sábado, 25 de outubro de 2025

CURTAS 102 - ANÁLISES (Charlie Kirk, terror de Trump)

 

O NOVO MÁRTIR DA ULTRADIREITA

                Brasília, 11/9/25: o ex-presidente Bolsonaro e mais 7 réus do comando da intentona do 8/1, 6 dos quais milicos, foram condenados pela 1ª turma do STF. Desesperados, os parlamentares bolsonaristas criaram mais furdunço pela PL da anistia dos golpistas e a PEC da impunidade.
                Mas um fato incendiou o forte clima político de Brasília: jornais noticiaram o homicídio do influenciador político estadunidense Charlie Kirk, durante sua palestra no pátio de universidade em Utah. A bala acertou o pescoço de Kirk, que bateu as botas a caminho do hospital.
                Nas investigações iniciais, a polícia prendeu o jovem Tyler Robinson, entregue pelo pai. Diante das lacunas encontradas no depoimento do rapaz e da incerteza de testemunhas, a polícia o mantém detido como suspeito enquanto ainda rastreia a autoria criminal pelas circunstâncias.
                Por ter ocorrido nos EUs, o fato chegou ao Brasil reverberando com profundidade e alimentando conspirações enquanto os investigadores estadunidenses apenas têm um suspeito em mãos. Mas, por que os bolsonaristas conspiram tanto em torno de uma história ainda em investigação?
                Quem foi Kirk – Charlie Kirk seria só mais um não fosse a febre política. Incialmente radialista moderado, ele se tornou um influencer extremista, ultracristão e defensor da supremacia anglo-saxônica e sociedade homogênea com milhões de seguidores. Era casado e pai de 2 crianças.
                Relevância – a relevância está muito mais na conexão ideológica entre bolsonaristas, Trump e Kirk do que a morte deste último. A ligação tem muito a ver com as prioridades políticas da ultradireita, que se distanciam da necessidade de bem-estar social e agudizam o ultracapitalismo.
                A relevância também está na suposta ideologia do assassino. Enquanto simpatizantes à direita o acusam de ser extrema-esquerda, grupos de esquerda dizem o contrário. Vasculhando comentários em postagens nas redes de Kirk, a polícia percebeu que alguns o consideravam moderado.
                Em fria análise, cabe dizer que, ao contrário do Brasil, os EEUU não criminalizam o nazismo e seus correlatos. Já houve manifesto de neonazis em rua de um bairro judeu de Nova Iorque, sem nenhum incômodo policial – bem diferente dos reprimidos movimentos de esquerda.
                Apesar de Kirk defender a supremacia branca, não está claro se ele era antissemita. Daí a polícia apostar na ideologia do assassino ser extremista. Tyler Robinson se disse mais à direita do que a família, sem mencionar antissemitismo. O que pode ser uma pista importante.
                Spoiler: o ódio antissemita não se restringe aos judeus. Ele se estende a todos os descendentes da cultura Sem (referência ao filho de Noé no mito bíblico), um povo do Neolítico tardio que viveu na então fértil Península Arábica (de 10.000 a 5.000 antes da era comum).
                De qualquer forma, para Trump, Kirk já está na sua galeria de mártires, e no sentimento dos bolsonaristas. E, pela política externa estadunidense se arrogar em dominar o mundo, isso é muito perigoso para o delicado equilíbrio da balança geopolítica global.
Referências
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O TERROR SEGUNDO TRUMP

                No Brasil, terrorismo é “ação premeditada e deliberada contra a ordem pública e o patrimônio” por motivos variados de ódio, inclusa a diversidade social, cultural-religiosa e política. A ONU o define como “ato para invocar terror público por motivos e fins políticos”.
                Donald Trump criou seu conceito de organização terrorista. Antes da morte de Charlie Kirk, ele incluiu o narcotráfico sul-americano. Após o assassinato, grupos antifascistas (“antifas”) entraram na lista. Excluiu os fundamentalistas cristãos e judeus, mas mantém os islâmicos.
                Lula 3 discordou baseando-se na legislação e na autodeterminação dos povos. Trump contradiz a lei e prega islamofobia e arabofobia. E ainda mente omitindo a destruição sistemática de escolas, hospitais, igrejas e mesquitas palestinas pelas forças de Israel.
                Narcotráfico e milícias – a visão trumpista de narcotráfico terrorista pode ter sentido, por haver ligações entre políticos e líderes de facções poderosas. Aí entram também as organizadas milícias, que ameaçam e extorquem geral impondo clima de tensão constante nas comunidades.
                É uma bomba-relógio que explode em tiroteios gerando caos social local. As orcrims então são terroristas? Se coincidir com as especificações da nossa lei, sim. Mas, pelo eco midiático, elas podem sê-lo internacionalmente? Só o Direito Internacional dirá.
                A contaminação do terreno político pelo crime organizado ameaça o funcionamento institucional adequado, com ameaças de destruição e bombas, para terem mais poder e controle. A depender do momento, elas podem, sim, assumir perfil terrorista, conforme a nossa lei.
                Fundamentalistas- são radicais. No viés religioso, os islâmicos são mais conhecidos aqui. Mas grupos organizados cristãos e judeus também impõem terror pelo ódio, mutuamente. No viés ideológico há movimentos extremistas à direita e à esquerda com ódio mútuo.
                Radicais islâmicos odeiam cristãos e judeus. Judeus atacam islâmicos e cristãos. Na presente guerra, fanáticos judeus militares bombardearam todas as mesquitas e igrejas palestinas. A guerra católico-protestante é secular. No Brasil, cristãos depredam terreiros de axé.
                Um exemplo fático de terror ideológico considerando-se nossa legislação é a intentona golpista de 8/1/23: depredação de patrimônio tombado por puro ódio, como ponto culminante do inconformismo com a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro em 2022.
                Antifascistas (antifas)– são correntes antiautoritárias não organizadas. Democráticos na essência, em parte veem o Estado como fonte do autoritarismo. Eles podem tanto propor quanto seguir manifestos populares contra a repressão política e/ou institucional.
                O que não impede uma visão controversa sobre eles. No Brasil, parte da elite os considera radicais, não só por condenarem toda forma de extremismo, mas também por criticar os governos que se curvam aos caprichos do mercado, que, sim, também pode ser extremista.
                Em fria análise final, a inclusão do narcotráfico como terrorista por Trump pode fazer sentido. Mas, com cautela. Alguns líderes políticos conhecidos têm ligações com grupos criminosos, que podem incitar ações terroristas em situações muito específicas.
                A alegação de Trump de serem narcotraficantes carregando drogas em pequenas embarcações atacadas pelos EUs em águas internacionais, sem provas, não cola. As imagens não provam nada da sua fala. Quem realmente está invocando terror aí? Com certeza, não são os barqueiros.
                A exclusão de radicais cristãos da lista de Trump tem motivação clara: sua campanha teve forte impulso do pentecostalismo, que mantém o caráter fascista dos tempos de McCarthy, e envia missionários patrocinados para a América do Sul visando a dominação política e religiosa.
                O viés democrático dos antifas destitui de sentido a inclusão deles como terroristas por Trump. Mas a razão dele é objetiva: ele quer calar a oposição ao seu governo. Mas o que mais o incomoda é que os antifas revelam, nos manifestos pelos EUs, que ele próprio é o grande terrorista.
Nota:
¹se refere o personagem Abrahão, personagem constado no Talmud judeu, no antigo testamento bíblico e no Alcorão.
Para saber mais
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