domingo, 13 de novembro de 2022

~CURTAS - ANÁLISES RÁPIDAS 9

 

Uma limpeza difícil

        Lula disse que, “se eleito, farei o governo da minha vida”. Não há como saber de início, mas já sabemos que ele terá desafios que talvez nunca tenha enfrentado em toda a sua experiência política. E o que vimos nesse tempo nos dá uma mostra de sua relevância.
        Na reascensão da extrema-direita na segunda metade dos anos 2010, o pleito de 2018 revelou tipos “delegados” e militares como cabos, majores, sargentos, que engordaram bancadas reacionárias no Congresso. Todos da esteira de Jair Bolsonaro.
        No pesadelo de 4 anos, esses personagens se juntaram ao Centrão na boquinha do orçamento secreto, na aprovação de diversos retrocessos e na disseminação de fake news para turbinar suas campanhas como Bolsonaro. Alguns se desfizeram do governo, e outros morreram de C19 ou devido a repentes estranhos, por serem teoricamente sadios.
        Mas, a partir de 2023, a tropa de choque bolsonarista promete ser desafiadora para Lula. Nas negociações para consertar parte dos estragos de Bolsonaro, ela poderá impor percalços, e Arthur Lira pode condicionar as aprovações progressistas no apoio à sua campanha de reeleição na Câmara.
        Com a derrota eleitoral de Bolsonaro, muitos imaginarão os bolsonaristas fraquejados, mas pode ser enganoso: ele ainda está presidente até o fim do fogaréu em 31/12. Se a transição mostra já ser difícil, imagine o quão espinhosa será a limpeza da maior parte do lixo bolsonarista no governo.

Fonte: interpretação baseada em observação dos fatos políticos em diversas fontes.
----

Se houve fraude, não foi nas urnas

        Na véspera do 2º turno, pastores gospels advertiram mais aos fiéis e empresários chantagearam empregados, para votarem em Bolsonaro, enquanto mais mentiras eram disseminadas nas redes sociais por influencers e eleitores bolsonaristas.
        Ao vivo, foi ao ar um flagra de fraude eleitoral prévia no interior, por uma equipe comandada por Caco Barcellos, do bom Profissão Repórter, da Globo, que contribui para a formação de novas gerações de jornalistas.
        A equipe se dividiu em três, para regiões distintas do interior brazuca: Ouricuri (PE), Indaial (SC) e Coronel Sapucaia (MS). Em respectivo, no 1º turno, deu 84% Lula, 72% Bolsonaro e empate. No 2º turno, em Sapucaia, Bolsonaro venceu significativamente.
        Em Sapucaia flagraram reunião da Prefeitura com populares em 29/10. Funcionários anotavam nomes e documentos dos inscritos. Foi possível identificar o ganho do Auxílio Brasil condicionado ao voto em Bolsonaro, cujos registros seriam encaminhados ao MDS¹.
        Quando indagados sobre o fato, o prefeito e funcionários hostilizaram os repórteres, enquanto os populares optaram por se silenciar. O problema é que, na prática, isso revela o caráter fraudulento do esquema, ao invés de escondê-lo.
        Durante o pleito, as polícias abusaram. Nas estradas nordestinas a PRF desrespeitou a norma do TSE com blitzes demoradas, enquanto PMs atacavam eleitores de vermelho em seções eleitorais em várias cidades. Em ambos os fatos há vídeos e relatos.
        Com Lula eleito, bolsonaristas protestaram interditando rodovias por dias, cancelando viagens e tocando bizarrices com apoio das polícias. Quem resolveu o problema foram torcidas organizadas que afugentaram a geral e atemorizaram motoristas inocentes.
        Em futuro próximo tais fatos serão esquecidos pela geral, mas politicamente não. Eles são a prova viva de que só a segurança das urnas não impede a fraude e induz a estatísticas artificiais. A maior insegurança está nas pessoas e não nas máquinas.

Nota da autoria:
¹ Antigo Ministério do Desenvolvimento Social, hoje secretaria na pasta da Cidadania por Bolsonaro.

Para saber mais
- https://www.brasildefato.com.br/2022/11/02/suspeita-de-fraude-eleitoral-envolve-bolsonaro-em-denuncia-divulgada-na-globo-veja-repercussao
----

O trabalhador e o vagabundo

        Após a condenação e consequente prisão de Lula, a eleição de Jair Bolsonaro se deu, além das pautas já abordadas no blog, também por suposta vidência mística de que ele “é o cara que rumaria o país para o desenvolvimento social e econômico”.
        Na transição, Bolsonaro passou a impressão de que seria um governo bem ativo, dada a forte movimentação de textos dos muitos textos de decretos e medidas provisórias que marcaram o seu governo desde após a cerimônia de posse.
        Mas a atividade depende dos protagonistas. Enquanto Guedes, Lira e Pacheco tocaram no capital anárquico, Bolsonaro tocou o terror em festivas aglomerações, motociatas, censura e o desprezo à dor de centenas de milhares de famílias das vítimas de seu governo.
        Ao final do pesadelo de 4 anos, Lula volta a ser presidente pela 3ª vez, pela escolha do povo. E agora, mal acabada a festa popular, ele já tece a teia de governo e, convidado para a CPO27 no Egito, bota Alckmin para agir internamente, em um governo pré-posse.
        O septuagenário petista demonstra o seu “tesão de 20 anos” em trabalho, enquanto os filhos do inconformado Bolsonaro correm para ter passaporte de cidadania italiana. Com isso, vale a reflexão final de que retiramos um vagabundo pondo de volta um trabalhador.
        Até porque Lula disse que "este será o governo da minha vida". Que desejemos sorte, sabedoria e sagacidade para lidar com tantas situações espinhosas pela frente.
Fonte: análise reflexiva a partir da leitura de matérias do momento de várias mídias.

----


Bolsominions: a cada meme, a má educação

        Com a derrota de Bolsonaro, os bolsominions (termo para apontar os fanáticos pelo extremista) reagiram muito mal. Para compensar o peso do luto seguido de revolta, vinha em momentos a euforia alegre a cada mentira propalada.
        Com essa derrota incontestável veio outra compensação psicológica além das mentiras: o apelo por intervenção federal, eufemismo que designa o golpe militar, pois querem "um Brasil melhor", para "afastar o comunismo", sem saberem informar o que é isso.
        Sinalizando o sequestro mental do bolsonarismo, os bordões se somam a bizarrices atitudinais tornadas memes virais nas redes a repercutir internacionalmente. Mas nem todos riem dessa soma de coisas, que gerou reflexões sobre a gravidade sociopolítica do país.
        Para João Cezar Rocha, especialista em extremismo, essa conjuntura bizarra nos dá a mostra do Brasil como zona fértil para criar realidade paralela. EUA e países do Leste europeu (Polônia, Hungria e Ucrânia) estão parecidos, após o clássico exemplo alemão dos anos 1930.
        Rocha aponta a ligação de forte religiosidade popular, militarismo, educação acrítica e política mercantilista como criadora da conspiratória "guerra cultural". Foi assim que a Alemanha nazista, a nossa ditadura e os três do Leste europeu criminalizaram o impraticável comunismo.
        Autodeclarados antissistema, os atuais governos do Brasil e o Leste europeu entregam nações ao anarcocapitalismo, o capital ilimitado e mais perverso que sacrifica pobres, minorias socioculturais e o meio ambiente para impedir o mais utópico e sonhado dos sistemas.
        Nesse paralelismo alienado conspiratório, as bizarrices distorcem ou invertem valores, o "herói político" envolvido é o endeusado combatente do "demoníaco" comunismo que, no Brasil, se vê em Lula e nas esquerdas em geral, e até em alguns adversários na direita política.
        Para se chegar a esse quadro, foi preciso deteriorar a política educacional. Depreende-se, portanto, a urgência do seu resgate e o seu consequente aprimoramento. Ainda assim, o tempo demandado para algum efeito será longo para mitigar os danos. Mas, antes isso do que continuar do jeito que está.
        É notório que, para se chegar a esse estado de coisas, foi preciso deteriorar a educação como política. Portanto, a cada meme há deseducação e entende-se que urge e ruge o seu resgate e consequente melhora. O que significará resgatar também muito dessa turma abilolada. 
        E mais: tal resgate só terá efetividade se houver educação política. Mesmo que saibamos ser esse o temor dos poderosos, ela é imprescindível para mitigar os danos mentais tornados memes. E olha que o efeito tomará muito tempo. Mas não importa: antes tarde do que nunca.
Fonte: análise reflexiva sobre leituras de matérias e vídeos de várias mídias.
----

Lula chora e mercado surta

        Eleito presidente, Lula já começou arregaçando as mangas e botando seu vice Alckmin também para trabalhar, na montagem da equipe de transição e nas conversas com o parlamento sobre a PEC que não só promete impulsionar o Auxílio Brasil, como também ressuscitar o Bolsa Família.
        Pois bem. Acompanhado de Alckmin, Janja e de parte de sua equipe de transição, Lula discursou no Centro Cultural Banco do Brasil há 2 dias. No discurso tratou de diversos temas que despertam interesse na sociedade sobre seu governo. E não podia faltar um tema: o social.
        Nesse tema, alvo da PEC do novo Bolsa Família, não tinha como escapar um assunto que permeia o político: a fome. Ele criticou a era pós-Dilma no que se refere ao desprezo pelo social: "depois do que fizemos, eu não imaginava que a fome pudesse voltar nesse país".
        A clareza da crítica nos retrocessos do pós-Dilma no social residiu principalmente em não entender a incoerência do agronegócio. E revelou seu apelo: "no dia em que cada brasileiro estiver comendo eu terei cumprido a minha missão". E chorou, aplaudido de pé pelos presentes.
        Foi aí que as grandes mídias divulgaram a queda nas bolsas de valores e a forte subida do dólar frente ao real, e com isso o mercado deu chilique. Não surpreende, pois não é a primeira vez que a grande mídia usa o apelo social de Lula para explicar a reação mercadológica.
        O mercado surta com esse apelo porque é justamente de dividendos oriundos da grana pública que ele vive e se deixa viver, na roda do chamado capital improdutivo, que se caracteriza por lucrar mais pelo que o povo paga de impostos do que pela própria capacidade produtiva.
        Em verdade, isso é uma estratégia capitalista por excelência. Ele se vale do sacrifício das classes menos favorecidas, tal como um predador mata a sua presa para se nutrir. Como disse Eduardo Moreira, "desumanizar o debate político é estratégia fundamental do capitalismo".
        A fala de Moreira demonstra que a emoção de Lula não só extravasa o trauma famélico do qual o próprio petista já foi vítima; revela também que o chilique mercadológico vê na política social, humanista, comunista, o seu maior inimigo.

Para saber mais
- https://www.youtube.com/watch?v=MN6uXIPgr-g (Meteoro Brasil- Lula chora diante de auditório lotado).
- https://www.youtube.com/watch?v=MwrANBANAco (Eduardo Moreira, corte de entrevista)
- https://www.youtube.com/watch?v=ZkxgYkgjoao&pp=wgIGCgQQAhgB (o mesmo ao vivo)
----

Pânico moral em homenagem a Gal

        No último dia 9 morreu Gal Costa, aos 77 anos, em Sampa. Uma das vozes mais icônicas da MPB, ela veio ao sucesso na Tropicália, movimento artístico baiano de jeito hippie e rebelde que tinha também Caetano, Maria Bethânia, Gil e Ednardo¹. Sua marca registrada foi a voz de suave agudo.
        Sempre emprestando a sua voz, Gal se inspirava em nomes como os da também baiana família Caymmi e outros ainda mais antigos, bem como inspirou artistas mais jovens, como o já finado Cazuza. Respeitada pela crítica e de público fiel, ela se foi realizada.
        Foram várias homenagens a ela nas falas de colegas que testemunharam sua carreira, com direito a minuto de silêncio no fim dos telejornais na Globo. E na esteira das homenagens entra Mauricio de Sousa, criador da eterna Turma da Mônica, através de um desenho (ao lado).
        Observa-se a clássica pose da cantora jovem a cantar Chuva de Prata (1972). A princípio parece evocar inocência, até reverberar em redes como o Twitter, no qual internautas respondiam sugerindo apagar a figura. O motivo é o suposto duplo sentido da letra da canção.
        E aqui segue a minha crítica. Não ao desenho, mas ao pânico moral que mais revela a incoerência dos moralistas que fecham os olhos para os reais flagelos morais que aviltam a sociedade: deseducação, desemprego, miséria, fome, desabrigo, desigualdade, violência.
        Pois os que condenam a letra bem disfarçada pelo talento linguístico de outrora são os mesmos que, em nome do conforto próprio, negam aos pobres os preceitos do bem-estar social: educação, qualificação, emprego, salário, comida, habitação, inclusão e ascensão social.
        A 'moral sexual' é a falácia dos mentirosos ou dos sexualmente frustrados. Se artistas, suas letras são tão explicitamente escatológicas quanto o linguajar do bolsonarismo. Se pode a violência escatológica, por que não pode haver a doçura de uma sexualidade saudável?
        Que caia uma chuva de prata nos pseudomoralistas. Sem parar.

Nota da autoria:
¹ Compositor e cantor nordestino de Pavão Misterioso, sucesso de abertura da novela Saramandaia (1976) e também de caráter político.

Fonte da figura e da análise: 
- https://www.metropoles.com/entretenimento/homenagem-da-turma-da-monica-a-gal-costa-escandaliza-web-apaguem
----


 


        
        
        


        
        
        






segunda-feira, 7 de novembro de 2022

ANÁLISE: ATIPICIDADES DA ELEIÇÃO - 2º turno

         Na apuração do 1º turno eleitoral, os lulistas esperavam pela possibilidade de vitória sem ir a novo turno, como desejado pela maioria da população. E, como vimos no artigo anterior, a vitória era muito possível no 1º turno, não fossem as artimanhas de véspera que induziram pesquisas a erro.
        O fechamento da apuração resultando em 2º turno não chegou a ser encarado como derrota para todos os lulistas, que passaram a lutar por maior margem de votos pela migração de votos dos que escolheram os nanicos, para o dia 30/10.
        Mas vimos nova tensão máxima em apuração voto a voto, em meio a fatos bizarros, que aliviou na eleição de Lula reconhecida pelo TSE. Então, bolsonaristas reagiram mal, enquanto lulistas aliviados se perguntavam por que apenas 1,9 milhão de votos puseram Lula à frente.
        É claro que houve cartadas de última hora, que a exemplo do turno anterior, não foram poucas. Sobre essas atipicidades pré e pós-eleições se debruça este artigo.

Assédio eleitoral
        Nós, trabalhadores em geral, públicos ou privados, somos sujeitos a assédio moral ou sexual, tão comum quanto desagradável. Mas neste ano se tornou notório outra forma de assédio: a eleitoral. 
        Vertical (dos patrões ou chefes para empregados/subordinados) e prévio, o assédio eleitoral se vale de intimidação e chantagem. Apesar de muito midiático neste ano devido a muitas denúncias ao MPT¹, ele já ocorreu em 2018, ainda que não tivesse sido tratado como deveria na época.
        Em 2018 circularam vídeos de funcionários da franquia de lojas Havan perfilados em uma sala ouvindo ordens das chefias de lojas locais. Eles foram obrigados a usar camisas amarelas com a inscrição verde Meu partido é o Brasil, e a votar em Bolsonaro, sob ameaças de demissão sumária.
        A ameaça deve ter sido efetiva, pois a moda pegou no mundo trabalhista, indo adiante neste ano como visto. Na verdade, o assédio eleitoral corporativo é uma nova forma de curral eleitoral, uma conduta muito empregada em algumas igrejas, periferias dominadas por orcrim’s e no campo.

Curral do Auxílio
        O curral do Auxílio foi uma descoberta recente, graças a uma boa reportagem comandada por Caco Barcellos no programa Profissão Repórter, da TV Globo. Na interessante reportagem, a equipe descobriu um esquema de compras de votos em municípios do interior de três Estados brasileiros.
        Trata-se, na verdade, de mais uma forma de curral eleitoral. A diferença é que os prefeitos e vereadores dos municípios cobertos pela equipe colocaram um sistema de cadastro em que populares pobres deveriam prestar voto em Bolsonaro para poder receber auxílios de R$ 600.
        A equipe se atentou ao silêncio comum aos entrevistados, quando se perguntava se o esquema era a favor de eleger presidenciável específico, no caso Bolsonaro, ou de quem partiu o esquema. Os populares apenas se silenciavam, os políticos locais já hostilizavam - o que por si já corrobora o caráter irregular do esquema.

Curral gospel
        As igrejas pentecostais e neopentecostais foram apontadas no artigo anterior como o principal ambiente de alocação de votos dos que escolheram candidatos nanicos não constados na esquerda, em especial Ciro Gomes e Felipe D’Ávila. No 2º turno não foi diferente.
        Como a quase totalidade dos eleitores da emedebista Simone Tebet migrou para Lula quando ela declarou apoio ao petista, os pastores gospels oportunistas miraram fiéis politicamente indecisos em cultos de última hora, ocorridos na noite da véspera ou de manhã bem cedo antes de votar.
        Para isso foi preciso engrossar mais em fake news contra Lula e o PT, obedecendo à cartilha de ódio pregada pelas denominações mais dogmáticas da Assembleia de Deus. Não sabemos da eficiência do feito no 2º turno, mas a fidelidade de eleitores a Bolsonaro se manteve firme.
        Segundo reportagens da BBC News Brasil e The Intercept Brasil, algumas igrejas da Assembleia de Deus chegaram a pregar louvores a Bolsonaro, em cultos idólatras com telões com a imagem do presidente.
        No âmbito religioso, ataques a ambientes católicos foram abordados em textos menores da série Curtas. O problema assumiu tal gravidade que padres foram atacados ao proferirem contra a miséria, a fome e a violência policial contra pobres nas cidades. Uma série de homilias foi cancelada por isso.
        O assédio eleitoral no ambiente de trabalho e os currais gospel e do auxílio foram atipicidades que determinaram uma adesão extra a Bolsonaro, a pouquíssimo tempo antes do pleito final.

Ações policiais ilegais
        Após as eleições houve mais atipicidades, desta vez caracterizadas por atos policiais irregulares em duas linhas: nas estradas e nas zonas eleitorais.
        Nas estradas- devido à questão de recadastramento (digital) ou por morarem fora da comarca eleitoral, milhares de brasileiros cruzam rodovias urbanas, interurbanas e/ou interestaduais. Nelas está a PRF para verificar possíveis irregularidades. Essa rotina em si não é nada demais no dia da eleição.
        Nesse aparente pretexto, houve blitzes demoradas em rodovias nordestinas com revista de condutores e passageiros de coletivos e contenção a supostas caronas proibidas, impedindo o trânsito por horas ameaçando uma mega abstenção artificial, chamando a atenção da mídia e, claro, do TSE.
        O presidente do TSE Alexandre de Moraes exigiu explicações do diretor-geral da PRF Silvinei Marques sobre as blitzes, e determinou a interrupção delas, ameaçando multar em até R$ 100 mil por hora. Mesmo lentamente, a PRF acabou cedendo.
        Discussões renderam nas redes, viralizando vídeos, alguns deles não ligados ao fato. Pesquisas sobre Marques identificaram-no como nomeado por indicação de Flávio Bolsonaro, e com vários atos desabonadores como servidor de carreira.
        Nas seções eleitorais- apesar da segurança ser comum nas seções eleitorais, desta vez houve denúncias de truculência praticada por PMs contra eleitores, como alguns casos em cidades do interior como a flagrada contra eleitores possivelmente petistas no interior paulista.
        O caso do interior paulista flagrado pela equipe do SBT News pode ser apenas um exemplo da dinâmica da coisa, dada a bolsonarização mais dominante entre militares de patentes inferiores, tanto das polícias estaduais e federais como nas Forças Armadas. Mas, a truculência policial nas zonas eleitorais não foi muito longe na mídia.

Atos golpistas pós-eleição
        Os eleitores bolsonaristas reagiram muito mal à derrota de Bolsonaro. O pesar deu lugar à revolta, desabafada em protestos que interditaram rodovias importantes, ocasionando o cancelamento de viagens de passageiros e cargas em vários lugares.
        Os manifestantes protagonizaram bizarrices, como um grupo entoando Hino Nacional em torno de um pneu em meio à estrada, o cara que se agarrou como aranha ao capô de um caminhão e virou meme, e alguns malucos marchando em frente a quarteis militares.
        Orações indicam a influência e participação de líderes evangélicos nos atos golpistas. A distribuição de fake news como a da suposta prisão de Alexandre de Moraes e Lula doente serviu de compensação psíquica para alimentar a realidade paralela contra as emoções negativas da derrota de Bolsonaro.
        As rodovias foram liberadas graças a torcidas organizadas, que afugentaram fanáticos e geraram alívio a caminhoneiros inocentes e motoristas de coletivos, já que policiais chegaram a apoiar os protestos. Mas protestos continuam nos centros de urbes mais bolsonarizadas.

Reflexões finais

        Como vimos, os currais eleitorais se diversificam, apesar de sua origem inicialmente rural, daí o nome do fenômeno. Por terem caráter antidemocrático, eles atentam contra o Estado Democrático de Direito se aproveitando justamente dele para se anunciar.
        São os currais eleitorais os protagonistas de um fenômeno ainda por ser dissecado em seus segredos antigos. É graças a ele que certas famílias se mantêm no poder por gerações, como os ACMs² da Bahia, os Liras, Calheiros e Collors em Alagoas, os Gomes no Ceará. E os Bolsonaro no Rio.
        Embora não seja ilegal, uma família se perpetuar na política por gerações pode ser confundida com indicações nepotistas ilegais, e inibe a liberdade de escolha da geral para votar devido ao poder adquirido para humilhar adversários políticos. O que indica suspeita de curral eleitoral.
        Se os currais violam a liberdade de escolha do eleitor, as demoradas blitzes da PRF nas estradas podem ter induzido a uma abstenção artificial, maior do que a levantada até agora. De qualquer forma, a soma dos fatores responde pela margem estreita entre Lula e Bolsonaro no resultado final.
        Essas atipicidades que se delongaram nas eleições deste ano devem servir para que instituições se refinem em questão de inteligência (por parte do TSE, PGR, MP e STF) e de educação política. A esta última se relacionam os significados do sequestro mental operado pelo bolsonarismo sobre os seguidores.
        Por enquanto a democracia mostrou que venceu e ainda resiste, mesmo debilitada ultimamente. Sabemos que o bolsonarismo deixa a sua marca, e é válido refletir sobre os seus significados, para que medidas educativas efetivas tenham lugar no futuro. Antes tarde do que nunca.

Notas da autoria:
¹ Ministério Público do Trabalho.
 
Para saber mais:
- https://www.youtube.com/watch?v=OyCMdTZsQjE (TuboTV – indício de compra de votos flagrados no Profissão Repórter em reprodução completa).
- https://www.youtube.com/watch?v=u4CGhG_Xias (PMs atacam eleitores de camisas vermelhas no interior paulista – SBT News Primeiro Impacto).
- https://theintercept.com/notas/pastores-evangelicos-participaram-atos-golpistas-contra-lula/ 
----


quarta-feira, 2 de novembro de 2022

CURTAS-ANÁLISES RÁPIDAS - PARTE 8

 

Segue aqui mais uma sessão de análises curtas da série Curtas - análises rápidas.
****

Perigosos anúncios de um golpe

        Estamos dentro da última semana que antecede o dia D do pleito em que definiremos o futuro do país e de nossas próprias vidas. As cartas não só já estavam na mesa, como o jogo eleitoral já corre nervosamente numa situação eleitoral já definida na estabilidade dos dados das pesquisas e de fatos a seguir, alguns anteriores.
        Na semana anterior, o atual presidente do TSE Xandão deu 48h para que a pasta da Defesa apresente o relatório das FAs sobre a segurança das urnas eletrônicas. Ainda que saibamos que a pasta não viu falha alguma, Bolsonaro decretou sigilo do relatório e mandou o ministro Paulo César resistir à determinação do TSE.
        Cumprindo prisão domiciliar em sua chácara em Levy Gasparian, interior do Rio de Janeiro, o ex-deputado e presidente do PTB Roberto Jefferson foi abordado por policiais federais sob ordem do STF. Resistindo à ordem de prisão por mais um crime político, atirou nos PFs ferindo-os nas cabeças. Ele portava fuzil e granada.
        No mesmo domingo, embalado pelo recorde global de mais de 1 milhão de visualizações de sua entrevista no Flow, Lula foi para novo comício em Natal, RN, onde é líder disparado. Durante o evento lotado, houve um tiroteio envolvendo traficantes de comunidades próximas.
        A politização no seio religioso continua como ataques à parte católica e o endeusamento substitutivo a Bolsonaro em igrejas das correntes pentecostal e neopentecostal, com preocupação entre lideranças católicas e protestantes esclarecidas.
        Como a abordagem policial ao petebista repercutiu muito na mídia televisiva hegemônica, Jair Bolsonaro fez um rápido pronunciamento pelo qual supostamente elogia os policiais que “abordaram um bandido", ironicamente seu aliado. Depois, disse que "nunca tirei fotos com ele", mentira exposta em fotos nas mídias e redes sociais.
        Embora paralelos, todos os fatos narrados têm uma amarra invisível e silenciosa, segundo alguns analistas. Faz sentido. O caso Roberto Jefferson ecoa fortemente na mídia, abafando a da proposta de congelar salários e benefícios sociais, o tiroteio em Natal, a politização religiosa e o relatório do MDefesa sobre as urnas.
        Analistas apontam que, embora distintos, todos esses fatos têm uma amarra invisível e silenciosa. Faz sentido, pois o caso do petebista está muito midiático abafando ao público os demais citados, inclusive a proposta de congelamento de salários e benefícios previdenciários.

Para saber mais
- caso Roberto Jefferson (diversas mídias)
- https://www.brasildefato.com.br/2022/10/24/tiros-interrompem-ato-pro-lula-no-rn-com-presenca-da-governadora-fatima-bezerra (tiroteio em Natal)
- https://www.brasildefato.com.br/2022/10/22/crescem-ataques-de-bolsonaristas-a-igreja-catolica-fieis-padres-e-ate-o-papa-sao-alvo
----

Roberto Jefferson: de aliado a dor de cabeça

        Os últimos fatos protagonizados pelo presidente nacional do PTB Roberto Jefferson em Levy Gasparian, ainda bastante midiatizados e na boca do povo, abalaram as estruturas da campanha do presidente Jair Bolsonaro, que luta pela reeleição.
        Apesar de turrão e comprovadamente corrupto, Roberto Jefferson mostrou, nos fatos, ser um dos mais ferrenhos bolsonaristas, com condutas antiéticas como resistir à prisão, atirar em PFs, etc. Em seu governo desastroso, Bolsonaro tem contado com ele.
        A aliança é antiga: em 2002, Jefferson empregou Eduardo Bolsonaro, então com 18 anos e estudante de Direito na UFRJ, em cargo na Câmara. Ele pavimentou o nepotismo dos Bolsonaro na esfera federal. Hoje, Eduardo é deputado e Flávio, senador. 
        Mesmo cassado por corrupção ativa e ultimamente cumprindo pena domiciliar, o petebista tem comandado a campanha de Bolsonaro no município do interior do RJ, disseminando fake news mesmo sem poder (sentenciado em prisão domiciliar não pode acessar redes sociais). 
        Mas, após se entregar à PF, Jefferson declarou: “não admito abandono”, em alusão ao costume de Bolsonaro de desprezar apoiadores que terminam presos pelas balbúrdias, e ainda arrematou: “ou eu conto tudo”.
        Ironicamente, a fala de Jefferson veio após pronunciamento do mandatário em cadeia de TV, que o tratou como “bandido”, enquanto a PF se desmoralizou em conversa amistosa com o pedetista, na suspeita de que atirar e jogar granadas nos policiais foi factoide a serviço do bolsonarismo.
        Os acontecimentos do último domingo não só desmoralizaram a PF, como também piorou a crise na campanha de Bolsonaro, que não sabe mais o que fazer: ou mantém Jefferson como aliado, ou o rechaça de vez. Mas, de toda e qualquer forma, já é uma tremenda dor de cabeça.

Para saber mais
- https://www.estadao.com.br/politica/renegado-agora-por-bolsonaro-roberto-jefferson-empregou-filho-do-presidente-na-camara/
----

A Petrobrás no governo mais corrupto do mundo

        
Na era petista, a midiatização dos escândalos de corrupção alcançou o seu ápice, tendo-se, na coletânea, os escândalos financeiros como o mensalão (que envolveu a Petrobrás) e a Lava Jato, que envolveu a megaempreiteira Odebrecht.
        Tais escândalos contribuíram para a estigmatização de uma era na qual a democracia pós-ditadura alcançou o seu ápice. Manifestos de direita anticorrupção em sucessão ascenderam o extremista Jair Bolsonaro à presidência da República.
        Bolsonaro explorou isso ao seu jeito no mote moralista de costumes, família, cristianismo e a caça às bruxas da "corrupção petista" e do "comunismo globalista", além de um ufanismo nacionalista.
        Mas Bolsonaro bateu continência à bandeira dos EUA, polícias mataram mais inocentes, abusos domésticos explodiram, parentes e amigos trocaram tiros em brigas torpes, morreram quase 1 milhão pela pandemia, violência e outras causas. E, claro, investigações de corrupção e outros crimes foram travadas por sigilos.
        No âmbito da corrupção estão envolvidos 107 imóveis comprados por uma só família em 30 anos (parte em grana viva de R$ 26 milhões); recordes de dividendos da Petrobras em 2021 (R$ 72,71 bi) e 2022 (R$ 86,07 bi) para acionistas estrangeiros, mediante hiperinflação dos preços dos combustíveis. Fora o orçamento secreto de R$ 70 bilhões neste fim de ano.
        Sem contar o tráfico de armas, o conjunto supracitado revela o governo Bolsonaro como o mais corrupto da história do pós-ditadura, e seus escândalos "os maiores do planeta Terra" segundo Simone Tebet em entrevista a um podcast disponível no Youtube.
        Ao assumir o próximo governo, Lula enfrentará os maiores desafios de sua carreira, herdados do bolsonarismo: o centrão inchado pelo orçamento secreto, a possível hostilidade de bolsonaristas ressentidos (evangélicos ou não) e um déficit recorde, em centenas de bilhões. E a ferocidade do sistema neoliberal.
        
Para saber mais
- https://demori.substack.com/p/o-maior-assalto-da-historia-ao-cofres?utm_source=substack&utm_campaign=post_embed&utm_medium=email (newsletter por e-mail em outubro/2022)
----

Na guerra eleitoral, privataria ambiental

        A política ambiental foi uma das pautas da comemorada sabatina de Lula no Jornal Nacional antes do 1º turno das eleições. Assunto perfeitamente necessário, considerando-se a destrutiva era Bolsonaro. Foi interessante que o petista responsabilizou em parte o agro pelo problema, contra a grande mídia que geralmente o vitimiza. 
        Agora, enquanto as eleições, pesquisas eleitorais de última hora e bolsonarices roubam a atenção pública, silenciosas canetadas têm se seguido à revelia da grande imprensa. A atenção ao tema tem sido das mídias independentes ou de esquerda.
        Na memória popular só tem a Amazônia, e muito mal o resto. Quase ninguém sabe que a metade da população de onças-pintadas está em risco de morte em consequência dos grandes incêndios que consumiram 40% da extensão do Pantanal em 2021.
        Reeleito, Zema (MG) entregou mais parques estaduais à iniciativa privada. Alguns dizem: "calma, é só concessão!", esquecendo-se de que a nossa experiência é grande o suficiente para sabermos que concessão e privataria são uma coisa só, e anuncia que MG vai virar uma peneira de mineradoras ameaçando geral por todo lado.
        Em contexto nacional, se lembram de quando Ricardo Salles anunciou liberar as áreas de manguezais e restingas à especulação imobiliária? Pois é. Veio a gritaria e a ideia abafou, mas se seguiu: foi autorizada por Tarcísio de Freitas, garupa de motociatas de Bolsonaro, a entrega de parte do litoral de Pernambuco para a Bemisa.
        Com manguezais, restingas e praias em estado natural, a ilha de Cocaia, em Cabo de Santo Agostinho, é um lindo paraíso com pesca artesanal de frutos do mar para pratos típicos servidos nos caríssimos restaurantes frequentados por ricaços e turistas estrangeiros dispostos a gastar.
        A Bemisa é do grupo Opportunity, dos bilionários Paulo Guedes e Daniel Dantas, este também minerador, pecuarista e especulador de imóveis rurais. O grupo coleciona multas do Ibama de R$ 323 milhões, de 2015 a 2019. O ex-Ibama Eduardo Bim anulou R$ 94 milhões da Agro Sta. Bárbara (AgroSB), integrante do grupo, ainda em 2019.
        Livre da Equipe Nacional de Instrução do Ibama, a AgroSB tem mais de 500 mil hectares de terra e igualmente em cabeças de gado. Após a saída de Bim, o então ministro¹ Tarcísio deu Cocaia. Uma privataria ambiental ensaiada na calada noturna que só veio à tona na presente guerra eleitoral. E na qual a grande mídia sequer se toca.
        Na privataria ambiental, estes são apenas dois exemplos. Há outros em curso nesse fim da era Bolsonaro, que não podemos descartar, mesmo não divulgados na grande mídia. Quiçá essa eleição final seja tão decisiva para findar essa perversidade. Antes tarde do que nunca.

Nota da autoria:
¹ Pasta da Infraestrutura.

Para saber mais
- https://www.brasildefato.com.br/2022/10/25/governo-bolsonaro-entrega-ilha-em-pe-para-mineradora-do-maior-infrator-ambiental-do-brasil.
----

Um debate definitivo

        Estúdio da rede Globo, 28 de outubro de 2022. Estava o ambiente pronto para receber os candidatos Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva para o último debate antes da finalíssima de domingo, que em fim decidirá o futuro da nação para o período 2023-27.
        Ainda nos corredores, os presidenciáveis concederam suas falas, enquanto o jornalista William Bonner e equipe de produção estavam nos preparos finais, e 100 cidadãos indecisos e jornalistas de outras mídias eram conduzidos a um auditório com telão para assistir ao debate.
        Produção- o programa foi conduzido em 4 blocos intercalados com momentos de relax e os candidatos falarem com as respectivas equipes, enquanto os 100 cidadãos avaliavam os candidatos em cada bloco assistido aos profissionais presentes.
        Embate- o debate entre os presidenciáveis se transformou num embate. Lula foi bem centrado e controlado, e mesmo falhando em uns momentos, soube manipular a situação e administrou melhor o tempo.
        Bolsonaro já estava tenso quando chegou com sua equipe ao estúdio. Desestabilizar o petista era a sua meta, e para isso partiu para os ataques pessoais, sem alcançar resultado. Foi manipulado pelo adversário, que soube administrar o debate.
        Mediador- âncora do JN há décadas, o jornalistas William Bonner estava mais calmo, por ser apenas dois candidatos, ainda que fortemente rivais entre si, para mediar. Esteve calmo e firme o tempo todo e soube conduzir o programa.
        Avaliação- teve critérios subjetivos (conduta, comunicação, expressão) e objetivos (os temas focados). As avaliações eram calculadas estatisticamente, mas sem valor de medida para intenção de votos, ainda que pesquisas posteriores considerassem os efeitos do debate.
        Segundo cálculos levantados, Lula foi bem avaliado, variando de 51 a 57%, com ápice no 3º bloco e menor no 1º. Bolsonaro foi melhor no 1º e pior no 3º, com ligeira melhora no último, mas ainda assim, inferior ao petista.
        Os comportamentos dos candidatos definiram o tom do debate e, também, o rumo da finalíssima eleitoral. Os números apenas atestaram. A perda de compostura de um diante do controle total do outro mostrou um debate muito definitivo para a finalíssima desse domingo.

----

Carla Zambelli e o fim de Bolsonaro

         
        Jair Bolsonaro construiu uma carreira política ininterrupta, iniciada com a vereança em 1990, seguindo para o Congresso em sete mandatos seguidos como deputado federal, e chegou ao ápice em 2018, elegendo-se presidente da República. Nesse contexto, ele é uma raridade.
        Como sabemos, ele se elegeu refletindo e explorando valores do Brasil profundo, com moralismo de costumes, heteronormatividade, patriarcalismo, velhos preconceitos, militarismo, armamentismo e uma política mística, catastrofista e nazista: o bolsonarismo.
        Embora Bolsonaro fosse mais conhecido a partir do petismo, o bolsonarismo surgiu no início da carreira política, com simpatizantes saudosistas da ditadura militar. No petismo, fez "amigos" das bancadas bíblica e da bala no Congresso.
        Atraiu novos nomes que foram eleitos em 2018 na sua esteira, entre eles mulheres como Joyce Hasselmann, Soraia Thronicke e Carla Zambelli. Dos três exemplos, somente Zambelli se mantém com fidelidade canina a Bolsonaro, o acompanhando onde pudesse ir.
        Ela ganhou notoriedade em suas postagens de fake news em redes sociais e entrevistas em alguns podcasts no Youtube. Numa das entrevistas ela foi embora ao dar desculpa de ir ao banheiro. Se isso poderia ser suficiente para a sua fama, não foi o seu máximo.
        No dia 29/10, véspera do 2º turno, ela desceu com seguranças numa rua dos Jardins, em Sampa, tropeçando logo após um cidadão negro passar. Rapidamente ela o acusou mirando-o e seguindo-o com arma em punho. A correria se seguiu, o cidadão entrou num bar, e ali ela o teria cercado e o liberado após ele pedir desculpas.
        Um ápice de fama nada bom. Afinal, ela cometeu os crimes de porte ilegal de arma na véspera eleitoral, falso testemunho (ou calúnia), ameaça e racismo. Se ela quis aparecer bem nas ruas de um bairro nobre, conseguiu. Mas, quem corre risco é a sua carreira política, levando o presidente Bolsonaro a tiracolo.

Notas da autoria
¹ Manifestos populares gigantes e multipartidários em todo o país, na era Dilma.
----




        
        
         
        

        
        
        







        

ANÁLISE: Eleição 2026-dos ilícitos à vitória democrática

                Antes de apresentar o artigo a seguir, peço sinceras desculpas pela demora em publicar novos artigos. É que, pelo momento es...