Manuela e a dupla Moro-Dallagnol: duas faces de uma moeda
Essa pérola aqui pode apenas mostrar uma cortina de fumaça q ocorre em meio à bomba da Portaria 666 do ministro Sergio Moro, mas merece uma vezinha aqui. Na próxima escreverei sobre.
Como a geral já sabe, Moro e Dallagnol caíram na malha da Vaza-Jato há um tempo. Para ganhar tempo (e grana) culpam hackers, já desmentidos pelo premiado Greenwald. Agora, um novo nome aparece: Manuela D'Ávila.
Enquanto os diálogos dos dois primeiros vazaram no The Intercept, a ex-candidata a vice de Haddad se dispôs a entregar seu celular com mensagens de um desconhecido no Telegram. Desconhecido que pode ser, ou não, um hacker.
As reações nas redes sociais foram imediatas, como é de praxe na internet. Numerosos foram os elogios, ressaltando-lhe o "ato de coragem e dignidade de uma mulher de verdade". Mas não foi unanimidade.
Do outro lado, enxurrada parecida foi a de reações negativas, em defesa de Moro e do governo Bolsonaro. Mas, parece que a proemiência não foi a mesma: efeitos do derrame do The Intercept?
Toda via, a disposição de Manuela não é gratuita. Formada em Direito, sabe que não é só investigação que conta. Afinal, com Moro no poder, nomes da esquerda ou ligados a Lula têm sido os alvos da ação seletiva da suprema justiça.
O que se destaca, de todo modo, é que a questão ética de entregar ou não o aparelho com mensagens suspeitas originou uma moeda bastante singular, de duas faces inteiramente opostas entre si, em posição e intenção.
De um lado, a face Manuela; de outro, a da dupla Moro-Dallagnol.
quarta-feira, 31 de julho de 2019
sábado, 20 de julho de 2019
O antigoverno
Desde os primeiros desdobramentos e destaques na grande mídia, a Lava-Jato serviu de gatilho para a radicalização e extrusão de um antipetismo antes calado.
Daí, frentes de direita e extrema-direita tomariam a crescente simpatia das classes médias a altas da população, principalmente no período e após o impeachment de Dilma Rousseff.
Sai o PT de cena, entra o outsider Bolsonaro, extrema-direita nos costumes e ultraliberal na economia. E nessa estrada ele vai mostrando a que veio.
Um líder preocupado com questões como horário de verão, tomada de três pinos, servir aos EUA, falar mal do PT, nomear ministro terrivelmente evangélico no STF, cortar direitos e verbas essenciais, enquanto os serviços públicos essenciais suplicam socorro.
Um cara q promete criar um Brasil mais soberano, mas que logo pretende entregar de bandeja e quase de graça as nossas mais valiosas estatais e recursos naturais aos trilhardários estrangeiros, pra nós sobrando apenas migalhas.
Se antes dissera votar contra a proposta de previdência de Temer, no poder monta outra ainda mais perversa, mais ou menos suavizada no relatório aprovado de Samuel Moreira.
Um ministério da educação que deseduca, um ministro da saúde que nega à população mais pobre o acesso aos serviços de saúde e ao SUS, em genocídio de doenças mil.
Um ministério das Relações Exteriores que inova na antidiplomacia, que vira a piada e vergonha globais.
Um juiz promovido a ministro não só por ter condenado Lula pela Lava-Jato, mas por ter conduzido esta operação com metodologia totalmente criminosa junto ao cúmplice Dallagnol, e continua no posto apesar da vergonha escancarada pelo derrame da Vaza-Jato.
Uma justiça cada vez mais polarizada, em que se imiscuem a proposta de um Estado ultrapolicialesco e extrema injustiça social, e um STF cada vez mais submisso às vontades presidenciais e aos jogos do ainda ministro Moro.
Um governo que prega a moral cristã como ideologia, em que a família tem ligações um tanto quanto suspeitas demais com grupos milicianos.
Uma ministra de Direitos Humanos que prega uma política antifeminista das mulheres, num viés messiânico religioso, com princípios contrários aos da Declaração Universal de Direitos Humanos.
Um presidente que deprecia o trabalho dos renomados embaixadores dos governos de 2000 a 2016, mas quer indicar Eduardo por ser simplesmente seu filho, desprovido dos mínimos requisitos exigíveis, mostra de um pueril fisiologismo ideológico.
Quando a líder da Alemanha, Angela Merckel, disse ser dramática a situação do Brasil, não foi sem razão. Afinal, o país não está sendo governado por um líder anti-sistema, mas sim antigoverno.
Desde os primeiros desdobramentos e destaques na grande mídia, a Lava-Jato serviu de gatilho para a radicalização e extrusão de um antipetismo antes calado.
Daí, frentes de direita e extrema-direita tomariam a crescente simpatia das classes médias a altas da população, principalmente no período e após o impeachment de Dilma Rousseff.
Sai o PT de cena, entra o outsider Bolsonaro, extrema-direita nos costumes e ultraliberal na economia. E nessa estrada ele vai mostrando a que veio.
Um líder preocupado com questões como horário de verão, tomada de três pinos, servir aos EUA, falar mal do PT, nomear ministro terrivelmente evangélico no STF, cortar direitos e verbas essenciais, enquanto os serviços públicos essenciais suplicam socorro.
Um cara q promete criar um Brasil mais soberano, mas que logo pretende entregar de bandeja e quase de graça as nossas mais valiosas estatais e recursos naturais aos trilhardários estrangeiros, pra nós sobrando apenas migalhas.
Se antes dissera votar contra a proposta de previdência de Temer, no poder monta outra ainda mais perversa, mais ou menos suavizada no relatório aprovado de Samuel Moreira.
Um ministério da educação que deseduca, um ministro da saúde que nega à população mais pobre o acesso aos serviços de saúde e ao SUS, em genocídio de doenças mil.
Um ministério das Relações Exteriores que inova na antidiplomacia, que vira a piada e vergonha globais.
Um juiz promovido a ministro não só por ter condenado Lula pela Lava-Jato, mas por ter conduzido esta operação com metodologia totalmente criminosa junto ao cúmplice Dallagnol, e continua no posto apesar da vergonha escancarada pelo derrame da Vaza-Jato.
Uma justiça cada vez mais polarizada, em que se imiscuem a proposta de um Estado ultrapolicialesco e extrema injustiça social, e um STF cada vez mais submisso às vontades presidenciais e aos jogos do ainda ministro Moro.
Um governo que prega a moral cristã como ideologia, em que a família tem ligações um tanto quanto suspeitas demais com grupos milicianos.
Uma ministra de Direitos Humanos que prega uma política antifeminista das mulheres, num viés messiânico religioso, com princípios contrários aos da Declaração Universal de Direitos Humanos.
Um presidente que deprecia o trabalho dos renomados embaixadores dos governos de 2000 a 2016, mas quer indicar Eduardo por ser simplesmente seu filho, desprovido dos mínimos requisitos exigíveis, mostra de um pueril fisiologismo ideológico.
Quando a líder da Alemanha, Angela Merckel, disse ser dramática a situação do Brasil, não foi sem razão. Afinal, o país não está sendo governado por um líder anti-sistema, mas sim antigoverno.
terça-feira, 9 de julho de 2019
Sabatinas de Glenn e Moro na Câmara: a chave de ouro foi para...
Conforme já descrito no artigo anterior, o derrame de notícias dos diálogos entre o ministro Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol pelo The Intercept Brasil revelou-se um grande escândalo no governo Bolsonaro.
Tão violento quanto a postergação de prioridades nacionais, cortes significativos, perda de previdência e de outros direitos sociais, repressão e ameaças, gerando repulsa internacional e impactos econômicos preocupantes, com recessão interna crescente.
Diante dos efeitos sentidos no Brasil e da repercussão internacional do derrame, foi então realizada neste último dia 25 de junho uma audiência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, com o jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil.
Uma sabatina cheia e longa, de mais de sete horas, que pegou fogo em vários momentos, diante do silêncio do jornalista, que aguardava o interrogatório.
Em paralelo ao tom respeitoso dos oposicionistas, os governistas jogavam bombas verbais, muitas com base em fake news, sobre o jornalista, que lhes respondia com tranquilidade. Houve um tumulto com contra-argumentos, mas sem efeito.
Duas governistas tentaram argumentaram com acusações de crimes financeiros e de ação jornalística irregular. As respostas contundentes as calaram. Carla Zambelli (PSL/SP) saiu da tribuna, enquanto a colega ao lado se perdia em reclames.
Após novo tumulto, Glenn findou a audiência com uma declaração final em defesa da do jornalismo democrático independente de convicção política, sob aplausos.
A sabatina em Moro ocorreu no início de julho, após a manifestação de 30/6 em sua defesa. Apesar da duração inferior a quatro horas, foi explosiva.
O que se viu foi o contrário: os governistas rasgavam elogios enquanto os oposicionistas não poupavam perguntas que impacientaram os governistas, com alguns tumultos. As respostas evasivas e insistentes em crime jornalístico irritaram parte da oposição.
Após elogio quase orgástico de um bolsonarista, a explosão final: Glauber Braga (PSOL-RJ) rasgou ao chamar Moro de "juiz ladrão". O tumulto explodiu entre os governistas, levando à total perda de controle da presidência da sabatina.
No tumulto, ninguém pareceu ver Moro. Aliás, ele simplesmente desapareceu no momento me que parte da turba e imprensa se direcionaram à mesa da presidência. Quando deram pelo sumiço do ministro, a presidente encerrou a sessão. Sem aplausos, nem vaias.
Tão violento quanto a postergação de prioridades nacionais, cortes significativos, perda de previdência e de outros direitos sociais, repressão e ameaças, gerando repulsa internacional e impactos econômicos preocupantes, com recessão interna crescente.
Diante dos efeitos sentidos no Brasil e da repercussão internacional do derrame, foi então realizada neste último dia 25 de junho uma audiência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, com o jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil.
Uma sabatina cheia e longa, de mais de sete horas, que pegou fogo em vários momentos, diante do silêncio do jornalista, que aguardava o interrogatório.
Em paralelo ao tom respeitoso dos oposicionistas, os governistas jogavam bombas verbais, muitas com base em fake news, sobre o jornalista, que lhes respondia com tranquilidade. Houve um tumulto com contra-argumentos, mas sem efeito.
Duas governistas tentaram argumentaram com acusações de crimes financeiros e de ação jornalística irregular. As respostas contundentes as calaram. Carla Zambelli (PSL/SP) saiu da tribuna, enquanto a colega ao lado se perdia em reclames.
Após novo tumulto, Glenn findou a audiência com uma declaração final em defesa da do jornalismo democrático independente de convicção política, sob aplausos.
A sabatina em Moro ocorreu no início de julho, após a manifestação de 30/6 em sua defesa. Apesar da duração inferior a quatro horas, foi explosiva.
O que se viu foi o contrário: os governistas rasgavam elogios enquanto os oposicionistas não poupavam perguntas que impacientaram os governistas, com alguns tumultos. As respostas evasivas e insistentes em crime jornalístico irritaram parte da oposição.
Após elogio quase orgástico de um bolsonarista, a explosão final: Glauber Braga (PSOL-RJ) rasgou ao chamar Moro de "juiz ladrão". O tumulto explodiu entre os governistas, levando à total perda de controle da presidência da sabatina.
No tumulto, ninguém pareceu ver Moro. Aliás, ele simplesmente desapareceu no momento me que parte da turba e imprensa se direcionaram à mesa da presidência. Quando deram pelo sumiço do ministro, a presidente encerrou a sessão. Sem aplausos, nem vaias.
Comparando os contextos, é perfeitamente possível perceber quem saiu levando a chave de ouro...
sábado, 22 de junho de 2019
Um resumido histórico sobre Glenn Greenwald
Como já se sabe, a fonte responsável pela divulgação de vazamentos dos diálogos com irregulariddes entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol é o The Intercept Brasil. O tento dos diálogos foi impedir a volta do PT ao poder.
The Intercept (em tradução livre, 'o interceptor') é uma das muitas mídias startup patrocinadas pelo eBay, fundado e comandado pelo francês Pierre Omidyar, magnata das comunicações no mundo.
Antes da notícia dos vazamentos, a citada startup não chamava a atenção da geral, já viciada na grande mídia. Ela só ficou conhecida amplamente graças ao caso Moro-Dallagnol, que bombardeia a política brasileira.
A citada startup foi fundada por Laura Poitras, Jeremy Carhill e Glenn Greenwald, este último estadunidense, residente no Brasil há uns 15 anos. É casado com o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) desde 2005, com 2 filhos.
Glenn nasceu em 1967 na cidade de Nova York, vindo de uma família judia, mas se revelava sem religião. Atuou inicialmente como advogado constitucional, trocando pelo jornalismo. Também é escritor.
Sua área jornalística predileta é a investigação do mundo político, indo parar no jornal britânico The Guardian, em 2012, logo se destacando.
Foi no The Guardian que atuou na revelação pública da vigilância global pela Agência de Segurança Nacional (NSA, EUA) a partir de contato inicial do ex-técnico Edward Snowden, que no final acabou se exilando em local ignorado na Rússia.
Atuando na comissão de frente da série de reportagens investigativas do caso, Glenn foi premiado em 2013 com um George Polk de Reportagens sobre Segurança Nacional e deu, para os britânicos, mais respaldo ao The Guardian.
Essa experiência levou Glenn a impôr ao The Intercept um jornalismo investigativo de alto impacto, com especial atenção a temas como corrupção, violações de direitos civis por políticos e oligarquias do capitalismo financeiro.
Foram vários os prêmios concedidos a Glenn, espcialmente em 2013. Entre eles, o Esso de Excelência em Reportagens Investigativas no Brasil (foi o primeiro estrangeiro), e o de Pioneirismo da Electonica Frontier Foundation. Em 2014, o cobiçado Pullitzer.
Tal currículo preocupa governo federal e a nossa grande mídia, que tentam barrar novos "derrames", afrontando o princípio da liberdade de expressão. Nesse ínterim, a defesa de Lula protocola ao STF novo julgamento de recurso de soltura.
Todo esse alvoroço dramático se deve a apenas 3% de conteúdo vazado divulgado pela startup, segundo Glenn, o que pode significar que o pior ainda está por vir.
Governo, congresso e grande mídia sabem que a coisa é feia e Glenn não está para brincadeira. Sabem que a matéria inteira pode elevar a crise política a um nível insustentável. Glenn Greenwald é um tiro no pé do próprio governo Bolsonaro.
Como já se sabe, a fonte responsável pela divulgação de vazamentos dos diálogos com irregulariddes entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol é o The Intercept Brasil. O tento dos diálogos foi impedir a volta do PT ao poder.
The Intercept (em tradução livre, 'o interceptor') é uma das muitas mídias startup patrocinadas pelo eBay, fundado e comandado pelo francês Pierre Omidyar, magnata das comunicações no mundo.
Antes da notícia dos vazamentos, a citada startup não chamava a atenção da geral, já viciada na grande mídia. Ela só ficou conhecida amplamente graças ao caso Moro-Dallagnol, que bombardeia a política brasileira.
A citada startup foi fundada por Laura Poitras, Jeremy Carhill e Glenn Greenwald, este último estadunidense, residente no Brasil há uns 15 anos. É casado com o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) desde 2005, com 2 filhos.
Glenn nasceu em 1967 na cidade de Nova York, vindo de uma família judia, mas se revelava sem religião. Atuou inicialmente como advogado constitucional, trocando pelo jornalismo. Também é escritor.
Sua área jornalística predileta é a investigação do mundo político, indo parar no jornal britânico The Guardian, em 2012, logo se destacando.
Foi no The Guardian que atuou na revelação pública da vigilância global pela Agência de Segurança Nacional (NSA, EUA) a partir de contato inicial do ex-técnico Edward Snowden, que no final acabou se exilando em local ignorado na Rússia.
Atuando na comissão de frente da série de reportagens investigativas do caso, Glenn foi premiado em 2013 com um George Polk de Reportagens sobre Segurança Nacional e deu, para os britânicos, mais respaldo ao The Guardian.
Essa experiência levou Glenn a impôr ao The Intercept um jornalismo investigativo de alto impacto, com especial atenção a temas como corrupção, violações de direitos civis por políticos e oligarquias do capitalismo financeiro.
Foram vários os prêmios concedidos a Glenn, espcialmente em 2013. Entre eles, o Esso de Excelência em Reportagens Investigativas no Brasil (foi o primeiro estrangeiro), e o de Pioneirismo da Electonica Frontier Foundation. Em 2014, o cobiçado Pullitzer.
Tal currículo preocupa governo federal e a nossa grande mídia, que tentam barrar novos "derrames", afrontando o princípio da liberdade de expressão. Nesse ínterim, a defesa de Lula protocola ao STF novo julgamento de recurso de soltura.
Todo esse alvoroço dramático se deve a apenas 3% de conteúdo vazado divulgado pela startup, segundo Glenn, o que pode significar que o pior ainda está por vir.
Governo, congresso e grande mídia sabem que a coisa é feia e Glenn não está para brincadeira. Sabem que a matéria inteira pode elevar a crise política a um nível insustentável. Glenn Greenwald é um tiro no pé do próprio governo Bolsonaro.
domingo, 16 de junho de 2019
Moro e Dallagnol:
efeitos do vazamento
Nessa fase inicial do governo
Bolsonaro, bomba uma notícia inesperada: a revelação de um diálogo
comprometedor entre o hoje ministro da justiça Sérgio Moro e o procurador da
República Deltan Dallagnol.
O detonador foi uma mídia
estrangeira, a The Intercept, cujo editor é o premiado jornalista
norte-americano Glenn Greenwald, sobre quem será escrito novo artigo.
Na geral, uma surpresa dupla, pela
notícia em si e pela fonte pouco conhecida da maioria. E a reação foi
heterogênea: alegra de uns, caras-feias de outros e temor de terceiros com os
rumos do governo. Inabaláveis mesmo, só os bolsonaristas mais fervorosos.
Greenwald já assegurou que
inicialmente foi liberado apenas 1% do conteúdo capturado, a ser liberado aos
poucos devido ao grande volume de informação. Todavia, gerou fortes e várias
emoções que podem dizer muito da situação sociopolítica.
A julgar pelo temperamento do
presidente, há uma contida raiva temerosa. Afinal, o pacote anticrime de Moro
completa o combustível de seu governo, junto à reforma da previdência e às
tuitadas contra o PT.
No congresso, diferentes emoções se
convergem para a determinação de apuração dos fatos, e a determinação dos
pesselistas de convocar Glenn para uma “acareação”. Sabendo disto, o jornalista
até fez um vídeo se dispondo a comparecer, na maior tranquilidade do mundo.
O ministro da Economia Paulo Guedes
acredita que a avalanche da The Interceptor possa prejudicar os votos
favoráveis à sua amada reforma previdenciária. A bancada da bala compartilha os
mesmos sentimentos do presidente.
Para não piorar a crise, governo e
grande mídia articulam divulgar a notícia como fruto de hacker ou de fake News.
O premiado jornalista e especialistas negam as duas coisas.
A OAB e um grupo de juristas
pressionam por Moro sair do ministério, dada a situação já insuportável para
ele. Agra, para a maioria dos populares, a Lava-Jato é uma farsa política para
tirar Lula de campo.
Na prisão, Lula viu no vazamento a
senha para desmascarar Moro e Dallagnol. Mas evitou comemorar: conhece os
bastidores da política, que podem reverter a favor do ministro. Todavia, a sua
defesa já se move para a anulação da pena junto ao STF.
E como se vê, muitos são os efeitos da notícia do vazamento. E o efeito pode até ser maior, especialmente sobre Moro: de herói nacional homenageado até como boneco inflado em Brasília, a um possível final de carreira de volta ao esquecimento em Maringá.
terça-feira, 4 de junho de 2019
Crônicas e curtas da vida real
Um almoço quase indigesto
Numa pausa de trabalho de quinta-feira, fui almoçar num restaurante barato próximo. Dia lotado, com direito a uma fila inédita. O motivo? Duas feijoadas, a tradicional e a vegetariana. Sim, a turma adepta frequenta lá.
Assim que uma mesa próxima se esvaziou, sentei nela. Em seguida, vários trabalhadores, que se puseram a conversar entre os muitos nacos de carne mastigados em velocidade máxima.
Reforma da previdência foi o assunto deles. Um deles me chamou a atenção para emitir uma opinião a respeito do tema. Resisti de início, mas diante da insistência, procurei ser breve.
- Se fosse boa mesmo, por que então não aplicá-la ao alto escalão do legislativo e do judiciário? Por que há tanta miséria nos países que a adotaram?
Em meio à fala, um deles, grandão, já convencia os outros de que "vai sobrar dinheiro pro povo porque vai acabar com privilégios". Me silenciei, pra evitar encrenca. O grandão disse pra mim:
- Pode ficar tranquila, palavra de Bolsonaro!
Ao findarem seu almoço, os homens se levantaram. O grandão estendeu a mão para aperto e despedir.
- Foi um prazer, moça. Mas, me desculpe a curiosidade: tu votou em Lula ou Bolsonaro?
- Ninguém. E não teve Lula nenhum.
- Mas teve o Haddad, que é o Lula, que é o PT.
- Mas não votei em ninguém. - eu queria parar.
Aperto de mão, que ficou.
- Mas vamos rumo a Bolsonaro 2022!
- Ninguém 2022.
- Não, é Bolsnaro 2022.
- Ninguém 2022.
- Bolsonaro 2022.
- Ninguém 2022.
- Vai por mim, Bolsonaro 2022. - e emendou. - Vou lá senão o patrão nos pega pelo pé.
- Bom trabalho, e que tenha uma aposentadoria garantida.
ROSSINI, Salete. Da série CENAS DA VIDA URBANA, crônicas do real. Junho 2019.
quarta-feira, 29 de maio de 2019
Damares Alves: cortina de fumaça, ou de chumbo?
Apesar de mencionada em outros artigos deste blog, Damares Alves merece menção própria à parte, não por sua pessoa em si, mas por suas declarações um tanto quanto polêmicas.
Damares nasceu no Paraná, filha de migrantes nordestinos evangélicos pentecostais. Seu pai era pastor de uma pequena igreja e nesse ambiente ela e os irmãos cresceram.
Sua infância foi dificultada pelo trauma dos abusos sexuais cometidos por um pastor, amigo próximo de seu pai que por vezes fazia orações na casa. Ela contou aos pais, que não a levaram a sério. Cresceu com trauma e tudo, mesmo após o abusador ter se afastado anos depois.
Já adulta, Damares cursou Pedagogia, mas aparentemente não exerceu o magistério. Logo acolheu-se na formação religiosa, tornando-se a pastora que conhecemos atualmente.
Nomeada por Bolsonaro como ministra da pasta da Mulher e dos Direitos Humanos, ela se mostrou conservadora e antifeminista. E também ganhou notoriedade por muitas declarações, algumas polêmicas, outras insólitas.
Nas redes sociais, humor crítico ao lado do trauma reconhecido. Vídeos de cultos em que se originaram muitas das declarações, como a da mamadeira de piroca e a do kit gay. Já ministra, a ideia de Igreja sobre o Estado, mulher submissa, menino de azul e menina de rosa. Propõe a criminalização do aborto mesmo nas condições previstas em lei.
Em paralelo, também nas redes sociais, foram divulgadas matérias apontando suposto envolvimento de Damares em sequestro de crianças indígenas, mas até o momento, sem comprovação, nem se tais notícias são falsas ou verdadeiras.
Além das críticas humoradas, as declarações da ministra são minimizadas por internautas nas redes sociais, como "cortina de fumaça" estratégica do governo para distrair o público quanto às mais pérfidas políticas em tramitação.
Talvez essa reflexão tenha causado questionamentos importantes pela Comissão de Direitos Humanos na Câmara, sobre as consequências da criminalização da educação sexual na escola e do aborto em qualquer caso, a realidade do papel social atual da mulher, a política da pasta para atendimento a mulheres em vulnerabilidade.
Mesmo depois dessas paradas na Câmara, Damares ainda "causa": a mais nova e insólita declaração é a de um suposto caso gay por baixo da amizade entre os famosos personagens marinhos Bob Esponja e Patrick, do engraçado desenho animado televisivo.
Se o momento Damares é só uma cortina de fumaça mesmo, não dá para saber direto. Mas vale repensar, pois em paralelo a isso, há quem veja com preocupação o significado disso. O que é bastante compreensível.
Afial, vale análise cruzando os dados: enquanto a ministra segue sem proposta coerente, os "direitos humanos para humanos direitos" seguem em frente: aumento de índices de estupros e outras violações de gênero, incluindo crianças e outros grupos vulneráveis.
E vale cruzar análise com a agenda presidencial com decretos e propostas impopulares e cerceadoras, ideológico-religiosas, em comum com Paulo Guedes e Damares juntos. Ah,e tem o moralismo de Mandetta na saúde, com relação à política de HIV/DST co proposta de negar atendimento aos infectados e às mulheres violadas pelo SUS.
Diante de tudo isso, vale a pergunta: a cortina de Damares pode não ser exatamente de fumaça, mas de ferro e chumbo.
Apesar de mencionada em outros artigos deste blog, Damares Alves merece menção própria à parte, não por sua pessoa em si, mas por suas declarações um tanto quanto polêmicas.
Damares nasceu no Paraná, filha de migrantes nordestinos evangélicos pentecostais. Seu pai era pastor de uma pequena igreja e nesse ambiente ela e os irmãos cresceram.
Sua infância foi dificultada pelo trauma dos abusos sexuais cometidos por um pastor, amigo próximo de seu pai que por vezes fazia orações na casa. Ela contou aos pais, que não a levaram a sério. Cresceu com trauma e tudo, mesmo após o abusador ter se afastado anos depois.
Já adulta, Damares cursou Pedagogia, mas aparentemente não exerceu o magistério. Logo acolheu-se na formação religiosa, tornando-se a pastora que conhecemos atualmente.
Nomeada por Bolsonaro como ministra da pasta da Mulher e dos Direitos Humanos, ela se mostrou conservadora e antifeminista. E também ganhou notoriedade por muitas declarações, algumas polêmicas, outras insólitas.
Nas redes sociais, humor crítico ao lado do trauma reconhecido. Vídeos de cultos em que se originaram muitas das declarações, como a da mamadeira de piroca e a do kit gay. Já ministra, a ideia de Igreja sobre o Estado, mulher submissa, menino de azul e menina de rosa. Propõe a criminalização do aborto mesmo nas condições previstas em lei.
Em paralelo, também nas redes sociais, foram divulgadas matérias apontando suposto envolvimento de Damares em sequestro de crianças indígenas, mas até o momento, sem comprovação, nem se tais notícias são falsas ou verdadeiras.
Além das críticas humoradas, as declarações da ministra são minimizadas por internautas nas redes sociais, como "cortina de fumaça" estratégica do governo para distrair o público quanto às mais pérfidas políticas em tramitação.
Talvez essa reflexão tenha causado questionamentos importantes pela Comissão de Direitos Humanos na Câmara, sobre as consequências da criminalização da educação sexual na escola e do aborto em qualquer caso, a realidade do papel social atual da mulher, a política da pasta para atendimento a mulheres em vulnerabilidade.
Mesmo depois dessas paradas na Câmara, Damares ainda "causa": a mais nova e insólita declaração é a de um suposto caso gay por baixo da amizade entre os famosos personagens marinhos Bob Esponja e Patrick, do engraçado desenho animado televisivo.
Se o momento Damares é só uma cortina de fumaça mesmo, não dá para saber direto. Mas vale repensar, pois em paralelo a isso, há quem veja com preocupação o significado disso. O que é bastante compreensível.
Afial, vale análise cruzando os dados: enquanto a ministra segue sem proposta coerente, os "direitos humanos para humanos direitos" seguem em frente: aumento de índices de estupros e outras violações de gênero, incluindo crianças e outros grupos vulneráveis.
E vale cruzar análise com a agenda presidencial com decretos e propostas impopulares e cerceadoras, ideológico-religiosas, em comum com Paulo Guedes e Damares juntos. Ah,e tem o moralismo de Mandetta na saúde, com relação à política de HIV/DST co proposta de negar atendimento aos infectados e às mulheres violadas pelo SUS.
Diante de tudo isso, vale a pergunta: a cortina de Damares pode não ser exatamente de fumaça, mas de ferro e chumbo.
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