O
NOVO MÁRTIR DA ULTRADIREITA
Brasília,
11/9/25: o ex-presidente
Bolsonaro e mais 7 réus do comando da intentona do 8/1, 6 dos quais milicos,
foram condenados pela 1ª turma do STF. Desesperados, os parlamentares
bolsonaristas criaram mais furdunço pela PL da anistia dos golpistas e a PEC da
impunidade.
Mas
um fato incendiou o forte clima político de Brasília: jornais noticiaram o
homicídio do influenciador político estadunidense Charlie Kirk, durante sua
palestra no pátio de universidade em Utah. A bala acertou o pescoço de Kirk,
que bateu as botas a caminho do hospital.
Nas
investigações iniciais, a polícia prendeu o jovem Tyler Robinson, entregue pelo
pai. Diante das lacunas encontradas no depoimento do rapaz e da incerteza de
testemunhas, a polícia o mantém detido como suspeito enquanto ainda rastreia a
autoria criminal pelas circunstâncias.
Por
ter ocorrido nos EUs, o fato chegou ao Brasil reverberando com profundidade e
alimentando conspirações enquanto os investigadores estadunidenses apenas têm
um suspeito em mãos. Mas, por que os bolsonaristas conspiram tanto em torno de
uma história ainda em investigação?
Quem
foi Kirk – Charlie Kirk seria
só mais um não fosse a febre política. Incialmente radialista moderado, ele se
tornou um influencer extremista, ultracristão e defensor da supremacia
anglo-saxônica e sociedade homogênea com milhões de seguidores. Era casado e
pai de 2 crianças.
Relevância – a relevância está muito mais na conexão ideológica
entre bolsonaristas, Trump e Kirk do que a morte deste último. A ligação tem
muito a ver com as prioridades políticas da ultradireita, que se distanciam da
necessidade de bem-estar social e agudizam o ultracapitalismo.
A
relevância também está na suposta ideologia do assassino. Enquanto
simpatizantes à direita o acusam de ser extrema-esquerda, grupos de esquerda
dizem o contrário. Vasculhando comentários em postagens nas redes de Kirk, a
polícia percebeu que alguns o consideravam moderado.
Em fria
análise, cabe dizer que, ao contrário do Brasil, os EEUU não criminalizam o
nazismo e seus correlatos. Já houve manifesto de neonazis em rua de um bairro
judeu de Nova Iorque, sem nenhum incômodo policial – bem diferente dos
reprimidos movimentos de esquerda.
Apesar
de Kirk defender a supremacia branca, não está claro se ele era antissemita.
Daí a polícia apostar na ideologia do assassino ser extremista. Tyler Robinson
se disse mais à direita do que a família, sem mencionar antissemitismo. O que
pode ser uma pista importante.
Spoiler: o ódio antissemita não se restringe aos judeus. Ele
se estende a todos os descendentes da cultura Sem (referência ao filho
de Noé no mito bíblico), um povo do Neolítico tardio que viveu na então fértil
Península Arábica (de 10.000 a 5.000 antes da era comum).
De
qualquer forma, para Trump, Kirk já está na sua galeria de mártires, e no
sentimento dos bolsonaristas. E, pela política externa estadunidense se arrogar
em dominar o mundo, isso é muito perigoso para o delicado equilíbrio da balança
geopolítica global.
Referências
- https://www.intercept.com.br/2025/09/20/charlie-kirk-quando-a-midia-transforma-extremista-em-martir/
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No
Brasil, terrorismo é “ação premeditada e deliberada contra a
ordem pública e o patrimônio” por motivos variados de ódio, inclusa a
diversidade social, cultural-religiosa e política. A ONU o define como “ato
para invocar terror público por motivos e fins políticos”.
Donald
Trump criou seu conceito de organização terrorista. Antes da morte de
Charlie Kirk, ele incluiu o narcotráfico sul-americano. Após o
assassinato, grupos antifascistas (“antifas”) entraram na lista. Excluiu
os fundamentalistas cristãos e judeus, mas mantém os islâmicos.
Lula
3 discordou baseando-se na legislação e na autodeterminação dos povos. Trump
contradiz a lei e prega islamofobia e arabofobia. E ainda mente omitindo a
destruição sistemática de escolas, hospitais, igrejas e mesquitas palestinas pelas
forças de Israel.
Narcotráfico
e milícias – a visão trumpista
de narcotráfico terrorista pode ter sentido, por haver ligações entre políticos
e líderes de facções poderosas. Aí entram também as organizadas milícias,
que ameaçam e extorquem geral impondo clima de tensão constante nas comunidades.
É uma
bomba-relógio que explode em tiroteios gerando caos social local. As orcrims
então são terroristas? Se coincidir com as especificações da nossa lei, sim.
Mas, pelo eco midiático, elas podem sê-lo internacionalmente? Só o Direito
Internacional dirá.
A
contaminação do terreno político pelo crime organizado ameaça o funcionamento institucional
adequado, com ameaças de destruição e bombas, para terem mais poder e controle.
A depender do momento, elas podem, sim, assumir perfil terrorista, conforme a
nossa lei.
Fundamentalistas- são radicais. No viés religioso, os islâmicos
são mais conhecidos aqui. Mas grupos organizados cristãos e judeus também impõem
terror pelo ódio, mutuamente. No viés ideológico há movimentos extremistas
à direita e à esquerda com ódio mútuo.
Radicais
islâmicos odeiam cristãos e judeus. Judeus atacam islâmicos e cristãos. Na presente
guerra, fanáticos judeus militares bombardearam todas as mesquitas e igrejas
palestinas. A guerra católico-protestante é secular. No Brasil, cristãos depredam
terreiros de axé.
Um exemplo
fático de terror ideológico considerando-se nossa legislação é a intentona
golpista de 8/1/23: depredação de patrimônio tombado por puro ódio, como
ponto culminante do inconformismo com a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro em
2022.
Antifascistas
(antifas)– são correntes antiautoritárias
não organizadas. Democráticos na essência, em parte veem o Estado como fonte do
autoritarismo. Eles podem tanto propor quanto seguir manifestos populares
contra a repressão política e/ou institucional.
O
que não impede uma visão controversa sobre eles. No Brasil, parte da elite os considera
radicais, não só por condenarem toda forma de extremismo, mas também por criticar
os governos que se curvam aos caprichos do mercado, que, sim, também pode ser
extremista.
Em
fria análise final, a inclusão do narcotráfico como terrorista por Trump
pode fazer sentido. Mas, com cautela. Alguns líderes políticos conhecidos têm
ligações com grupos criminosos, que podem incitar ações terroristas em
situações muito específicas.
A
alegação de Trump de serem narcotraficantes carregando drogas em pequenas
embarcações atacadas pelos EUs em águas internacionais, sem provas, não cola. As
imagens não provam nada da sua fala. Quem realmente está invocando terror aí? Com
certeza, não são os barqueiros.
A exclusão
de radicais cristãos da lista de Trump tem motivação clara: sua campanha teve
forte impulso do pentecostalismo, que mantém o caráter fascista dos tempos de
McCarthy, e envia missionários patrocinados para a América do Sul visando a dominação política e religiosa.
O viés
democrático dos antifas destitui de sentido a inclusão deles como terroristas
por Trump. Mas a razão dele é objetiva: ele quer calar a oposição ao seu
governo. Mas o que mais o incomoda é que os antifas revelam, nos manifestos
pelos EUs, que ele próprio é o grande terrorista.
Nota:
¹se
refere o personagem Abrahão, personagem constado no Talmud judeu, no antigo
testamento bíblico e no Alcorão.
Para saber mais
- https://www.intercept.com.br/2025/09/20/charlie-kirk-quando-a-midia-transforma-extremista-em-martir/
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