quarta-feira, 29 de julho de 2026

CURTAS 116 - ANÁLISES (os traidores da pátria; reforço a Flávio)

 

A CARTA DA ALTA TRAIÇÃO

                    Já dentro do prazo de 90 dias da eleição, o Brasil entrou no defeso eleitoral, um conjunto de deveres ligados à política. Proibição de campanhas em instituições públicas e religiosas; convenções partidárias para oficializar candidaturas; pré-candidatos entram em licença-política não remunerada de até 3 meses. Essas e outras descrições constam na Lei 9504/1997, a Lei das Eleições.
                    Ainda assim há quem aja fora da lei. É o caso do presidenciável Flávio Bolsonaro, que em fevereiro fez comício com dancinha no carnaval aqui e ali no Brasil, e também foi aos EUs não só em “missão oficial” de encontrar Trump: ele fez comício para compatriotas que vivem lá e dançou carnaval no Nordeste. Passou incólume. Políticos da ultradireita têm ido a certas megaigrejas evangélicas para receber rezas e incentivos dos respectivos pastores.
                    Por ido ver o Carnaval na Sapucaí a convite, Lula quase saiu de cena, acusado de campanha antecipada. Tudo porque uma escola de samba o homenageou em enredo. Foi uma ação desesperada do PL, diante da escalada de notícias de escândalos financeiros envolvendo Flávio em grupo criminoso formado por Master-Vorcaro, os governos Claudio Castro e Ibaneis Rocha e vários colegas de partido na Alerj ligados ao CV. Mas, ao final, o STF julgou a ação improcedente.
                    Novas descobertas da PF, deputados aliados da Alerj presos e Castro inelegível pelo TSE depois, Flávio pediu a Trump para taxar o Brasil e atingir Lula. Deu ruim: ganhou a alcunha Tariflávio e caiu nas pesquisas eleitorais e Lula subiu. Ele pediu a Trump para adiar a taxa, que “está favorecendo Lula”. O presidente determinou valer a partir de 22/7.  Flávio então ganhou fôlego no desespero.
                    A carta da traição— desesperado, o presidenciável enviou uma carta aos EUs, recebida pelo secretário de Estado Marco Rubio. A carta de Flávio reitera o apoio aparente à designação de PCC e CV como organizações terroristas globais e apela para adiar o tarifaço, enfatizado nela como “favorável a Lula”. E sobre as eleições, acenou: “se eu for eleito, colchoarei minha equipe de transição à disposição dos Estados Unidos”.
                    Rubio lançou uma resposta em tom de afabilidade protocolar. Além de mencionar a manutenção do tarifaço e agradecer ao apoio de Flávio em relação a CV e PCC, Rubio disse “se sentir honrado pela generosa oferta”, finalizando que EUs estão “prontos para trabalhar cooperativamente com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para buscar uma estrutura de comércio e investimento ampla, justa e mutuamente benéfica”.
                    Não sabemos se Rubio foi sincero no final da resposta sobre as eleições. Até porque Trump não esconde que quer interferir no nosso pleito, e Eduardo Bolsonaro já apronta para haver mais sanções visando derrubar a economia daqui no final do governo Lula para influenciar a população. Diante de tudo isso, se revela a verdade de que a carta de Flávio é a prova cabal de um crime gravíssimo que vem sendo cometido pelos Bolsonaro.
                    A suprema gravidade de um crime— ainda neste ano, Flávio disse à CNN, que sente “inveja” dos ataques militares dos EUs e acrescentou que “ouvi dizer que há barcos [...] na baía de Guanabara inundando o Brasil com drogas”. Sugestão indireta que levou o deputado Lindbergh Farias a acionar o STF. Também à CNN, ele critica reiteradamente o STF. Apoia a deposição dos ministros e até sugeriu “uso da força se o STF não respeitar a Constituição”. Doce sabor da ironia...
                    Enquanto a ação de Lindbergh não sai, cabe citar que Flávio e Eduardo Bolsonaro cometem crime gravíssimo. “Se o Brasil virar terra arrasada, me sentirei vingado”, declarou Eduardo. Não é por ser governo Lula, é o intento golpista à distância, enfatizado ao encarar Trump como “seu chefe”. E Flávio completa em relação ao suposto ataque militar estrangeiro direto. É o crime de atentado contra a soberania nacional.
                    A gravidade do crime – também conhecido como alta traição à Pátria – é tamanha que se compara diretamente a crimes de guerra. Aliás, trata-se de um crime de guerra de fato, só que ainda incitado. Sendo tal delito julgado pelo Supremo Tribunal Militar (STM), a punição pode variar de 40 anos de prisão em presídio militar por incitação, à pena de morte por fuzilamento se concretizado. Isso pode motivar Lula e outros governantes contra a posição de Trump.
                    Flávio e Eduardo Bolsonaro veem no “narcotráfico terrorista” um brinquedo geopolítico. Extasiados, eles não parecem perceber a dimensão do perigo até para si mesmos. Drogas e armas são apenas 2 itens do tráfico. Tráfico é só um dos muitos crimes que envolvem muita gente da elite (financeira e empresarial). O grande terror é a política externa dos EUs. Os irmãos são recursos humanos a serviço dela – eis o auge da traição, à qual o combate a ser travado certamente os arrasará.
Para saber mais
- https://www.youtube.com/watch?v=Ji2Yd1GTJO0 (Mídia NinjaTrump taxa o Brasil e governo Lula prega a Lei de Reciprocidade, 16/7/26)
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UM REFORÇO PARA FLÁVIO

                    Flávio Bolsonaro se pôs à disposição para se candidatar à presidência da República pelo PL de Valdemar da Costa Neto. De acordo com as mídias em geral, ele não teria es disposto espontaneamente, e sim pela escolha a dedo pelo seu pai, o ex-presidente Jair. A promessa de “continuar o legado do pai” animou os bolsonaristas elevando as intenções de voto em pesquisas.
                    Mas, a sucessão de provas criminais o envolvendo nas relações com Vorcaro e o CV divulgadas pelas reportagens investigativas do Intercept Brasil e a encomenda de tarifaço de Trump para prejudicar Lula negativaram a sua imagem eleitoral. Já a de Lula aumentou, bem como a avaliação de seu governo na pesquisa do DataFolha.
                    Segundo os jornalões, a imagem chamuscada de Flávio provocou o afastamento dos partidários das federações PP-União Brasil e Avante-Republicanos. Hipocrisia: o centrão quase todo está na lista suja de Vorcaro.  O outro motivo é o efeito bombástico daquele vídeo de Michele Bolsonaro que o derruba como homem violento.
                    Os jornalões e os eleitores progressistas mais otimistas da deram praticamente certa a desistência de Flávio. O ambiente parecia totalmente desfavorável. Para piorar, ele mesmo fez um vídeo incriminador, no qual já teria “estancado” Michele “se ela não fosse casada com meu pai”. A repercussão geral foi explosiva. É explicável.
                    Na medicina, “estancar” é bloquear hemorragia de algum modo. Na gíria em certos lugares do Rio, esse verbo ganha significado sombrio, algo como o velho “cancelar CPF” – o que remete à possível ameaça de morte, daí a repercussão do vídeo. Depois, protocolarmente, Flávio pediu desculpas para selar uma trégua política.
                    Mas isso não atinge o público feminino, o mais antipático ao filho 1 de Jair. Mulheres evangélicas seguem Michele como representante da mulher plena de direitos, mas de valores cristãos e amorosa ao esposo – mesmo que, na prática, Michele segrede um perigo por trás da fachada. Ela não é do sangue Bolsonaro, e sua saída do PL Mulher pode significar a tendência teocrática já alertada pelo jornalista Otávio Guedes, da GloboNews.
                    Uma ajudinha— autoexilado nos EUs, de onde já não queria mais sair antes de ser cassado e perder o visto, Eduardo Bolsonaro conseguiu regularizar a sua situação no país. Foi autorizado pelo “chefe” Trump a receber o green card, espécie de RG de imigrantes legais permanentes. Contra o voto feminino, o misógino Paulo Figueiredo o felicitou. E de fato, esse documento diz muita coisa por trás de um simples papel.
                    Brasileiros esclarecidos e democratas consideraram a notícia péssima – e ótima para Flávio. Conforme a mídia adiantou, as conspirações reiteradas de Eduardo contra o Brasil o revelam como agente a serviço da CIA em favor da tomada do Brasil pelos EUs por meio do golpismo da ultradireita. Daí a reação sorridente de Flávio: aquilo dá fôlego à sua campanha golpista. Um grande reforço, na visão da famiglia.
                    O green card concedido a Eduardo foi, na prática, um gesto de reconhecimento de Trump sobre a utilidade do viralatismo bolsonarista para a realização de sua ambição desmedida em se enriquecer às custas dos minerais críticos do Brasil. Só que a coisa não foi tão barata assim: logo receberiam uma surpresa de Brasília.
                    Resposta brasileira— o green card de Eduardo ocorreu pouco antes de o Itamaraty vetar os vistos de entrada de dois supostos analistas estadunidenses que queriam questionar a validade e a segurança das urnas eletrônicas de operar sem Internet. O governo percebeu de imediato se tratarem de empregados a serviço de Trump e dos irmãos Bolsonaro.
                    Na visão dos jornalões, o ato de Lula reforça o atrito entre Brasil e EUs. Uma visão tão trumpista e vira-lata quanto a dos bolsonaristas contra os quais eles se declaram críticos.  Portanto, os jornalões não só distorcem a essência fática – o ato soberano do governo brasileiro sobre os recursos do subsolo, que por lei pertencem à União –, também incitam eleitores a reeleger entreguistas corruptos.
                    Mas, já sabemos que o viés das matérias de política e economia dos jornalões é controlada pelo patronato do mercado financeiro. Omitir o golpismo de Flávio – paranoia da esquerda, dizem – é parte desse controle, assim como a aura em torno de Ronaldo Caiado em defesa dos grandes agropecuaristas, todos à direita. No entanto, este pode não ser o maior dos problemas. O pior é a falta de consciência popular sobre esse silêncio ser um reforço para a ultradireita.
Para saber mais
- https://www.instagram.com/reel/DbCHjjwgWnv/. (ICL Notícias, 20/7/26- Green card de Eduardo Bolsonaro é endosso de Trump para a extrema-direita brasileira.)
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