João Amoêdo: novo nome a trabalhar duro na velha política neoliberal
Entre os candidatos na retaguarda das intenções de votos destaca-se João Amoêdo. Destaca-se não por questão de representatividade, mas pelo perfil que vende.
Em uma entrevista publicada pela Veja Online, Amoêdo revelou seu patrimônio declarado em 480 milhões de reais, fruto de "anos de muito trabalho duro", o que já dá margem de suspeita sobre ele: na verdade um banqueiro. Qualquer trabalhador sabe que atingir esse notável patrimônio com salários modestos, mesmo por anos a fio e sem cometer delito, é uma meta praticamente impossível na melhor das hipóteses.
No que tange à polêmica relacionada à ONU, ele se disse favorável às interferências da entidade, de modo a contribuir para o "restabelecimento da ordem e aos direitos humanos".
Sobre a política de direitos humanos, ele se declarou favorável aos direitos dos LGBTIs. O que faz sentido, visto que este público costuma consumir mais do que o homossexual, segundo o Correio Brasiliense de 2013.
No que se refere à reforma trabalhista, ele a declarou como um "feito positivo do governo", alegando que desonera os empregadores, e à reforma previdenciária, também se mostrou favorável, mas que "fará uns ajustes". Resta saber que ajustes serão estes, e adivinhem para quem vai sobrar.
Sobre políticas públicas, Amoêdo foi claro: "sou a favor da privatização de todos os serviços públicos", garantindo ser possível "atendimento público pela iniciativa privada", justificando-se na velha ideia de "estado ineficiente", a ser substituído pela "eficiência do mercado". Declarou que até na educação básica, dever público por lei, pode ser totalmente privatizada.
Bem, nesse ponto qualquer bom entendedor poderá saber que, nesse ponto, ele realmente trabalhará com o mesmo interesse e afinco com que diz sido a origem de sua fortuna.
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
segunda-feira, 27 de agosto de 2018
Eleições 2018 e a crise: o papel ativo do voto
nulo
Apesar
da previsão de inverno mais frio do que a média, em eleição este ano é quente
pra chuchu no Brasil. A despeito dos números, a incerteza domina o cenário
eleitoral. Condenado e preso um ex-presidente com provas dadas como controversas por uns e suficientes por outros, e livres
nomes comparativamente mais perigosos que geram aversão e repulsa, nas redes sociais se
digladiam dois grupos de campanha: um defensor do voto consciente e o outro defensor do voto nulo.
Com
apoio governamental, a campanha do voto
consciente é constante desde a era Collor. Foram eleitos vários nomes
novos, que não demoravam, no entanto, a aparecer em falcatruas divulgadas nas
mídias, como até hoje. Com os escândalos de corrupção atuais, surgem as contracampanhas pelo voto nulo, que
tomam a internet e as mídias.
Atualmente, a lei eleitoral torna inválidos tanto os votos em branco quanto os nulos, o que não invalida o pleito mesmo quando os votos válidos sejam minoria na apuração pós-pleito. Ainda assim, a opção pelo nulo cresce nas redes sociais, proporcionalmente ao número de candidatos provadamente criminosos à eleição/reeleição.
Atualmente, a lei eleitoral torna inválidos tanto os votos em branco quanto os nulos, o que não invalida o pleito mesmo quando os votos válidos sejam minoria na apuração pós-pleito. Ainda assim, a opção pelo nulo cresce nas redes sociais, proporcionalmente ao número de candidatos provadamente criminosos à eleição/reeleição.
Daí
entra a inovação na campanha do “voto consciente”: “quem vota nulo se anula”. O slogan faz sentido para quem vota apenas
se aventurar, mas não para quem o faz por razões mais sólidas. E o governo sabe
muito bem disso.
Geralmente, quem vota nulo o faz como protesto: novos nomes não garantem nova política, com inúmeros
exemplos há tempos. Na nossa cultura política, os interesses do grande capital
pesam mais na representação dos candidatos. Mesmo sabendo ser seu voto sem
efeito, os eleitores demonstram nele sua rejeição à preferência dos eleitos
pelo poder em detrimento das necessidades da nação. E isso é uma razão profunda.
O governo e a mídia sabem dessa consciência política, e se preocupam. Isso basta para mostrar que a nulidade não está em quem vota nulo, mas na ilusão de quem vai pelo "nome novo", sem saber que perpetua a velha e viciada política de sempre. Ainda mais pelo fato de que, na realidade, os votos válidos sempre terminam maioria nas urnas.
O governo e a mídia sabem dessa consciência política, e se preocupam. Isso basta para mostrar que a nulidade não está em quem vota nulo, mas na ilusão de quem vai pelo "nome novo", sem saber que perpetua a velha e viciada política de sempre. Ainda mais pelo fato de que, na realidade, os votos válidos sempre terminam maioria nas urnas.
Afinal, basta pensar um pouco para saber quem sempre esteve, de fato, em vantagem no nosso cenário, independentemente do partido no poder.
Alimentos transgênicos x agrotóxicos: uma crise alimentar e ambiental
É sabido entre a geral de que o Brasil é um líder entre os países que mais consomem agroquímicos na agropecuária. Mas, para a maioria dos parlamentares da bancada do boi, o consumo não é suficiente.
Tramita no congresso um projeto de lei que propõe liberação fiscalizada de mais agroquímicos, que se sabe serem condenados em vários países e pela OMS devido à grave toxidade à saúde humana. Entre os mais de 10 tipos de agroquímicos listados, figuram Endossulfam, Cihexatina, Tricloform, Pentaclorofenol e Lindano, este último usado em tratamento de madeiras.
Muitos desses produtos, citados no referido projeto, sequer têm descrição de seus efeitos, conforme mostra a tabela exposta pela Fiocruz (http://cee.fiocruz.br/?q=Anvisa-e-contraria-a-PL-do-veneno-e-lista-riscos-de-nove-agrotoxico-proibidos), o que aumenta ainda mais o potencial de envenenamento advindo do consumo alimentar.
O tema caiu nas redes sociais, sob fortes críticas da maioria dos internautas. Além da citada toxidade, a crítica razoável ocorre pelo fato de o uso de agrotóxicos (outro nome dos produtos) carecer de fiscalização pela Anvisa, nossa versão da estadunidense FDA, expondo trabalhadores e meio ambiente a índices preocupantes de contaminação.
O maior risco não fica somente no consumo dos alimentos "irrigados" com tais agroquímicos. O meio ambiente também sofre, o que pode se alastrar por grandes áreas além dos grandes campos cultivados, contaminando assim áreas naturais remanescentes nas adjacências e atingindo algumas populações tradicionais que porventura povoem os locais.
E pensar que os digníssimos parlamentares foram eleitos também tendo-se em vista dos anseios populares de melhor qualidade de vida. E pensar que a imprensa e os grandes ruralistas estão por trás dos ensejos de enfraquecer o potencial produtivo mais saudável do MST.
É sabido entre a geral de que o Brasil é um líder entre os países que mais consomem agroquímicos na agropecuária. Mas, para a maioria dos parlamentares da bancada do boi, o consumo não é suficiente.
Tramita no congresso um projeto de lei que propõe liberação fiscalizada de mais agroquímicos, que se sabe serem condenados em vários países e pela OMS devido à grave toxidade à saúde humana. Entre os mais de 10 tipos de agroquímicos listados, figuram Endossulfam, Cihexatina, Tricloform, Pentaclorofenol e Lindano, este último usado em tratamento de madeiras.
Muitos desses produtos, citados no referido projeto, sequer têm descrição de seus efeitos, conforme mostra a tabela exposta pela Fiocruz (http://cee.fiocruz.br/?q=Anvisa-e-contraria-a-PL-do-veneno-e-lista-riscos-de-nove-agrotoxico-proibidos), o que aumenta ainda mais o potencial de envenenamento advindo do consumo alimentar.
O tema caiu nas redes sociais, sob fortes críticas da maioria dos internautas. Além da citada toxidade, a crítica razoável ocorre pelo fato de o uso de agrotóxicos (outro nome dos produtos) carecer de fiscalização pela Anvisa, nossa versão da estadunidense FDA, expondo trabalhadores e meio ambiente a índices preocupantes de contaminação.
O maior risco não fica somente no consumo dos alimentos "irrigados" com tais agroquímicos. O meio ambiente também sofre, o que pode se alastrar por grandes áreas além dos grandes campos cultivados, contaminando assim áreas naturais remanescentes nas adjacências e atingindo algumas populações tradicionais que porventura povoem os locais.
E pensar que os digníssimos parlamentares foram eleitos também tendo-se em vista dos anseios populares de melhor qualidade de vida. E pensar que a imprensa e os grandes ruralistas estão por trás dos ensejos de enfraquecer o potencial produtivo mais saudável do MST.
sábado, 25 de agosto de 2018
Ódio e intolerância como armas políticas: a voz da crise social
Desde a sua criação e popularização, a internet tem sido a principal fonte de informações atualizadas, notícias, entretenimentos diversos e negócios, no conforto doméstico e outros ambientes, inclusive na rua. Mas, também, passou a ser um espaço amplo para divulgação de páginas de cunho político, especialmente nas redes sociais.
Tais páginas têm proporcionado, propositalmente ou não, debates ou embates entre os usuários, que mostram suas posições políticas e ideológicas, nas quais "revivem" campos dados como "mortos" como direita e esquerda. Campos tão vivos que preocupam a classe política e movimentos da sociedade civil. Não, não é difícil explicar.
Preocupação esta que faz sentido. Especialmente nos últimos anos da era petista, a polaridade entre grupos ideologicamente distintos se direcionou para a agressividade. Grupos que apoiam a direita chamando os esquerdistas de "esquerdopatas" e esquerdistas chamando aqueles de "neofascistas" ou "nazifasci". E não ficou só nisso.
O crescimento dos grupos ditos fascistas - proto ou neofascistas -, muito mais rápido, tem sido impulsionado com a queda do PT como governo e a desorganização histórica da esquerda brasileira, voltando-se contra grupos e movimentos da sociedade civil que lutam por políticas alinhadas como esquerda: emancipação social de negros, mulheres, LGBTIs, indígenas, cotas para universidades e concursos públicos, Bolsa Família, etc.
Esses ataques demonstram a tendência protofascista que atinge em especial as gerações mais jovens e menos instruídas, que se deixam fascinar pela imagem de impoluto e sincero de vários nomes da dita nova direita (que de nova nada tem), que pregam políticas como liberação do porte de armas para os cidadãos ditos "de bem", diminuição da idade penal, aumento dos privilégios para as instituições cristãs, militarização das escolas na educação básica, fim das políticas de distribuição de renda como Bolsa Família.
Tal conjuntura de políticas prometidas pode, se concretizada numa hipotética vitória de Bolsonaro, por exemplo, agravar o estado clínico da sociedade brasileira, já adoentada pela extrema polarização causada pelo aprofundamento da divisão socioeconômica, cultural e filosófica.
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
Bolsonaro e a crise pessoal 3: ausência no próximo debate
Os três debates que ocorreram - na GloboNews, Band e RedeTV! - certamente agitaram muito a cena política, mostrando que esse ano é mesmo quente pra chuchu no quesito eleitoral.
Eles têm mostrado claramente como os candidatos podem influir na escolha dos eleitores na reta final até o pleito - mesmo que, nos casos de alguns dos nomes, muitos eleitores mantenham a mesma escolha.
E, como sempre, Jair Bolsonaro tem sido um dos destaques nos encontros, ou confrontos, o que vocês acharem melhor. Vencido ou vencedor nos confrontos individuais com determinados nomes, ele tem deixado a sua marca.
Fontes diversas na internet, como Uol, Globo, Jornal do Brasil, Revista Forum, Carta Capital e outras tantas, reportaram matéria segundo a qual o militar decidiu não comparecer no próximo debate, promovido pela Radio Jovem Pan. A alegação dele é a de ser "mais produtivo" fazer atos de campanha diretamente com eleitores ou em corpo-a-corpo.
Mas há quem possa não acreditar em tais alegações, pois o PT e Lula vem lutando para participar de ao menos algum dos debates, com recurso via judice. Um motivo a reforçar a descrença nas alegações do candidato é o fato de ele ter sido obrigado a se calar após os argumentos de Boulos no encontro da GloboNews e os de Marina Silva no da RedeTV!.
É... parece que Bolsonaro está a enfrentar, mesmo calado, a sua maior crise pessoal, consigo mesmo ou com seu personagem encarnado e pelo qual seus eleitores são tão apaixonados.
Os três debates que ocorreram - na GloboNews, Band e RedeTV! - certamente agitaram muito a cena política, mostrando que esse ano é mesmo quente pra chuchu no quesito eleitoral.
Eles têm mostrado claramente como os candidatos podem influir na escolha dos eleitores na reta final até o pleito - mesmo que, nos casos de alguns dos nomes, muitos eleitores mantenham a mesma escolha.
E, como sempre, Jair Bolsonaro tem sido um dos destaques nos encontros, ou confrontos, o que vocês acharem melhor. Vencido ou vencedor nos confrontos individuais com determinados nomes, ele tem deixado a sua marca.
Fontes diversas na internet, como Uol, Globo, Jornal do Brasil, Revista Forum, Carta Capital e outras tantas, reportaram matéria segundo a qual o militar decidiu não comparecer no próximo debate, promovido pela Radio Jovem Pan. A alegação dele é a de ser "mais produtivo" fazer atos de campanha diretamente com eleitores ou em corpo-a-corpo.
Mas há quem possa não acreditar em tais alegações, pois o PT e Lula vem lutando para participar de ao menos algum dos debates, com recurso via judice. Um motivo a reforçar a descrença nas alegações do candidato é o fato de ele ter sido obrigado a se calar após os argumentos de Boulos no encontro da GloboNews e os de Marina Silva no da RedeTV!.
É... parece que Bolsonaro está a enfrentar, mesmo calado, a sua maior crise pessoal, consigo mesmo ou com seu personagem encarnado e pelo qual seus eleitores são tão apaixonados.
Bolsonaro e a crise pessoal 2: quem ele se demonstra
Ao fim do longo debate, os candidatos trocaram cumprimentos cordiais. Jair Bolsonaro idem, embora um pouco contido após os embates com adversários como Cabo Daciolo e Marina Silva. É nesse ínterim que os repórteres dos diversos canais de imprensa abordam os candidatos para as entrevistas.
Dentre os vários repórteres, destacou-se um jovem, que entre outras perguntas, perguntou a Bolsonaro sobre o conteúdo da "cola" escrita na palma da mão esquerda durante o debate. Foi aí que o militar se irritou, passando a confrontar o jornalista com bravatas jocosas como "você quer saber a cor da minha cueca?".
Esta cena agressiva foi parar nas redes sociais, recebendo uma gama de comentários diversos, muitos deles criticando a postura do candidato como desnecessária e destemperada, e outros a favor, voltando-se contra o jornalista quanto ao interesse dele pela cola.
Por incrível que pareça, é nessas horas infames que podemos perceber detalhes que servem de alerta para os espectadores. Se, de um lado, nessa hora a atribuição jornalística parece tão constrangedora, uma vez que é inescapável expor a estes e outros infortúnios, por outro lado é possível desmascarar o candidato em suas intenções e/ou caráter, pois uma cola, por mais inocente e infantil que pareça ser, revela muito de seu autor.
É justamente nessas horas que o eleitor se oportuniza de experimentar a grande chance de refletir sobre a sua escolha prévia. Se mesmo assim manter a mesma escolha, por um lado é direito, mas por outro, também se torna um indicador do caráter ou da qualidade do senso crítico do próprio eleitor.
Ao fim do longo debate, os candidatos trocaram cumprimentos cordiais. Jair Bolsonaro idem, embora um pouco contido após os embates com adversários como Cabo Daciolo e Marina Silva. É nesse ínterim que os repórteres dos diversos canais de imprensa abordam os candidatos para as entrevistas.
Dentre os vários repórteres, destacou-se um jovem, que entre outras perguntas, perguntou a Bolsonaro sobre o conteúdo da "cola" escrita na palma da mão esquerda durante o debate. Foi aí que o militar se irritou, passando a confrontar o jornalista com bravatas jocosas como "você quer saber a cor da minha cueca?".
Esta cena agressiva foi parar nas redes sociais, recebendo uma gama de comentários diversos, muitos deles criticando a postura do candidato como desnecessária e destemperada, e outros a favor, voltando-se contra o jornalista quanto ao interesse dele pela cola.
Por incrível que pareça, é nessas horas infames que podemos perceber detalhes que servem de alerta para os espectadores. Se, de um lado, nessa hora a atribuição jornalística parece tão constrangedora, uma vez que é inescapável expor a estes e outros infortúnios, por outro lado é possível desmascarar o candidato em suas intenções e/ou caráter, pois uma cola, por mais inocente e infantil que pareça ser, revela muito de seu autor.
É justamente nessas horas que o eleitor se oportuniza de experimentar a grande chance de refletir sobre a sua escolha prévia. Se mesmo assim manter a mesma escolha, por um lado é direito, mas por outro, também se torna um indicador do caráter ou da qualidade do senso crítico do próprio eleitor.
terça-feira, 21 de agosto de 2018
Bolsonaro e a crise pessoal 1: embate com Marina Silva
O debate da rede TV! se repetiu com os candidatos mostrando-se como são, em suas posições ideológicas e temperamentos. Mas, desta vez, os holofotes se voltaram para Jair Bolsonaro, em dois momentos. Neste texto destaco o momento do embate com Marina Silva.
Duas figuras muito distintas: uma, formada na caserna, defensora das políticas de moralização militar da sociedade; a outra, moldada pela luta dos seringueiros por melhores condições de trabalho, com forte espírito político, a princípio na esquerda, para hoje estar em cima do muro.
O apreço à fé cristã é afinidade entre ambos, o que os leva a encarar reservadamente a massa LGBTI, mas com nuanças diferentes. E foi no tema dos direitos humanos, inclusive no trabalho, que a semelhança se dissolveu.
Ele defendia a diferença salarial entre os gêneros, o porte de arma pelos "cidadãos de bem", a militarização na educação, e a "redefinição" dos direitos dos LGBTI. Marina discordava, com argumentos até bastante sólidos para defesa da igualdade na diversidade, olhos nos olhos do militar, mostrando-se uma adversária à altura. Ao ponto de calá-lo na falta do que argumentar a mais para defender suas propostas.
Será que nesse embate Marina Silva ganha pontos para o pleito? Resta saber, em posterior debate.
O debate da rede TV! se repetiu com os candidatos mostrando-se como são, em suas posições ideológicas e temperamentos. Mas, desta vez, os holofotes se voltaram para Jair Bolsonaro, em dois momentos. Neste texto destaco o momento do embate com Marina Silva.
Duas figuras muito distintas: uma, formada na caserna, defensora das políticas de moralização militar da sociedade; a outra, moldada pela luta dos seringueiros por melhores condições de trabalho, com forte espírito político, a princípio na esquerda, para hoje estar em cima do muro.
O apreço à fé cristã é afinidade entre ambos, o que os leva a encarar reservadamente a massa LGBTI, mas com nuanças diferentes. E foi no tema dos direitos humanos, inclusive no trabalho, que a semelhança se dissolveu.
Ele defendia a diferença salarial entre os gêneros, o porte de arma pelos "cidadãos de bem", a militarização na educação, e a "redefinição" dos direitos dos LGBTI. Marina discordava, com argumentos até bastante sólidos para defesa da igualdade na diversidade, olhos nos olhos do militar, mostrando-se uma adversária à altura. Ao ponto de calá-lo na falta do que argumentar a mais para defender suas propostas.
Será que nesse embate Marina Silva ganha pontos para o pleito? Resta saber, em posterior debate.
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