apesar do protagonismo militar na implantação de regimes totalitários, as instituições militares não são necessariamente monolíticas. No Brasil, se herdeiros da ditadura como Augusto Heleno e Vilas-Boas quiseram novo golpe, outro grupo do oficialato militar impediu Jair Bolsonaro de ir à frente.
                A nova fascistização da fé nas casernas não chega a atingir 100% dos quadros.  Os casos acima expostos são apenas amostra de uma parcela que pode ser considerável. Há nomes importantes, como o deputado estadual Leonel Radde (PT-RS), um dos pioneiros dos PMs antifascistas no Brasil.
                Referência na esquerda, Radde tem milhares de seguidores no Brasil – milicos e civis. Ele pode ser acionado para liderar a reação contra a evangelização compulsória nos poderes públicos, que são obrigatoriamente laicos por lei desde 1891, com reforço de dispositivos posteriores.
                Afinal, além da ilegalidade flagrante, as ameaças dos oficiais contra os que discordam dos cultos obrigatórios da IURD manifestam intolerância religiosa, que é crime por lei, nas mesmas bases da lei do racismo de 1989.
                Embora seja importante separar a religião da política – afinal, as ameaças dos oficiais sinalizam intolerância promovida –, a IURD (e por que não outras denominações correlatas) encontram nas casernas militares em geral o lugar perfeito para o objetivo da teologia do domínio: a homogeneização social pela fé.

Nota:
[1] referente ao governo fascista McCarthy (EUA) que enviou missionários para incitar a fé fascista entre nós nos anos 1950 contra o socialismo.
Para saber mais
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O PORTA-VOZ DO CRIME

                Como os demais sudestinos, os mineiros também têm sido pródigos em votar muito mal. Após 20 anos de PSDB, o desastroso Zema foi reeleito e, nas recentes pesquisas para 2026, estão em alta para sucedê-lo bizarrices como o Cleitinho e o rei das mentiras Nikolas Ferreira, agora suspeito de incentivar um esquema bilionário com PCC e tudo.
                Nikolas mais uma vez ganha espaço crítico aqui. Filho de pastor rico em BH, jovem, branco, limpo e escolado, casado e pai de 2 crianças – uma a caminho –, Nikolas teria tudo para ser um influenciador social modelo. Mas, em nome de lucro e poder, escolheu enveredar na antiética cristofascista que agora o melindra.
                Vereador – na vereança, ele abraçou o forte ideário LGBTfóbico que já o condenou judicialmente em três fatos: uma ofensa viral contra uma aluna trans em banheiro feminino da escola de sua irmã, e outras duas contra a colega Duda Salabert (2021-2). E foi além: ainda votou contra a prefeitura de BH.
                Para recuperar a cidade afetada pelas enchentes, Fuad Noman fez proposta orçada em R$ 1 bi. Enquanto Duda votou a favor, Nikolas votou contra (de minerva) para depois comemorar nas redes, ainda ofendendo o ex-prefeito com calúnia de incentivo à pedofilia devido à publicação da ficção Cobiça em 2020.
                A repercussão dessa ofensa viral foi tão negativa publicamente que ele foi até chamado de vagabundo por alguns críticos. Alguns políticos também o criticaram. E mesmo assim, não aprendeu nada com o tempo. Hoje, graças a uma denúncia do MP-MG sobre a calúnia, seu mandato está mais vulnerável.
                Deputado – eleito com recorde de votos, Nikolas declarou guerra ao eleito Lula 3. Na tribuna em 8/3, com peruca loira, ele propôs às mulheres procriação em massa porque “estão perdendo terreno para homens que querem ser mulheres”. Reduziu mulheres a meras parideiras e ofendeu LGBTQ+.
                Na LGBTfobia, seu principal alvo é a colega opositora Érika Hilton. Fora do sexismo, ele foi favorável à taxa das blusinhas, PL da devastação ambiental, Marco temporal, comparação penal de aborto a homicídio, isenção dos mais ricos e porte de armas de fogo. É favorável à PEC da impunidade[1] e à mídia não regulada.
                Das fake news, seu destaque foi a taxação do pix, cujo impacto social fez o governo recuar em MP que fiscalizaria valores acima de R$ 5 mil. Érika Hilton o desmentiu com igual impacto e enfrenta ameaças de morte desde então. Nikolas é coautor de PL que destina material eletrônico apreendido a escolas. Mas com um objetivo bem diferente.
                Empresa cristofascista – antes da carreira política, Nikolas já era conhecido entre jovens como influencer cristofascista em vídeos bem editados e com media trainning. Inicialmente bancado pelo pai, ele lucrou na rede e teve sucesso eleitoral. Além do canal monetizável[2], ele é um grande empresário online.
                Nikolas é sócio de uma startup chamada Destra – que indica ação à direita. Matéria investigativa do Intercept Brasil revela que a Destra dá cursos ministrados por bolsonaristas ou olavistas para aspirantes a políticos cristofascistas. Isso não é ilegal, mas a empresa ganhou R$ 750 mil em anúncios nas redes da Meta.
                PL 1674/2022 – os lucros extras de Nikolas e aliados levaram o colega Chico Alencar a criar PL que coíbe agentes públicos e políticos de obter vantagem indevida com monetização de conteúdo e anúncios de negócio privado. Alcunhado PL anti-Nikolas, chegou a ser debatido, mas aguarda votação devido ao contexto político do momento.
                Primo traficante e crime bilionário – enquanto a PL de Chico Alencar não segue, a PF flagrou carro contendo mais de 30 quilos de maconha e 3,2 gramas de cocaína no porta-malas em rodovia de BH e prendeu em flagrante o condutor Glaycon Fernandes, primo de Nikolas – que foi flagrado estremecendo nas bases.
                Nikolas foi pressionado a se pronunciar e foi às redes: “quem é preso com drogas merece cadeia”. E reagiu acusando a esquerda de associá-lo à prisão. “Não é algo que me envolva. O que eu vejo é mais uma tentativa frustrada de desgastarem minha imagem”, desabafou desprezando o bom intento dos colegas.
                A PF descobriu que Glaycon tem ligação com a facção paulista PCC. Então representada por Ana Carolina Santos Machado, a defesa dele solicitou liberdade provisória, mas a Justiça de MG converteu a prisão em flagrante em preventiva, para evitar algo pior. Mas ocorreu algo não imaginado, de outra forma.
                Em Sampa, a operação Carbono Oculto da PF na Faria Lima descobriu um esquema bilionário envolvendo o PCC, postos de gasolina, fintechs (financeiras digitais) e assessoria do governador Tarcísio. A repercussão da notícia respingou em Nikolas, a partir da entrevista com o secretário da Receita Federal.
                Nessa entrevista, o secretário Robinson Barreirinhas afirmou que o recuo forçado da inclusão do pix maior de R$ 5 mil no rastreio de transações financeiras se deveu à divulgação da mentira de Nikolas, permitindo o rolo bilionário da orcrim. Essa fala foi relevante para a investigação da PF.
                Há uma realidade impossível de ser ignorada. Assim como Jair Bolsonaro enriqueceu mais R$ 30 milhões com pix de doadores, se suspeita de que o vídeo de Nikolas tenha sido bancado por grana lavada da orcrim, através de uma empresária ligada aos criminosos. Assim, ele vira alvo da PF.
                Análise final – a intenção deste artigo passa longe de acusar ou fomentar acusações a Nikolas em relação à sua fake news do pix. O ônus do acusador é a prova. São os fatos os maiores acusadores, que o revelam contrário à regulação estatal (legal) das mídias e do mercado financeiro. Só que a não regulação é terreno fértil para as orcrims.
                Não podemos afirmar ligação de Nikolas ao esquema PCC-Faria Lima. O intento dele com a mentira do pix foi atingir Lula e blindar os altos valores em pix feitos pela elite financeira. Mas o efeito de sua mentira foi deletério para a nação e para os recursos públicos desviados pelos criminosos no esquema citado.
                Mas o que Nikolas parece não refletir é que a sua coleção de condenações pode aumentar. E pode ultrapassar a simples cassação de seu mandato e inelegibilidade. Se a investigação comprovar o suspeito financiamento do vídeo, Nikolas pode ser condenado até mesmo a anos de cadeia – em regime fechado.
Nota:
[1] propõe que parlamentares só sejam julgados por 2/3 do colegiado do STF exclusivamente por crimes inafiançáveis flagrados em cometimento.
[2] recebe por curtidas, inscrições e divulgação.
Para saber mais
- ClaysonDenúncia grave:  Nikolas pode ter sido bancado por criminosos em vídeo que favoreceu PCC, 29/8/25, in https://www.youtube.com/watch?v=tdfKNpnbFLw
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CURTAS 106 - ANÁLISES (Lula e samba; Polilaminina)

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