sábado, 22 de março de 2025

Ligeirinhas 17 (Mundo x Trump, ultradireita global)

 

O MUNDO RESPONDE A TRUMP

            Nos EUs, o Golfo do México virou Golfo da América: Trump mandou demitir o repórter que repetiu o nome certo. Reativou Guantánamo (onde quer mandar imigrantes considerados criminosos), insiste em anexações, e tarifou produtos de outros países – mais ainda os dos BRICS.
            Além de autoafirmação pessoal, o tarifaço é a resposta de Trump ao intento dos países do BRICS em desdolarizar o intercâmbio econômico.  Recrudesceu o velho embargo econômico contra Cuba, acentuando a crise interna da ilha caribenha. E usa a guerra de Israel para tomar Gaza para si.
            Trump diz que está apenas “fazendo a América grande de novo” (seu slogan), como se América fosse só os EUs. Mas nem seu país escapou: após deportações, ele cortou recursos para a ciência e de aposentadorias, e demitiu servidores críticos de seu governo. Protestos agora varrem todo o país.
            Mas não ficou sem resposta. O Canadá entrou com a política de boicote aos produtos estadunidenses, o que pode ser copiado pelos outros países. Brasil e China entraram com a política de reciprocidade em taxar importados dos EUs – e podem ser também copiados. Deu efeito.
            Trump “chilicou” com o Canadá, após este responder com boicote a produtos estadunidenses e taxar a energia fornecida a três Estados dos EUA. Trump apostou em dobrar a taxa de 25 para 50% nos produtos canadenses. E o Canadá respondeu: “então cortaremos a energia ofertada”.
            Ele reclamou das “altas taxas” impostas pelo governo brasileiro sobre os produtos estadunidenses. Mas tudo indica que a recíproca do Brasil perdurará enquanto o estadunidense para taxar produtos de lá classificados como supérfluos (fora da recente política de isenção) continuará.
            Inicialmente visto como detalhe midiático, o gesto nazista de Elon Musk teve resposta forte. A Tesla (carros elétricos) teve queda de 50% de valor, ainda mais na Europa, com a destruição dos veículos. E agora o X (ex-Twitter) enfrenta “instabilidade global”: na prática, foi um bloqueio mesmo.
            A política de Trump pode revelar algo mais do que ideológico. Apontamentos de ele ter personalidade imatura ou antissocial fazem sentido no lema make América great again (fazer a América grande de novo), na absurda crença de que Biden “diminuiu” a hegemonia dos EUA.
            O pior efeito da política ameaçadora de Trump será sobre os EUs. Além dos protestos contra o governo em todo o país com reprovação mais do que aprovação, a inflação poderá ter escala inédita. E com isso, mesmo avançando sobre o judiciário “com juízes de esquerda”, Trump já põe seu cargo em risco de impeachment.
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OEA, PARA CIMA DELES!

            A Organização dos Estados Americanos (OEA) é uma instituição que trata dos interesses comuns a todos os países do Supercontinente Americano. Tais interesses se dividem em vários ramos temáticos, desde a economia, passando em políticas públicas até direitos humanos.
            Cada ramo tem seu representante relator que, quando escalado pela cúpula da OEA, vai ao país do qual partem denúncias de violações. Na política, o relator foi o colombiano Pedro Vaca, para atender a parlamentares bolsonaristas que choraram suposta violação da liberdade de expressão.
            Pedro também ouviu – e viu os documentos dados como provas – dos parlamentares governistas e de esquerda. As provas documentais que revelaram a verdade da liberdade de ouvir diferentes espectros ideológicos impediram o colombiano de cair na conversa dos nomes da ultradireita.
            Ele percebeu que, de forma tão transparente quanto água potável, a liberdade de expressão reclamada pelos bolsonaristas é a deles, os demais devem se calar. Os documentos mostrados pelos parlamentares governistas provaram que não há censura, apenas a liberdade responsável da democracia.
            Mas há um paralelo. Recentemente, o Brasil foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), após denúncias à OEA, por violar DHs de uma comunidade quilombola legalmente assentados perto da Base Espacial da Aeronáutica em Alcântara (Maranhão). A denúncia é antiga.
            Considero muito válida a vitoriosa denúncia citada, que teve apoio de políticos e de populares. Não importa o governo, esse mal tem que ser remediado. Mas chama atenção que nem as fontes independentes e anticapitalistas explicam: por que as referidas instituições não denunciam até hoje Javier Milei e Donald Trump?
            Em relação a Trump já sabemos: a OEA é aparelhada pelos EUs, apesar das evidentes violações de direitos humanos. E Milei roubou os argentinos em pirâmide financeira com criptomoeda. E aqui, mesmo ex-presidente inelegível, Bolsonaro alimenta o extremismo inflamando seu público.
            Em relação a Bolsonaro, o voto por sobrevivência o derrotou. Mas a ultradireita permanece forte. Milei tem condições de perder se denunciado pela OEA. E não terá como abraçar Trump: este lhe será indiferente, já que não prestará mais. Ainda assim, clamemos: OEA, para cima deles!
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EDUARDO BOLSONARO: ALERTA ÀS AUTORIDADES

            Na iminência de passar pelo julgamento do STF marcado para o dia 25 de março, o ex-presidente Jair Bolsonaro compareceu ao comício na praia de Copacabana no dia 16, organizado pelo pastor Silas Malafaia. Ele dividiu o trio elétrico com o pastor, governadores do PL e parlamentares.
            Após viralizar seu vídeo de convocação, o pastor extremista esperava, como os Bolsonaro, que a avenida Atlântica lotasse como em 7/9/2022. O ex-presidente esperava 1 milhão, suficiente para provar sua popularidade. Mas o contador de gado da USP contabilizou em torno de 18,3 mil.
            18,3 mil já são uma boa parcela do contingente que vive na realidade paralela. Enquanto os memes viralizam mais do que o chamado de Silas na internet, Eduardo Bolsonaro anunciou ao seu público que se licenciará temporariamente do cargo para ficar de vez nos EUA – já está lá há 2 semanas.
            Para muitos, sua viagem foi uma fuga para escapar à prisão iminente e à possível apreensão de seu passaporte pela PGR. Muita calma nessa hora. A realidade não é tão superficial quanto parece. Como reza o dito popular, há caroço nesse angu. Um caroço tão venenoso quanto misterioso.
            Eduardo é o articulador brasileiro da internacional nazifascista high tech da CPAC. Ele encontrou Trump na Casa Branca e depois visitou Olavo de Carvalho na Virgínia logo antes da invasão do Capitólio em 6/1/2021. Em 15 viagens aos EUA, ele solicitou a intervenção estadunidense aqui.
            Eduardo é um dos sócios da Global Bras Holding LLC, de ramo de atuação ignorado e localizado na residência do sócio Paulo Generoso, onde há dois outros entes, Instituto Liberdade e empresa Liber. Todos na sociedade (incluso André Porciúncula) atuaram em fake news sobre eleições.
            Nesse meio tempo houve fatos importantes: Elon Musk, liderou desafio das big techs contra a legislação brasileira na questão dos perfis de ódio. A onda incendiária pelo Brasil todo por onde o ex-presidente passou. As duas arremetidas do avião oficial de Lula 3, a última na segunda, dia 17/3.
            Cabe apontar a explosão de bombas caseiras com inscrições de suposta ameaça ao antigo PCB, em Curitiba, local onde o bolsonarismo anda à vontade. As três questões – do fogaréu criminoso, do avião e das bombas – são ainda meras especulações pessoais. Mas podem ser diferentes tipos de um aviso da força da ultradireita.
            Por isso, deixo meu alerta às autoridades e à população: atentem-se aos movimentos dos Bolsonaro, especialmente do filho Eduardo. Atentem-se a cada bomba deixada num ponto qualquer tornado estratégico, destinada a uma suposta agremiação política ou a alguém político. Estamos em tempos obscuros. Todo cuidado é pouco.


















            

Ligeirinhas 16 (mês de lutas femininas)

 

PERDÃO A ABUSADORES: A NOVA FACE DO PROSELITISMO

            Depois de vermos a Globo sutilmente censurar o belo discurso de Erika Hilton durante a transmissão do desfile da escola de samba Paraíso do Tuiuti, um vídeo viralizou nas redes sociais, aquecendo o debate público, até chegar nas fontes jornalísticas – das independentes aos jornalões.
            No vídeo, uma plateia de jovens estava reunida na boate D-Edge, em Sampa. No palco, uma banda tocava uma música lenta e leve, que embalava a geral. Em primeiro plano no palco, com o reluzente cabelo azul vibrante e chapéu, se destacava Baby do Brasil, a ex-Baby Consuelo.
            Diferentemente daquela jovem do movimento musical dos Novos Baianos dos anos 1980, que embalava a juventude em doce rebeldia com sua barriga grávida à mostra, Baby do Brasil havia interrompido sua cantoria de louvor no momento do vídeo. Ela estava, na verdade, pregando um culto na D-Edge.
            Com os braços erguidos no mesmo gesto de louvor e bailando ao ritmo lento da música que tocava como fundo, a plateia juvenil era composta, ao menos em boa parte, de jovens mulheres. Então Baby pregou, em tom bastante enfático, seu ensino de perdão: “Foi abusada? Perdoa! Se o abusador é da família, perdoa!”.
            Foi esse corte de vídeo – com a pregação – que viralizou e repercutiu até chegar em... Brasília. A deputada federal Sâmia Bonfim (Psol-SP), conhecida por sua luta feminista, acionou o Ministério Público contra a pastora, por incitação ao crime de estupro.  “´O que ela pregou é inaceitável e criminoso”, disse, em justificativa.
            A ação assustou Baby, que logo se disse “mal interpretada”, no pretexto de sempre. Segundo Baby, o perdão “não é ao abusador, não é para inocentá-lo”, e sim para “eliminar a dor do imposta pelo ato”.  Ela alega que esse tipo de perdão “está nas escrituras sagradas”, o que não é bem verdade.
            Como se não bastasse a má interpretação dos textos sacros pelos líderes religiosos, a religiosidade (ou a religião) costuma ser usada por regimes autoritários para alimentar o ódio de gênero e as teologias de domínio (nova face do proselitismo), como a das igrejas neoevangélicas tipo a de Baby do Brasil. E isso não é nada bom.
            Esse contexto faz com que a vítima do abuso sexual se autopuna, quase inviabilizando a resolução do crime. E a pregação de Baby do Brasil não livra as vítimas dessa dor: pelo contrário, a piora, levando à distúrbios mentais e até suicídio. E não é só isso que elas acabam induzindo.
            Podemos dizer que as igrejas neoevangélicas – ao menos por meio de alguns representantes na política –, ao usarem tal discurso, estão por trás, também, do incentivo ao aumento das violências de gênero, incluindo aí os abusos sexuais e, claro, a pedofilia, que também atinge meninos.
            Porque, vale sentenciar, a pregação de Baby do Brasil foi bastante clara e direta: “[...] se for da família, perdoa”. Não, Baby, não dá. Abusos sexuais são imperdoáveis, porque as próprias igrejas nunca estendem a mão para ajudar as vítimas. Daí a necessária ação de Sâmia Bonfim: esta, ao seu modo, estende a mão.
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MULHERES: UM DIA DE ETERNA LUTA

            O Dia Internacional da Mulher já foi abordado em publicações anteriores no blog. Como nas abordagens sobre a banalização da violência contra meninas e mulheres, tanto nos noticiários de um cotidiano sangrento, seja em discursos misóginos como o de Nikolas Ferreira em 2023.
            Neste ano, o manifesto feminista 8M-2025 ocorreu em todo o país, puxado por lideranças reconhecidas e acompanhadas por simpatizantes. O 8M-2025 se seguiu ao belo desfile da escola de samba carioca Paraíso do Tuiuti com o tema trans e Erika Hilton como destaque.
            Em paralelo, a rotina das mulheres cis e trans do povo não mudou. Ao menos dois crimes vieram à tona na mídia neste dia: a descoberta do corpo assassinado da adolescente paulista Vitória, dada como desaparecida; e a oficial de justiça fisicamente agredida por um PM em B Horizonte.
            Esses são apenas dois entre tantos exemplos transformados em números no rol das estatísticas mensais nos Anuários de Violência contra a Mulher. Portanto, outros casos de violência contra a mulher – com ou sem feminicídio no final – ocorreram por todo o Brasil.
            Enquanto as ruas estavam cheias de mulheres em marcha, uma luz violenta se projetava na Praça dos Três Poderes em Brasília para ressaltar o 8/3. No Congresso, os discursos ofensivos da ultradireita não chamaram atenção. Mas ainda assim, isso importa.
            A geral alheia aos movimentos se pergunta: “o que deu nos homens?” a cada surto de violências noticiadas. Assimilado pela ideologia violenta do bolsonarismo e pelas igrejas neopentecostais, o pseudomoralismo ideológico do MBL explica isso. E discursos endossam a explicação.
            No Congresso, os discursos viraram debates. No Senado, em comissão de meio ambiente ocorrente em 8/3, Fabiano Contarato chamou a atenção pela explosão de feminicídios. A colega Leila do Vôlei disse que as mortes femininas aumentaram 112% entre 2023-24.
            Por conta do período, já sob o governo Lula 3, do aumento referido pela senadora, os políticos bolsonaristas – que foram eleitos para criar propostas voltadas para as necessidades da nação, mas nada fazem – se aproveitaram da deixa para, reiteradamente, culpar o governo federal pelo aumento das violências de gênero.
            Discursos políticos à parte, a pergunta popular não reflete apenas o terror com a escalada de violências, letais ou não. Reflete o desafio dos agressores às normas vigentes e, em parte, cooptação ideológica pela extrema direita e fechar de olhos das instituições cristãs.  Os manifestos e discursos revelam que em 8/3 não se comemora: se luta.
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O ELOGIO MACHISTA DE LULA. E DE OUTROS?

            Com o vice Alckmin, os presidentes do Congresso Hugo Motta e Davi Alcolumbre e parte da sua equipe, o presidente Lula deu posse de ministra de Relações Institucionais para a ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann. “Nomeio uma mulher bonita para articular melhor com o congresso, disse ele aos presentes.
            Trata-se do velho hábito dos discursos improvisados em linguagem popular. O que sujeita o presidente a constrangimentos e a críticas do grande público, a partir das notícias dos jornalões repercutidas nas redes. Seu discurso foi considerado machista e sexista. Gleisi reagiu.
            Não teve e não tem outro líder como o presidente Lula, que mais empoderou as mulheres. Não é qualquer líder que ousa lançar a primeira mulher presidenta do país, a primeira presidenta do PT, o que mais nomeou mulheres ministras [...]”, respondeu Gleisi, em defesa ao presidente.
            O discurso de Lula foi aproveitado pelos bolsonaristas para atacar o governo. O deputado Gustavo Gayer foi mais longe ao publicar post chamando Lula de “cafetão oferecendo Gleisi” para formar um trisal envolvendo Lindbergh Farias e o presidente do Senado Davi Alcolumbre.
            Ferrou: Alcolumbre quer Conselho de Ética para viabilizar cassação. Grupos de esquerda rememoram ofensas de Bolsonaro contra mulheres, a violência como “instinto natural” segundo Zema, e os cortes profundos de recursos de combate à violência contra mulheres por governos estaduais bolsonaristas.
            A crítica dos jornalões à fala de Lula é certa: há um preconceito regional e classista. Mas é sobretudo ideológica. Eles envergonham em nunca se contraporem às ofensas de Jair Bolsonaro a colegas mulheres e às jornalistas na presidência; e se silenciar ao corte de 98% de verbas do combate à violência pelo seu queridinho Tarcísio (SP).
            Ao se silenciarem sobre o protagonismo dos nomes da direita na violência de gênero, os jornalões têm que assumir responsabilidade. Ao criticarem só os de esquerda, eles manipulam a opinião pública contra esta e alimentam o ódio popular de gênero. Subestimar a importância das ofensas de um lado por seleção ideológica é também esfaquear a democracia.
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domingo, 16 de março de 2025

Ligeirinhas 15 (papa Francisco, Hugo Motta e fascismo)

 

A LUTA DO PAPA FRANCISCO... E DA ICAR

            A colonização portuguesa e espanhola das Américas não só expandiu impérios, como também propiciou a hegemonia da igreja católica apostólica romana (ICAR), que enfrentaria a eclosão do protestantismo por movimento do ex-monge agostiniano Martin Lutero, na Alemanha.
            Deu certo: hoje o catolicismo ainda é a fé cristã dominante, com 1,2 bilhão de fiéis pelo mundo. Mas nos últimos 30 anos ocorre uma retração lenta e contínua, enquanto crescem o islamismo, o pentecostalismo e o ateísmo. Isso tem preocupado muito a cúpula do Vaticano.
            Entre as tentativas de solucionar o problema, o Vaticano resolveu apostar em eleger candidatos não europeus ao papado. O intento era eleger alguém carismático, popular e bem disposto como o finado João Paulo II. E esse momento tão oportuno chegou em 2013.
            O reformista diferentão – em 2013, a renúncia do burocrático papa Bento XVI favoreceu a eleição de Mario Jorge Bergoglio, o Papa Francisco. Argentino, ele furou o antigo requisito europeu. Franciscano, ele se formou para uma vida simples e se dedicar aos pobres.
            Ainda em 2013, logo após a posse, Francisco passou no teste de carisma, popularidade e disposição. Na ilha de Lampedusa, confortou refugiados. No Rio de Janeiro, lotou a Jornada Mundial da Juventude. Já foi flagrado fazendo caridade para moradores de rua em Roma.
            Mas Francisco também arrepiou a cúpula. Abençoou casados pós-divórcio e casais homoafetivos, perdoou mulheres que abortaram, já declarou defender grupos progressistas da ICAR e até hoje critica o descaso dos capitalistas – inclusos líderes cristãos – com o planeta.
            Um problema – ao ser eleito e empossado Papa, Francisco já contava mais de 70 anos de idade e porta uma afecção pulmonar adquirida na juventude. O Vaticano já sabia disso, mas resolveu apostar nele. Agora, com 88 anos, a afecção pulmonar virou pneumonia bilateral.
            O temor dos católicos pela vida do pontífice se deve à ciência de que, na juventude, Bergoglio teve que se submeter a uma cirurgia que retirou parte de um dos pulmões devido a um acidente pretérito.
            Fria análise – segundo o hospital Gemelli, Francisco segue “estável e tranquilo” após episódios de piora respiratória em 3 semanas de internação. Mas o Vaticano já começa a mexer os pauzinhos a portas fechadas, dada a possibilidade de o papa atual não ter uma sobrevida suficiente.
            Imaginando a chance de Francisco não resistir, a Cúpula vaticanista já debate sobre o futuro papa. Os fiéis se dividem em elucubrações diversas – e possível conspiração profética – mas compartilhando a certeza da saúde delicada do papa e a incerteza do futuro da ICAR.
            Mas é certo que, conflitos internos à parte, Francisco imprimiu à ICAR uma face um pouco mais humana, flexível, mais próxima dos fiéis. E, dado o avançar do nazifascismo pelo mundo, o sucessor de Francisco terá o desafio de manter essa humanidade tão necessária.
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OS INIMIGOS DE FRANCISCO

            Como descrito antes, Papa Francisco agora luta contra um mau quadro respiratório. Se bem que as últimas notícias do hospital Gemelli são mais animadoras: ele está fora de perigo, mas ainda inspira cuidados, fazendo fisioterapia e exercícios respiratórios e espirituais.
            Nesse ínterim, o pontífice volta à ativa, embora o seu trabalho seja nesse momento mais leve, até por orientação médica. Aproveitando a progressiva remissão infecciosa, ele prepara seu próximo objetivo: um novo ciclo de reformas na ICAR.
            Sínodo – um dos objetivos do pontífice é a realização do Sínodo (reunião com bispos), a partir de um texto com proposições diversas em que a ICAR pode incentivar os fiéis a debater.  Neste Sínodo, ele pretende conversar sobre o novo ciclo de reformas para implementar na ICAR.
            ICAR flexível – já vimos que Francisco é tão popular quanto o conservador e centralista João Paulo II, mas difere radicalmente deste e do burocrático e vaidoso Bento XVI. Reformista, ele aprovou um texto sobre o processo de reformas na ICAR para torna-la “mais acolhedora e responsiva”.
            A evasão de fiéis invocaria em todo papa o desejo de tornar a ICAR mais acolhedora. O problema é como realizar e materializar esse desejo. Mas Francisco especifica a sua intenção de debater sobre o papel feminino no diaconato e a inclusão de fiéis da comunidade LGBTQIAP+.
            São pontos “muito delicados e complicados” para a numerosa parcela conservadora de prelados participantes do Sínodo. Mas o Papa quer o processo de reforma acontecendo , para concluir em sua finalidade em 2028. E isso faz com que o pontífice esteja envolto de muitos inimigos.
            Aliás, desde o início Francisco coleciona inimigos. O Vaticano pode ser o principal local deles, mas há outros por aí, não referidos na mídia. Há os inimigos político-ideológicos. Vale lembrar que Steve Bannon queria “matá-lo”. E agora quem deseja a sua morte é a turba nazifascista daqui, enquanto ele se recupera para transformar a ICAR.
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O POSSÍVEL PERIGO HUGO MOTTA

            Em fevereiro deste ano, Arthur Lira (PP-AL) saiu da presidência da Câmara dos Deputados. Após dois mandatos de opressão com direito a chantagens e ameaças, ele deu lugar ao novo eleito, Hugo Motta (Republicanos-PB). A ascensão de Motta teve apoio até da bancada petista.
            Ele deu alívio para os governistas quando, na sua posse, disse “não vai haver impeachment” de Lula. Para parte da patuleia que assistiu, ele findou a arrogância opressiva: Lira foi considerado a figura pública mais antipática, segundo pesquisa de opinião. Mas, Hugo é mesmo melhor?
            Prólogo – Hugo Motta é médico da Paraíba. Sua estreia na política federal o aproximou de Eduardo Cunha por afinidade ideológica e de fé. E como bom aluno de Cunha, se aproximou de Lira, seu colega mais velho e com quem aprenderia outras “coisitas más”.
            Temperamental – segundo a grande mídia, o novo presidente da Casa é bastante diferente de Lira. Não é só por ser mais jovem (ele tem 35 anos, Lira 55). Hugo Motta também é conhecido por sua “amabilidade” – claro, segundo os jornalões. Mas calma, muita calma nessa hora.
            No grito e soco na mesa, ele findou a baixaria entre a turba bolsonarista e o governista Lindbergh Farias. Em reunião recente com a bancada feminina, ele foi agressivo ao negar regime de urgência em pautas femininas, ao ponto de aliados pedirem sua retratação às deputadas. É carne de pescoço.
            A outra face – antes das supracitadas explosões, ainda na posse, Hugo Motta acenou para votar a proposta de anistia aos protagonistas da intentona de 8/1ao justificar que “não houve tentativa de golpe de Estado, porque não houve líder”. Como se as redes sociais escondessem os líderes.
            A declaração deu esperanças aos bolsonaristas, que a aproveitaram para encher suas redes de mais mentiras ególatras. Um alívio ante o temor do julgamento de Bolsonaro e milicos presos e do toc toc toc da PF às 6h da manhã em suas residências, por incentivo à intentona.
            Por outro lado, a recém-empossada presidente do Supremo Tribunal Militar (STM) disse que a declaração de Motta revela “desconhecer a história”, salientando que “houve tentativa de golpe, que poderia ser desfechada se houvesse GLO”. Mas bolsonaristas não gostam de mulheres.
            Centrão – em meio à disputa da presidência da Câmara, o então concorrente pastor Henrique Vieira (Psol-RJ) viralizou um vídeo no qual aponta que Motta é a continuidade política de Arthur Lira. Ele estava certo: Motta é do Centrão, o oportunista que segue quem paga bem melhor.
            Se Lula 3 pagar melhor do que Bolsonaro, o Centrão será “lulista”, aprovando melhor suas propostas. A Resolução 1/2025 das novas regras, de emendas, que facilita o repasse das mesmas para bancadas partidárias sem identificar quem realmente propôs os recursos, foi promulgada.
            Essa nova Resolução desafia o STF em termos de legalidade.  Desafia o governo federal em torno da disponibilidade da quantia aprovada, estimada em até R$ 50 bilhões. E os bolsonaristas, em caso de possível aprove da mesma pelo STF e Lula pagar o combinado.
            Político experiente, Lula sabe quem é Hugo Motta. Sabe da sua proximidade com Lira. E nos bastidores se sabe que ele comprou uma penca de bois do alagoano para tocar o seu latifúndio na Paraíba. E tem apoio da bancada ruralista. No campo, a violência continuará com certeza.
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ANÁLISE: Especial - as vitais correntes marinhas

              Em artigo recente sobre clima pormenorizei sobre fatores de padronização, eventos meteorológicos (condições de tempo) e o aque...